Festival de Música termina com tributo à arte e ao idealismo

29/08/2011 12:23

O II Festival de Música da UFSC encerrou na noite domingo mostrando que a música é a bandeira da juventude no Terceiro Milênio, por onde ela pode ecoar seus lamentos, desejos e gritos de liberdade. Dois dias de festival na Praça da Cidadania da UFSC deixaram como saldo 20 novas composições e a insurgência de igual número de bandas que revelaram, sobretudo, criatividade na mistura de ritmos antigos com modernos e de elementos da cultura regional com a cultura global. O emocionante show de encerramento do Grupo Engenho, criado e fomentado dentro dos palcos da UFSC, fez um tributo à volta dos festivais universitários e ao mesmo tempo lavrou o retorno da banda após 28 anos de inatividade.

Todas as composições – selecionadas entre 136 – vão compor um CD/DVD ao vivo que a Secretaria de Cultura e Arte e o Departamento Artístico Cultural da UFSC já começaram a produzir. A Praça da Cidadania já não estava tão lotada como na noite anterior, quando se reuniram cerca de oito mil pessoas. Mas o público que perdeu o clássico Avaí/Figueirense para curtir as bandas selecionadas para o segundo dia foi premiado com um espetáculo ainda melhor em qualidade técnica e artística. Violinos, violões, guitarras, instrumentos de sopro, percussão, teclado, cravo, pandeiro. As equipes subiram ao palco com estrada e preparo técnico. Foram dez apresentações de alto nível do ponto de vista da melodia, harmonia e letra e, embora a mostra não fosse mais competitiva, três conjuntos apontaram como francamente favoritos do público: as bandas Cravo da Terra (MPB), Top Groove (rock instrumental) e Cultivo (reggae), que consagraram os três ritmos dominantes no festival.

A noite começou embalada por duas canções típicas de MPB homenageando mulheres: “Tereza”, com Darlan Freitas, e “Cecília”, composição de Roberto Tonera dedicada à filha Cecília, de quatro anos, que estava na plateia para recebê-la.  Ambos mereceram torcida e aplausos, mas quem levantou o público de verdade foi “Voz do Coração”, canção dançante da Banda Habitantes de Zion, que se apresentou com toda a gestualidade e textualidade do reggae, dupla de dançarinas back vocal ao estilo Wailers e cantor com cabelo rastafári. “Vaga-lumes”, de Luciano Arnold, apresentou uma bonita canção romântica ao estilo anos 80 e “Inquietude”, com Caren Martins, apostou em um samba refinado. Lucas Quirino, ao violão, entrou em palco com orquestra de violino, violão, guitarra e percussão para cantar “Menino”, ao estilo MPB, com forte influência dos vencedores dos grandes festivais da década de 70.

Protesto amoroso

Ive Luna, cantora premiada da Banda Cravo da Terra, entrou com a poética “O Alguidar de Aguiar” e uma orquestra diversificada de instrumentos de sopro, corda e percussão. Já aclamada em outros concursos e nos palcos do Projeto 12:30, da UFSC, a Cravo da Terra fundamenta seu trabalho na pesquisa de ritmos tradicionais do sul sudeste e nordeste brasileiros com uma batida contemporânea. De calça branca, camisa vermelha e boné, ao estilo sambista carioca, Marcos Baltar também cantou sua musa D. Flor, no samba-canção “Jazmin”. A banda Top Groove, de Lages, apresentou a eletrizante “Groove Zone”, com Tiago Barte na guitarra provando que o rock ainda pode ser reinventado. O público dançou e ovacionou e a banda mostrou que há espaço sim para a música experimental.

“Impermanência”, da Banda Cultivo, que se originou no estado paulista em 2004 e há três anos ganhou os palcos da Ilha, foi incentivada por um público cativo que implorou pra ganhar o CD do grupo sorteado pela Secretaria de Cultura e Arte. Ângela Beatriz ficou e repetiu a canção, que pede um mundo mais norteado pela vida e menos pelo dinheiro. A letra, um protesto amoroso contra a arrogância do homem e a destruição da natureza, trouxe a nostalgia dos festivais em que a juventude não escondia seu desejo de mudança. Com uma dose de ousadia e talento, a inocência de quem busca valores mais verdadeiros e recusa a massificação da indústria cultural continuam tendo seu charme.

A Volta do Grupo Engenho

Mesmo aos 40, 50 anos, como é o caso da velha guarda do Grupo Engenho, essa chama de insatisfação e idealismo pode ser revivida. Foi com o espírito mergulhado em nostalgia e afeto histórico, que uma plateia de duas mil pessoas viu entrar no palco Marcelo Muniz (baixo, piano, bandolim, violão e voz); Chico Thives (bateria, percussão, violão, baixo e voz); Cláudio Frazê (percussão e voz), Cristaldo (sanfona e voz); Álisson Mota (violão, violão de 12 cordas, cavabandorango e voz), e em acréscimo, Rogério Guilherme e Manoela, no back vocal.

Antes de o grupo tocar pela primeira vez pra valer desde que a banda se separou, em 1984, Álisson, 57 anos, analista de sistemas, falou do propósito da banda de retornar com a mesma proposta que partiu: “Queremos cantar a cultura, a gente e a terra açorianas, contrapondo instrumentos modernos e arcaicos”. Para o grupo, que se formou nas festas e congressos estudantis, recebeu uma bolsa-cultura do DAC no final dos anos 70 para realizar seu trabalho de pesquisa musical, e se projetou a partir dos festivais universitários, voltar a tocar depois de duas décadas em um palco da UFSC assumiu um significado duplamente especial.

