Museu Universitário recebe recursos para modernização

14/12/2011 17:43


O projeto “Modernização dos Espaços Museais”, elaborado pelo Museu Universitário, foi aprovado no Edital de Modernização do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) deste final de ano. A partir do primeiro semestre de 2012, de aproximadamente R$ 183.000,00 serão investidos na modernização e ampliação das reservas técnicas do acervo do museu. Uma equipe formada por três profissionais, sendo uma museóloga, uma restauradora, uma arquivista e cinco bolsistas ficará responsável pela organização dos objetos.

Chamados de “reservas técnicas”, os três espaços de guarda de acervo do Museu Universitário têm acesso restrito e controlado. Neles, os objetos do acervo são, depois de submetidos a uma série de procedimentos, finalmente armazenados em locais específicos. Com os recursos do projeto, uma sala será anexada para ampliar os espaços das reservas técnicas I e II.

“Os objetos de maneira geral têm uma sobrevida limitada, o que fazemos em um museu é garantir a longevidade dos objetos, com medidas que tratam de subtrair os fatores de deterioração”, explica Cristina Castellano, diretora da Divisão de Museologia do museu. As medidas vão desde temperatura e umidade constante, dedetização e desinfecção dos objetos com manipulação adequada, higienização dos espaços e dos objetos e documentação adequada até a colocação de portas corta-fogo nas reservas técnicas, fechamento de janelas e melhorias nos sistemas de segurança.

 

Matheus Moreira Moraes

Estagiário de Jornalismo na SeCArte

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Raquel Wandelli

Jornalista da UFSC na SeCArte

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Em livro inédito no Brasil, Bourdieu desnuda “racismo da inteligência”

07/12/2011 16:17

Considerado um teórico pessimista das instituições sociais, o sociólogo Pierre Bourdieu nem por isso é menos essencial. Reconhecido também pela densidade e coerência de seu pensamento, oferece uma leitura obrigatória para compreender os mecanismos pelos quais as instituições culturais e políticas operam a exclusão dos não eleitos, sobretudo a instituição da qual faz parte como crítico ferrenho e lúcido: a academia. Homo academicus, que a Editora UFSC acaba de lançar com tradução para língua portuguesa pela primeira vez, está sendo aguardado como a obra que mais exerce a reflexão sobre a violência do poder simbólico do “universo universitário”.

Traduzido do francês pelos professores do Centro de Ciências da Educação da UFSC Ione Ribeiro Valle e Nilton Valle, pela primeira vez em língua portuguesa, Homo academicus é considerado por esses especialistas a obra-prima de Bourdieu. Nela, o sociólogo e filósofo francês questiona profundamente o poder classificatório e autorregulador dos intelectuais, expresso no título do capítulo: “O hit parade dos intelectuais franceses ou quem julgará a legitimidade dos examinadores?”. Crítico consistente das estruturas capitalistas de poder, Bourdieu faleceu em 2002, deixando uma vasta obra com pelo menos 25 livros publicados no Brasil.

A maior parte desses livros é leitura obrigatória na área de humanas. Entre eles foram traduzidos para o português os famosos O poder simbólico (1992) e O que falar quer dizer: a economia das trocas simbólicas (1998), que tratam sobre como o uso da linguagem e da retórica sustenta fronteiras hierárquicas e estratificações sociais. O teórico também abordou a questão do poder entre os gêneros na aclamada obra A dominação masculina (1999). Em Sobre a Televisão (1997),muito citado nos cursos de comunicação e ciência política, o teórico analisa a autocensura e a simplificação do conhecimento pela sua própria classe de intelectuais, que pactuam com os veículos de massa para que possa acontecer a divulgação do saber científico de um modo controlado e banalizado.

Mas é desnudando a opressão dos sistemas de ensino e sua face mais perversa na eliminação das classes desfavorecidas que Bourdieu alcança ampla e imediata repercussão no Brasil. Lançado na França em 1984, Homo academicus integra uma série de quatro livros em que o sociólogo elabora sua complexa teoria sobre os mecanismos escolares de exclusão dos desfavorecidos e eleição dos que ele chama de “herdeiros da academia”, impondo uma “aristocracia de méritos” dissimulada. Processo que Homo academicus demonstra não apenas com argumentos teóricos, mas com amplas pesquisas estatísticas e quadros baseados no cruzamento de indicadores como

capital de notoriedade intelectual, de prestígio científico e de poder universitário com indicadores de poder político, social e econômico herdado ou adquirido.

A obra compõe uma importante tetralogia sobre a dominação escolar ao lado de Les héritiers (Os herdeiros, publicado na França em 1964); A reprodução (1974), escrita em parceria com Jean-Claude Passeron e única da série com tradução no Brasil antes de Homo academicus, e La noblesse d´Êtat (A nobreza do Estado, 1989). Nesse edifício teórico que disseca o pensamento científico como um campo de poder, a educação aparece como instauradora de uma cultura escolar que inculca nos indivíduos um pensamento discriminatório com fortes implicações nas sociedades contemporâneas. Melhor se compreende a radicalidade do pensamento de Bourdieu inserindo-a no calor das tensões que resultaram nos grandes movimentos estudantis contra o autoritarismo das universidades francesas dos anos 60, contexto no qual e contra o qual a obra se insurge.