Com seu rock-baião ao mesmo tempo folclórico e universal, o velho Grupo Engenho fez a famosíssima canção “Barra da Lagoa” transformar a Praça da Cidadania em um grande forró. “Lua mansa” foi ouvida de olhos fechados pelos roqueiros coroas, para que o grupo está associado as suas lembranças mais afetivas dos tempos de universidade. A oportunidade de ver a banda original unida novamente e de ouvir Marcelo Muniz de cabelos brancos, fechando os olhos para segurar as lágrimas, ao cantar “Vejo teus olhos brilhando em cada estrela/ Flor da noite, espelho d’água, traços de iemanjá”, pareceu um milagre.  Como teria dito o poetinha, se estivesse vivo, todo “samba” universitário é uma forma de oração.

Fotos: http://facebook.com/festivaldemusicaufsc

Por:  Wandelli (jornalista, SeCarte)

Contatos: (48) 99110524 – 37219459

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MUSEU EM CURSO: Historiador Fernando Boppré conversa sobre produção cultural

27/08/2011 15:12

A oitava edição do Projeto Museu em Curso deste ano trará o historiador Fernando Boppré para conversar com o público sobre pesquisa nos museus e sua difusão na comunidade por meio de projetos culturais. No dia 31 de agosto, das 16 às 18 horas, no auditório do Museu Universitário, o cineasta, diretor de museu, produtor cultural e crítico de artes profere a palestra “Museu, Pesquisa e Produção Cultural”, com participação gratuita e aberta à comunidade.

Mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina, Boppré é chefe de Serviço do Museu Victor Meirelles/IBRAM/MinC. Desde 2007, coordena o Projeto Agenda Cultural da mesma instituição. Atualmente, exerce a presidência do Fundo Municipal de Cinema de Florianópolis (FUNCINE) e da Associação dos Amigos do Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, além de ser membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Florianópolis. Assina como diretor e roteirista os filmes: “Tem Drama na União” (2004), “Pequenos Desencontros” (2011) e do documentário “Ovonovelo” (em fase de finalização). É crítico e curador de artes visuais e mantém o blog Arte por Extenso desde 2006 (www.fernandoboppre.net/blog). Foi diretor do Museu Hassis, de Florianópolis (2005-2006) e integra o ICOM – Conselho Internacional de Museus.

Promovido pela Secretaria de Cultura e Arte e Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, em parceria com a Associação dos Amigos do M.U., o projeto “Museu em Curso” tem como objetivo promover a formação e discussão sobre temas relativos à memória e arquivos. A cada mês o projeto realizada uma palestra voltada para as diversas áreas da teoria e da prática museológica.  Os participantes receberão certificados.

Serviço:

O quê: Museu em curso, palestra com Fernando Boppré

Quando: 31 de agosto de 2011, das 16h às 18h

Onde: Auditório do Museu Universitário

Entrada franca

Informações: 48 3721-8604 begin_of_the_skype_highlighting 48 3721-8604 end_of_the_skype_highlighting ou 9325

e-mail: ufsc.mu.museologia@gmail.com

Final de semana tem II Festival de Música da UFSC!

26/08/2011 01:55

Foto do I Festival de Música A produção musical da Grande Florianópolis vai reinar neste final de semana no palco do campus universitário com a realização do II Festival de Música da UFSC. Aberto ao público e gratuito, o festival vai fazer ecoar na Praça da Cidadania a diversidade de ritmos e batidas de 20 composições próprias classificadas. Realizado pela Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, o Festival abre às 18 horas do sábado (27), com a apresentação de dez bandas selecionadas e ao final show da John Bala Jones. O evento prossegue no dia 28, novamente a partir das 18 horas, com mais dez músicos selecionados e apresentação histórica do Grupo Engenho.

 São quatro horas diárias de MPB, reggae, rock e samba. Desta vez os músicos investiram mais em ritmos atuais e populares entre a juventude e bem menos em experimentações com música instrumental, clássica ou medieval, que predominaram no festival passado. “Teremos uma mostra animadora da qualidade e diversidade da produção local”, anuncia a secretária de Cultura e Arte da UFSC Maria de Lourdes Borges. Várias bandas que participaram do evento anterior foram novamente classificadas pela qualidade e originalidade das composições. O coordenador do festival, o músico Marco Valente, que coordena também o Projeto 12:30, do Departamento Artístico Cultural da UFSC, destaca os trabalhos das banda Karibu, Somato, Cravo da Terra e Cultivo pela riqueza poética, construção harmônica, melódica e rítmica, criatividade e originalidade. Mas também espera ser surpreendido por outras bandas novas, cujo trabalho ainda não conhece. “A performance no palco faz muita diferença”, lembra o coordenador.

A segunda edição do Festival de Música da UFSC chega ampliada e melhorada. O número de inscritos que participou da seleção praticamente quadriplicou, qualificando ainda mais a seleção das músicas por uma comissão de cinco especialistas entre um total de 135 inscritas. Tecnicamente, a estrutura física e sonora também foi melhorada. Houve uma grande evolução técnica na qualidade dos equipamentos de sonorização, informa Valente. “Teremos o que existe de melhor em termos de estrutura e equipamentos, com telão de LED de alta definição e sistema flying PA (Public Áudio)”.

O palco para as bandas terá uma estrutura bem maior do que a de 2010, com uma área coberta de oito metros de largura. E o público, além da ampla área livre do campus, também poderá assistir ais show em uma área coberta de 12 metros de profundidade e 20 de largura em caso de chuvaForam alocados equipamentos de última geração tanto para transmissão quanto para captação de som e imagem visando à gravação de um CD e um DVD de qualidade profissional, como o lançado no dia 13 de julho com as composições classificadas no I Festival.

 Além da gravação, os músicos receberão troféus ao final do evento, que terá a apresentação e animação do locutor Guina. Na segunda, 22, o coordenador do evento e a equipe da SeCArte reuniram-se para acertar os detalhes técnicos com as duas bandas âncoras, que deverão tocar estritamente até as 22 horas, em respeito à legislação regulamentar de shows em áreas residenciais. A John Bala Jones, criada no final dos anos 90, que toca som pop, e o Grupo Engenho, que ficou famoso nos anos 70 e 80 com a produção de rock regional, foram escolhidas para valorizar o trabalho de música autoral na Grande Florianópolis, explica Valente. Vale dizer que pela primeira vez o grupo leva ao palco todos os integrantes desde a separação da banda.

 Em um novo contexto e de modo não competitivo, o evento recria o ambiente dos grandes festivais universitários que se projetaram como um espaço fundamental para o incentivo à produção musical e meio de contato entre o público e os artistas. “Queremos promover a formação de um público apreciador da música local e impulsionar o trabalho de novos músicos”, explica a secretária Maria de Lourdes Borges.

Acompanhe as informações sobre o festival no site www.secarte.ufsc.br ou pelo festivaldemúsica@facebook.com

 

II FESTIVAL DE MÚSICA DA UFSC – Programação

 

Apresentações do dia 27/08/2011 – Sábado

Ordem Músico / Banda
1 Entrando no País das Maravilhas – Banda Karibu
2 Não Esbarra – Banda Aislados
3 Kama – Taoana Padilha
4 Dominó – André Pacheco Henrique
5 Le Feu d’Amour – Banda Somato
6 Skalpelado – Banda Bergos
7 Discos do Roberto – Banda Supergrandes
8 Menino do Gueto – Banda Menino do Gueto
9 Ousada – Banda Zazueira
10 Esse Novo Disfraz – Nathalia Britos Gasparini

 

Apresentações do dia 28/08/2011 – Domingo

Ordem Músico / Banda
1 Tereza – Darlan Freitas
2 Cecília – Roberto Tonera
3 Voz do Coração – Banda Habitantes de Zion
4 Vaga-Lumes – Luciano Arnold
5 Inquietude – Caren Martins
6 Menino – Lucas Quirino
7 O Alguidar de Aguiar – Banda Cravo da Terra
8 Jazmim – Marcos Baltar
9 Groove Zone – Banda Top Groove
10 Impermanência – Banda Cultivo

 

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Raquel Wandelli (jornalista, SeCarte)

Contatos: (48) 99110524 – 37219459

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Violas que atravessam o mundo: Tuna de Medicina do Porto chega a Florianópolis

25/08/2011 23:41
 Florinópolis recebe, de 24 e 27 de agosto a música alegre e nostálgica do famoso concerto da Tuna Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade Dom Porto, de Portugal. Tuna é um agrupamento tradicional de rapazes que organizam concertos musicais usando instrumentos cordofones.  Diretamente de Portugal, a Tuna Acadêmica da Faculdade de Medicina do Porto se apresenta no dia 24, às 18 horas, no Largo da Alfândega e no dia 25, às 12h30min, na escadaria do Departamento de Cultura e Eventos da UFSC.
Vestidos de terno preto, os 25 jovens “tunos”, como eles mesmos se denominam, percorrem há uma década países da Europa, Américas, Ásia com seu repertório “inspirado nos vibrantes e saudosos anos trinta, quarenta e cinqüenta”. Organizações encorajadas pelo ideário romântico europeu, com origens na segunda metade do século XIX, as tunas se formaram em torno de diversas expressões artísticas, reunindo grupos populares ou estudantis. A Tuna do Porto traduz a consciência musical coletiva de um grupo heterogêneo e multicultural de jovens estudantes de Medicina.
Fundado em 1991, o grupo já lançou três CDs e se apresentou em mais de 30 países (incluindo o Brasil, em 1999 e 2005). Mais quatro apresentações estão previstas em Santa Catarina: no dia 25, às 19h30, na Cantina Sangiovese, em Santo Antônio de Lisboa; no dia 26, às 12 horas, no restaurante Sobrália, na Trindade e às 20 horas, no Parapizza Net, em Ingleses. No dia 27, o concerto estará em Itajaí. A visita da Tuna a Santa Catarina esta sendo organizada pelo Núcleo de Estudos Açorianos da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, Consulado de Portugal, Associação Lusa Brasileira e Casa dos Açores.
“As fronteiras da nossa querida cidade e do nosso amado país se tornam demasiado claustrofóbicas e castradoras, levando-nos a percorrer, frenética e constantemente, fronteira após fronteira, ao sabor do vento, levados pela maré, escondidos pelo luar, espalhando a nossa música”, diz o panfleto do grupo.

Programação de Cultura e Arte pública e gratuita

12/08/2011 15:02
A Secretaria de Cultura e Arte publica a quinta edição da sua Agenda Cult, contendo
ampla programação a ser realizada pela UFSC nos meses de agosto e setembro. Em
quase sua totalidade, os espetáculos, palestras, oficinas e apresentações são
gratuitos e abertos ao público. Pedimos dar ampla divulgação a todos os servidores,
professores e funcionários da UFSC, bem como a toda comunidade externa.
obrigada e boa pauta cultural!
SeCarte
“A Era da Arte na
UFSC”
Agenda Cult
Coordenação e edição: Raquel Wandelli/SeCArte
Editora-assistente: Bárbara Danielle/SeCArte
Apoio: Clóvis Werner/DAC e Agecom
Informações para a agenda: passaportecultural2@gmail.com

Mulheres fazem cortejo no Largo da Catedral em protesto contra violência

04/08/2011 09:57

http://www.flickr.com/photos/didacenicas/sets/72157626379875254/ LINK PARA AS FOTOS

Cortejo da tristeza realizado em novembro de 2010

Mulheres marchando pelo centro da cidade sob o estampido seco dos tambores, de cabeças baixas, mudas, carregando andores de imagens de vítimas da violência de gênero.  Com esse cortejo silencioso e triste, que simula o comportamento acuado comum às mulheres que sofrem agressão, um grupo de 30 estudantes da UFSC e Udesc, professores, militantes, donas de casas e profissionais de todas as áreas quer chamar a atenção para o principal problema de saúde do mundo: a violência sexual. Lideradas pela aluna do Curso de Artes Cênicas da UFSC, Ilze Eliane Körting, elas realizam às 17h15min de sexta-feira (5), na semana que marca cinco anos da promulgação da Lei Maria da Penha, no Largo da Catedral, em Florianópolis, a terceira performance do Projeto “5760 Diante dos olhos de Deus”, que tem como principal bandeira de luta a reivindicação de uma casa de abrigo mulheres agredidas ou ameaçadas.

O número 5760 faz alusão à quantidade de mulheres que sofrem violência em um dia no Brasil. E também corresponde à quantidade de imagens femininas que as manifestantes vão empunhar durante seu silencioso protesto ao rufar dos tambores do grupo de Taikô Shimadaiko. O Taikô faz música de celebração japonesa para que mensagens possam ser ouvidas e para evocar coragem. Durante todo o mês de férias, elas se reuniram em uma sala da UFSC, onde montaram um QG para confeccionar o gigantesco varal de rostos machucados com o qual buscam dar visibilidade às vítimas.  São 480 varais que perfazem o comprimento de mais de dois quilômetros. As faces foram reproduzidas uma a uma em moldes de raios-X sob tecido e pintadas em aquarela.

A performance mostra a conta que ninguém faz da violência diária contra a mulher (veja box), que normalmente é doméstica mas se estende para a escola, trabalho, espaços públicos. “Queremos que a sociedade faça reflexão a respeito e que as pessoas percebam a urgência de uma casa-abrigo em Florianópolis, assim como em outros municípios em Santa Catarina”. Pela lei, cada cidade com 50 mil habitantes deveria ter ao menos um lugar para proteção dessas mulheres.

Durante a semana, as manifestantes vão entregar panfletos que falam a respeito da questão, além de informar a população como acessar a AL e a Câmara de Vereadores para cobrar a criação da casa-abrigo na capital. Ilze explica que o grupo fará um cortejo no centro da cidade, em total silêncio, de olhos baixos, sem contato visual, pois é assim a postura das mulheres que acabam de ser agredidas. “Além de vergonha, se sentem culpadas, porque a sociedade sempre responsabiliza as mulheres por tudo”. Uma delas estará de burka, lembrando que a brasileira usa uma burka simbólica, “que já está dentro dela”.

Formada em Ciências Sociais pela UFSC e estudante de sétima fase de Cênicas, Ilze Eliane Körting, ela própria uma ex-vítima de agressão, criou o Projeto 5760 em novembro do ano passado, quando realizou a primeira performance, repetida no Dia Internacional da Mulher, em março passado. A iniciativa integra o Grupo de Pesquisa em Artes Cênicas e Tecnologia da UFSC (PACT), coordenado pelo professor Rodrigo Garcez, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e Associação Nipo Catarinense e pode ser acompanhada pelo blog: www.projeto5760.blogspot.com. Em dezembro, o cortejo deverá ser levado a Brasília.

UM ABRIGO CONTRA OS NÚMEROS DA VIOLÊNCIA

Em 10 anos, 41532 mulheres foram assassinadas no Brasil. O Censo da Previdência Social mostrou que entre mulheres de 16 a 44 anos a principal causa de LER e de lesões irreversíveis e graves com deformação física ou mental é a violência doméstica.  Em 24 horas, 3.600 mulheres são agredidas, resultando em 10 a 12 óbitos em média e a cada dois minutos cinco sofrem agressões físicas. A cada 15 segundos uma mulher sofrer uma agressão e 230 em uma hora. No final do dia são 5760. Morrem por dia 10 a 12 mulheres no Brasil por essa causa. Não entram nas estatísticas as mulheres que desaparecem nem as que se matam.

Em SC, 58 mulheres foram assassinadas em 2010 e para garantir a segurança só existem quatro casas de abrigo em 293 municípios do Estado em Joinville, Blumenau, Camboriú e São José. No ano passado, o 6º. DP registrou 5760 agressões e 5760 B.O. em Florianópolis. O Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa revelou que 772 idosas se encontravam em situação de violência no ano passado, só em Florianópolis, Mesmo com uma incidência altíssima de situação de risco para mulheres dentro do lar, a Capital não tem um abrigo.

Divulgação: Raquel Wandelli: 99110524 e 37219459

(Para solicitar fotos em boa resolução dos preparativos para a performance)

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Ilze Körting: 84723850

Mostra de filmes na Lagoa discute homofobia e desigualdade social

27/07/2011 09:08

As relações entre discriminação sexual e desigualdades sociais desafiam as políticas públicas no Brasil e estão no centro dos debates dos estudos de gênero e identidade. Nos dias 2 e 3 de agosto, na Casa das Máquinas, na Lagoa da Conceição, o Curso de Antropologia da UFSC promove, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte, a “Mostra Audiovisual Homossexualidades, Racismo, Educação e Violências: a obra de Vagner de Almeida”. O evento parte da obra cinematográfica do teórico e ativista político Vagner de Almeida, que estará presente, para provocar discussões sobre cidadania e igualdade de gênero.

Vagner de Almeida estará presente no evento

O evento quer mostrar como as relações permeadas pelo racismo e homofobia produzem miséria social. “A desigualdade social precisa ser vista em sua complexidade como um problema que perpassa não só a classe, mas também a raça e o gênero”, lembra Miriam Grossi, coordenadora do Núcleo de Identidade de Gênero e Subjetividades da UFSC, que soma esforços a duas outras entidades de pesquisa na organização do evento: o Núcleo de Antropologia Audiovisual (Carmen Rial) e Estudos da Imagem e o Núcleo de Estudos sobre Identidades e Relações Interétnicas (Ilka Boaventura Santos).  “Os sujeitos têm marcas no corpo que produzem desigualdades”, anota Felipe Bruno Martins Fernandes, doutorando do Curso Interdisciplinar em Ciências Humanas, um dos organizadores da Mostra.

A atividade antecede o reinício das aulas nas universidades e a Primeira Conferência Municipal Lésbicas Gays Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBTTT) em Florianópolis,  marcada para o dia 23 de agosto, a partir das 8h30min, no auditório da Câmara de Vereadores. Funcionará

Parada Gay

como uma espécie de preparação para os delegados desse fórum, que seguirão para a etapa estadual, ainda sem data, e para a nacional, já convocada pela presidente Dilma Rousself para dezembro, em torno de dois eixos: combate à miséria e à discriminação. O objetivo da etapa municipal é definir um consenso sobre o que se quer para Florianópolis em relação à promoção da cidadania e da diversidade de gênero. “Optamos por fazer um evento de férias que discuta questões como violência sexual, feminismo, identidade, que faça teoria e política e ao mesmo tempo divirta com o

Teórico e ativista gay, o documentarista apresenta uma obra sobre a violência sexual

colorido e a alegria da pluralidade”, diz Fernandes. A participação na mostra é gratuita, a exibição dos filmes é seguida de debates e da promoção de lanches. Os interessados devem retirar os ingressos no local, uma hora antes das exibições.

Vagner de Almeida, o cineasta e documentarista homenageado, coordenou o Projeto Juventude e Diversidade Sexual e atualmente coordena trabalho com população da Terceira Idade na Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), no Rio de Janeiro. Diretor de filmes e teatro, ativista, escritor, ator e crítico de teatro, seu trabalho está focado em gênero e sexualidade, HIV/AIDS, e a relação entre exclusão social, saúde e doença. Atualmente integra o Program on Gender, Sexuality and Sexual Health in Latino Communities and Cultures, no Center for the Study of Culture, Politics and Health dirigido pelo pesquisador Richard Parker da Columbia University (New York/EUA).

Informações:

  • Felipe: complex.lipe@gmail.com ou telefones: (48) 33047564 ou (48) 96199881
  • Vagner de Almeida: (21) 25429024 ou   (21) 81070109 – vagner.de.almeida@gmail.com – www.vagnerdealmeida.com
  • Miriam Pillar Grossi:  (48) 91 31 55 90      .

http://mostravagnerdealmeida.wordpress.com

Divulgação: Raquel Wandelli, assessora de comunicação social da SeCArte

Fones: 37219459 e 99110524

raquelwandelli@yahoo.com.br

Filmes da Mostra

Dando a volta por cima: uma história coletiva

9min | 2008

Esse documento apresenta de forma cronológica os materiais de prevenção para homossexuais HSH, travestis e lésbicas, produzidos pelo governo e por organizações da sociedade civil organizada entre os anos 1980 e 2000. O material faz ainda uma homenagem a líderes comunitários já falecidos que se dedicaram à prevenção do HIV/AIDS na comunidade LGBT brasileira.

Produção: ABIA (Rio de Janeiro, RJ)

Janaína Dutra – Uma Dama de Ferro

50min | 2011

Em fevereiro de 2004 falecia em Fortaleza, aos 43 anos de idade, a advogada Janaína Dutra Sampaio. O movimento da diversidade sexual brasileiro perdia uma de suas ativistas mais importantes, instalando-se um grande vazio. Este filme conta a história de vida e luta política de Janaína Dutra. Amigos, amigas e familiares relembram fatos e momentos da vida de alguém, que com muita coragem e sabedoria, soube mobilizar resistência e a luta das travestis por seus direitos humanos.

Produção: GRAB – Grupo de Resistência Asa Branca (Fortaleza, CE)

Sexualidade e Crimes de Ódio

27min | 2008

Este documentário busca ser uma forma de protesto diante da extrema brutalidade cometida contra os homossexuais no Brasil. Crimes de ódio, oriundos de diferentes segmentos da sociedade. Para o diretor do filme, a igreja católica e os grupos evangélicos radicais são co-responsáveis pelo crescimento da intolerância ao lutarem contra os direitos civis das minorias sexuais. Em uma sociedade onde predominam  os valores machistas, religiosos e moralistas contra a comunidade GLBT, a ausência de direitos já levou a morte a milhares de cidadãos(ãs) brasileiros.

Produção: Vagner de Almeida e Richard Parker

Basta um Dia

55min | 2006

O filme documentário “Basta um dia” aborda a vida de brasileiros e brasileiras que, entre a coragem e o medo, tentam, muitas vezes sem sucesso, sobreviver à dura realidade de violências impostas ao seu cotidiano. São travestis, homossexuais, bichas boys, monas, gays, enfim, habitantes da Baixada Fluminense que enfrentam o preconceito, a agressão física e a morte física e social nas margens da rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre a duas maiores e mais ricas metrópoles do país, Rio de Janeiro e São Paulo.

Produção: ABIA (Rio de Janeiro, RJ)

Escola Sem Homofobia

18min | 2006

Vídeo educativo centrado nas oficinas realizadas com professores da Rede Pública de Ensino de Nova Iguaçu e Duque de Caxias sobre a temática da homossexualidade nas escolas. Mostra como a vivência na escola pode ser um caminho para o exercício da cidadania plena e um ambiente de respeito à diversidade sexual. Essas oficinas fizeram parte do projeto Escola sem Homofobia: trabalhando a diversidade sexual com professores da Rede Pública de Ensino de Nova Iguaçu e Duque de Caxias que a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), em parceria com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade – Ministério da Educação (Secad/MEC), a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro e as Secretarias Municipais de Educação de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, realizou com os professores de 5ª a 8ª séries do ensino fundamental.

Produção: ABIA (Rio de Janeiro, RJ)

I Encontro Nacional de Jovens Gays e outros HSH – Prevenção, Solidariedade e Ativismo em HIV/Aids

30min | 2010

Este documentário é direcionando para uma audiência ampla, tais quais jovens de diferentes classes sociais e etnia, educadores, familiares e outras pessoas que estão envolvidas diretamente com população jovem no Brasil e no mundo.

Produção: GRAB (Fortaleza, CE)

Ritos e Ditos de Jovens Gays

43min | 2002

Ritos e Ditos de Jovens Gays nos oferece uma tela viva que desvenda a vivência do jovem homossexual em tempos de AIDS – o seu sofrimento e a sua alegria, as suas angústias e os seus sonhos. O vídeo fala com as palavras dos jovens, sobre as suas experiências e as suas vidas, e, acima de tudo, sobre a sua coragem em enfrentar com dignidade e honestidade uma sociedade tantas vezes injusta e opressiva.

Produção: ABIA (Rio de Janeiro, RJ)

Cabaret Prevenção

20min | 1995

Fruto da Oficina de Teatro Expressionista, desenvolvida pelo Projeto Homossexualidades, o vídeo registra o espetáculo que procurou levar para o palco, de maneira bem-humorada e ao mesmo tempo reflexiva, a realidade cotidiana homossexual e o impacto da epidemia da AIDS, através de textos escritos, encenados e produzidos pelos próprios participantes da Oficina.

Produção: ABIA (Rio de Janeiro, RJ)

38min | 2004

O filme “Borboletas da Vida” desvenda a realidade dos jovens homossexuais que vivem na periferia das grandes cidades, sofrendo os efeitos da pobreza e da miséria, sem perder sua dignidade, sua criatividade… Homossexuais, transformistas, borboletas da vida real brasileira… eles/elas “carregam, a mulher na bolsa”, experimentam com as possibilidades e os limites do gênero e da sexualidade, e enfrentam a discriminação com força, coragem, e determinação…

Produção: ABIA (Rio de Janeiro, RJ)

Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica

45min | 2009

Documentário que trata da vida de mulheres brasileiras e seus enfrentamentos na sociedade lesbofóbica e racista. Mulheres essas, que ainda vivem a margem da sociedade e necessitam com muita força e coragem desvendar-se todos os dias.

Produção: Vagner de Almeida

Programação: panfleto_vagner_almeidabaixaresolucao

Abertura – 02/08/2011 | 17h-18h

Mesa de Abertura – Neste momento será projetado o

filme “Dando a volta por cima: uma história coletiva“

Sessão de Abertura – 02/08/2011 | 18h

Janaína Dutra: uma Dama de Ferro

Com presença do diretor Vagner de Almeida

Debatedor@s: Felipe Bruno Martins Fernandes (NIGS/

UFSC) e Kelly Vieira (ADEH)

19h – Coquetel

Sessão 01 – 02/08/2011 | 19h30min-21h30min

Homofobia e Intolerância Religiosa

Projeção dos filmes: “Sexualidade e Crimes de Ódio” e

“Basta um dia“

Coordenador: Fabrício Lima (ROMA)

Debatedor@s: Profa. Miriam Pillar Grossi (NIGS/

UFSC); Profa. Maria Regina Lisbôa (PPGAS/UFSC)

Sessão 02 – 03/08/2011 | 15h-17h30min

Juventudes e Educação

Projeção dos filmes: “Escola Sem Homofobia“, “I

Encontro Nacional de Jovens Gays e Outros HSH” e

“Ritos e Ditos de Jovens Gays“

Coordenadora: Tânia Welter (PIBIC-Ensino Médio-

CNPq/Papo Sério/NIGS/UFSC)

Debatedor@s: Mareli Eliane Graupe (NIGS/UFSC) e

Representante do Comitê Escola Sem Homofobia

Sessão 03 – 03/08/2011 | 18h-20h

Identidades

Projeção dos Filmes: “Cabaret Prevenção” e

“Borboletas da Vida“

Coordenadora: Mônica Siqueira (NAVI/UFSC)

Debatedor@s: Profa. Ilka Boaventura Leite (NUER/

UFSC); Profa. Antonella Tassinari (NEPI/UFSC)

Sessão 04 – 03/08/2011 | 20h30min-22h

Lesbianidades

Projeção do Filme: “Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou

Lésbica“

Coordenadora: Maria Guilhermina Cunha Salasário

(ADEH)

Debatedor@s: Profa. Mara Coelho de Souza Lago

(MARGENS/UFSC); Profa. Jimena Furlani (LABGEF/

FAED/UDESC)

Divulgados os participantes do II Festival de Música da UFSC

14/07/2011 10:10

Foram selecionados:

1. O Alguidar de Aguiar – Banda Cravo da Terra
2. Vaga-Lumes – Luciano Arnold
3. Entrando no País das Maravilhas – Banda Karibu
4. Jazmim – Marcos Baltar
5. Inquietude – Caren Martins
6. Tereza – Darlan Freitas
7. Skalpelado – Banda Bergos
8. Cecília – Roberto Tonera
9. Ousada – Banda Zazueira
10. Dominó – André Pacheco Henrique
11. Kama – Taoana Padilha
12. Esse Novo Disfraz – Nathalia Britos Gasparini
13. Le Feu d’Amour – Banda Somato
14. Impermanência – Kristian Korus
15. Discos do Roberto – Banda Supergrandes
16. Groove Zone – Banda Top Groove
17. Menino do Gueto – Banda Menino do Gueto
18. Voz do Coração – Banda Habitantes de Zion
19. Menino – Lucas Quirino
20. Não Esbarra – Banda Aislados

Setembro estreia no final de semana levando ao palco o gosto da guerra

28/06/2011 11:27

Com estreia nos dias 2 e 3 de julho, espetáculo propõe reflexão artística sobre a biopolítica contra o terror

Quando a vida no Planeta é impactada por acontecimentos da repercussão dos que envolveram a guerra entre o mundo islâmico e os Estados Unidos o palco da arte não pode ser outro se não o da própria história. Dos jornais para os bancos universitários, da literatura para o cinema, a reflexão sobre o 11 de Setembro será levada agora ao teatro pelo Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina. Setembro estreia nos dias 2 e 3 de julho, às 20 horas, no Teatro da UFSC, dentro do Projeto Primeiro Ato, da Secretaria de Cultura e Arte, com a proposta de criar um espaço poético e sensível para atores e públicos encenarem as causas e conseqüências do evento biopolítico mais marcante do terceiro milênio.

Fruto de quatro meses de pesquisa e trabalho de alunos de sétima fase da disciplina Projeto de Montagem, a peça se propõe a discutir a experiência humana a partir dos eventos eclodidos em 11 de setembro de 2001, que neste ano completam uma década. O projeto partiu da ideia de constituir um fórum artístico e intelectual para a discussão desses episódios que deixaram marcas visíveis na vida cotidiana, alterando tanto as relações geopolíticas quanto as relações interpessoais no mundo, como explica o coordenador do Curso de Artes Cênicas, Fábio Salvatti.

Orientada e dirigida por Salvatti (direção geral) e pelos professores Gerson Praxedes (co-direção) e Luiz Fernando Pereira (direção de arte), uma equipe integrada por 21 alunos iniciou os ensaios no dia 14 de março. O espetáculo encena um olhar sobre a experiência humana nestes dez anos que nos separam dos eventos do dia 11, a partir da percepção de que os atentados do dia 11 de Setembro inauguraram um novo sistema geopolítico no século XXI. A Guerra contra o Terror que se seguiu a partir daí tem pautado as relações interpessoais, internacionais e interculturais dos indivíduos e nações, analisa o diretor. “A discussão que propomos não pretende ser dogmática ou fundamentada em uma tese a ser defendida, mas, antes, oferecer um campo sensível de reflexões atravessado por memórias individuais e políticas”, sublinha Salvatti.

Para alcançar esse espaço de dramaturgia em processo, Setembro não parte de um texto preexistente à cena. Busca construir uma enunciação dramática do tempo presente, valendo-se de recursos inovadores, como provocar respostas no elenco a partir de estímulos dados pela direção da peça. Alguns desses estímulos são conceitos ou partes de ensaios de pensadores como Eric Hobsbawm, Noam Chomsky, Susan Faludi, John Gray, Sam Harris, Giorgio Agamben, Antonio Negri. Outros são recortes de jornais, fragmentos de discursos de autoridades, documentos oficiais, etc. Além dos fragmentos textuais, a peça explora obras audiovisuais alusivas ao acontecimento, como os documentários Farenheit 911, Zeitgeist, Loose Change, e também várias referências musicais como Eumir Deodato, Nick Drake, Zbigniew Preisner, dentre outras.

As conseqüências desse acontecimento são visíveis na normalização dos instrumentos de vigilância da sociedade de controle, na suspensão dos direitos civis levadas a cabo no Ato Patriótico nos Estados Unidos, ou mesmo na invasão militar e execução sumária de acusados de terrorismo em inúmeros países. Um verdadeiro estado de exceção transnacional estabeleceu-se, no qual se ignoram as soberanias nacionais ou as convenções humanitárias. “Campanhas de delação afixadas em cartazes nos principais centros urbanos dos países desenvolvidos, flagrantes abusos contra os direitos humanos, intolerância religiosa, disseminação da xenofobia: o mundo deste novo milênio está, decididamente, marcado pelas cicatrizes de um conflito biopolítico”, diz o argumento da peça.

Uma das primeiras grandes produções do Curso de Artes Cênicas, criado em 2008, o espetáculo integra-se aos propósitos da disciplina, que visa à concretização de um projeto artístico de engajamento coletivo. Com a primeira turma se formando em 2011, o curso proporciona, com esse projeto, a oportunidade de os alunos aplicarem as aptidões desenvolvidas ao longo do curso nas diferentes funções teatrais. como anota a secretária de Cultura e Arte da UFSC, Maria de Lourdes Borges.

Aberta ao público, a peça foi produzida pela Expresso Produções, com recursos da SeCArte e apoio do Departamento Artístico Cultural, Departamento de Libras e Centro de Comunicação e Expressão. Os ingressos, gratuitos, devem ser retirados no Teatro da UFSC, ao lado da Igrejinha, uma hora antes do espetáculo.

serviço:

Setembro

Direção: Fabio Salvatti (37216801)

Codireção: Gerson Praxedes

Direção de arte: Luiz Fernando Pereira (LF)

elenco: Araeliz, Bárbara Danielli, Betinho Chaves, Carlos Silva, Célio Alves, Claudinei Sevignani, Elise Schmiegelow, Emanuelle Antoniollo, Gabriel Guedert, Gustavo Bieberbach, Ilze Körting, Janine Fritzen, Malu Leite, Paula Dias, Rafaela Samartino, Ricardo Goulart, Rodrigo Carrazoni, Tainá Orsi, Tamara Hass, Thaís Penteado, Vera Lúcia de Azevedo Ferreira, Wellington Bauer

iluminação: Gabriel Guedert

cenário e figurino: Malu Leite

cenotécnico: Edson

costureira: Iraci

vídeos: Fabiane de Souza

fotografia: Larissa Nowak

pesquisa de trilha sonora: Fabio Salvatti

programação visual: Fabio Salvatti e Wellington Bauer

Apresentações: 2 e 3 de julho (sábado e domingo)

Horário: 20 horas

Local: Teatro da UFSC (ao lado da Igrejinha)

Entrada franca – retirar ingresso uma hora antes do espetáculo

Realização: alunos da 7ª fase do curso de Artes Cênicas da UFSC

Patrocínio: SeCArte/UFSC (Secretaria de Cultura e Artes da UFSC)

Apoio: CCE – DALi – DAC/UFSC

Produção: Expresso Produções

Raquel Wandelli

Jornalista da SeCArte/UFSC

99110524 e 37219459

www.secarte.ufsc.br

Governo dos Açores e UFSC discutem pauta de acordos culturais

16/06/2011 16:10

Intercâmbios profissionais, parcerias e acordos entre a Universidade Federal de Santa Catarina e Açores ficaram acertados a partir da primeira visita oficial da diretora regional das Comunidades do Governo de Açores Maria da Graça Castanho nesta semana ao Brasil e a Florianópolis. Empossada em dezembro passado no cargo que equivale ao de ministro de Estado, Castanho esteve na Capital nos dias 14 e 15, em uma promoção do Núcleo de Estudos Açorianos da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC em celebração ao Dia de Portugal e de Camões, comemorado em 10 de junho.

Responsável pelos acordos culturais com comunidades açorianas de todo mundo, além do cuidado com repatriados, imigrantes e emigrantes dos Açores, a diretora apresentou as novas diretrizes da presidência da Região Autônoma dos Açores pela primeira vez no Brasil. Em encontro com o vice-reitor da UFSC Carlos Alberto Justus e com pesquisadores da equipe do NEA, Castanho anunciou os projetos que deverá implantar na área de turismo para jovens e pessoas de Terceira Idade, incluindo concursos na área literária e jornalismo.

Para o próximo ano, estão previstos vários intercâmbios entre profissionais de diversas áreas que possam levar o modo de ser e de viver da gente do litoral catarinense para as escolas, sindicatos e comunidades. A ideia é não se restringir a pesquisadores nem aos ambientes acadêmicos, segundo Castanho, que já esteve no Canadá e no Havaí levando suas propostas. Convidado oficialmente a visitar os Açores, o vice-reitor falou sobre o trabalho do NEA na valorização da cultura açoriana. “Preservar o legado dessa cultura em Santa Catarina é preservar a qualidade de vida caracterizada pela tranquilidade do homem do nosso litoral”, destacou.

A partir das novas parcerias serão organizados voos especiais para facilitar a viagem de catarinenses para Açores. Em reunião com a produção do filme A Antropóloga  foi alinhavada ainda a viagem do diretor do, Zeca Nunes Pires, com a atriz principal Larissa Bracher e outro membro da direção técnica para exibir a obra nas três maiores ilhas do arquipélago dos Açores, seguida de debate com jornalistas e escolas.

Segundo o coordenador do Núcleo, Joi Cletison, que acompanhou toda a agenda da diretora em Florianópolis, hoje o litoral de Santa Catarina conhece mais os Açores do que o contrário. Depois de Florianópolis, Castanho completou sua visita técnica ao Sul do Brasil na Casa dos Açores do Rio Grande do Sul. Antes de vir ao Sul, esteve nas Casas dos Açores do Rio de Janeiro, São Paulo.
Castanho também teve reunião com a equipe digital do NEA responsável pela criação e manutenção do Portal das Comunidades, que publica artigos e fotografias sobre cultura açoriana, aberto a todas as comunidades do mundo e de modo colaborativo.

A visita do dia 14 encerrou com a participação da diretora na abertura da mesa redonda Conversas sobre os Portugueses, que iniciou às 19 horas e foi até quase 22 horas no Palácio Cruz e Sousa, com a participação de cerca de cem pessoas. No evento, promovido pelo Nea em parceria com a Fundação Catarinense de Cultura no Museu Histórico de Santa Catarina, o arquiteto Roberto Tonera, coordenador dos projetos Conservação e Restauração das Fortalezas e Fortalezas Multimídia falou sobre a consolidação do Brasil com a construção do sistema de fortificações. 

Já o historiador João Lupi, professor do Curso de Filosofia da UFSC, fez uma abordagem antropológica e poética sobre o que identifica, em termos comportamentais, o modo de ser português em Portugal e no sul do Brasil. Com a vivência de um cônsul honorário, falou do comportamento discreto, desconfiado no primeiro momento e depois amigo do açoriano dentro da temática “O português que não se vê, mas se ouve e sente”.
Assuntos como a instalação dos portugueses em Santa Catarina, as vicissitudes de Portugal, a diversidade da emigração para o Brasil e a herança deixada pelo povo português também fizeram parte das discussões. E continuam abertas no Museu Histórico até o dia 15 de julho as exposições “Os Portugueses na Ilha de Santa Catarina” e “Fortalezas da Ilha de Santa Catarina” para quem quiser conhecer mais de perto a força dessa herança.
 
Maiores informações: Joi Cletison – 3721.8605 ou 3028.8091
Raquel Wandelli
Assessora de Comunicação da SeCArte/UFSC
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