Bourdieu põe a nu os mecanismos pedagógicos pelos quais a escola efetua um verdadeiro regime de exceção onde o pertencimento a instituições universitárias de grande prestígio social instaura uma superioridade metafísica do indivíduo acadêmico que ele chama de “milagre da eficácia simbólica”. Mostra ainda que a escola é o lugar por excelência da transmissão de uma “lógica secreta”, marcada pela violência simbólica que disfarça seu fundamento “profano” e sua finalidade real de reprodução da sociedade de classes, como esclarece a pedagoga e tradutora Ione Valle, no alentado prefácio a Homo academicus.

– Assim como a “nobreza militar”, a “nobreza escolar” aparece como um conjunto de indivíduos de essência superior, pois, ao selecionar aqueles que a escola designa como mais bem dotados, estabelece-se uma hierarquia no interior das classes juridicamente instituída pelo veredicto escolar, que legitima uma espécie de “racismo da inteligência”, explica a prefaciadora.

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

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Editora UFSC encerra 2011com três grandes lançamentos

07/12/2011 16:12

A Editora UFSC chega a dezembro com três grandes lançamentos encerrando o ano. Um deles é o aguardado livro Homo Academicus, de Pierre Bourdieu, um dos maiores intelectuais do século XX, que se notabilizou ao se debruçar sobre as estruturas do pensamento do próprio campo intelectual. O segundo livro é o ensaio “Linha direta: estética e política”, de Mario Perniola, um dos filósofos italianos mais referenciados na atualidade, também traduzido pela primeira vez em língua portuguesa. Ao lado desses dois grandes pensadores de repercussão internacional, a Editora lança, no dia 20, o livro-embalagem “Poemas”, com dois volumes de poesias do multiartista catarinense Rodrigo de Haro.

Primando pela expressividade autoral e pela qualidade gráfica, as três edições consolidamo novo projeto editorial da EdUFSC, iniciado em 2010, e cumprem dois objetivos, segundo o editor Sérgio Medeiros. Um deles é o de ampliar seu catálogo, incluindo grandes nomes internacionais cujas obras sejam essenciais para a formação dos alunos desta universidade. O outro é o de pesquisar e experimentar novas texturas, cores, formatos de capa, de papel e de livros, a fim de oferecer aos leitores livros com altíssimo acabamento, comparável aos melhores publicados pelas grandes editoras universitárias do país.

Essa trajetória de inovação do livro culmina no dia 20 de dezembro, às 19h30min, na Fundação Cultural Badesc,

na rua Vitor Konder, com uma festa de lançamento da nova obra poética de Rodrigo de Haro. A caixa-presente “Poemas” trazEspelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco,dois livros inéditos do poeta e artista plástico catarinense que é, na avaliação de Medeiros, uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira. Aos 73 anos, Rodrigo está em sua fase mais produtiva, alternando-se no talhe da palavra e da pintura.

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

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Presépio com figuras em tamanho natural abre o Natal na UFSC

07/12/2011 15:59

Começa a ser montado nesta quinta-feira na Praça da Cidadania da Universidade Federal de Santa Catarina, em frente ao prédio da reitoria, o presépio Paz na Terra, com figuras em tamanho natural confeccionadas pela família Villalva, que trabalha com cerâmica e mantém um atelier no bairro José Mendes, em Florianópolis. A inauguração do presépio será na sexta-feira, dia 9, às 17h30, com apresentação de uma cantoria de terno de reis a cargo do grupo Filhos da Terra, de Palhoça. A realização é do Núcleo de Estudos Açorianos (NEA), vinculado à Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, e a visitação do público vai até 6 de janeiro de 2012.

A obra é uma criação conjunta dos artistas Osmarina, Paulo e Paulo Andrés Villalva (os dois primeiros, artistas plásticos, e o último, acadêmico de Artes Plásticas), que utilizam materiais e elementos que fazem referência à herança cultural açoriana em Santa Catarina. No presépio estarão presentes a tecelagem, a cerâmica, a renda e, em especial, a marca da religiosidade, que é um dos principais legados dos casais açorianos que colonizaram a região, a partir de meados do século XVIII. As figuras do menino, de seus pais e dos demais personagens, além dos animais da representação do nascimento de Jesus, são confeccionadas sobre estruturas de madeira, aramados e espumas.

Além dessas figuras, a família Villalba também cria conjuntos inspirados em temas como a procissão do Senhor dos Passos, o pão-por-deus, o boi de mamão e outras manifestações culturais da Ilha de Santa Catarina.

Na inauguração, sexta-feira, o terno de reis Filhos da Terra, da comunidade de Barra do Aririú, fará uma apresentação especial. Todos os anos, uma família de cantores, coordenada pelo mestre cantador Luzair, circula pelas ruas de Palhoça, se apresentando nas casas e mantendo uma tradição que vem de seus avós.

De acordo com o diretor do Núcleo de Estudos Açorianos, Joi Clétison Alves, com esta montagem a UFSC retoma uma tradição cultivada desde os tempos em que o artista e pesquisador Franklin Cascaes preparava o presépio em frente ao Museu Universitário, usando folhas de piteira e outros materiais naturais. O museólogo Gelcy Coelho, o Peninha, manteve a prática por um bom período, até se afastar da Universidade. “Há mais de cinco anos o presépio não é montado na Universidade”, informa Joi Alves.

 

Mais informações com o NEA/UFSC, pelo telefone (48) 3721-8605; com a família Villalva, pelo fone (48) 3225-7445; e com o grupo Filhos da Terra, pelo (48) 9906-6638.

 

Shakespeare no Bosque faz público sonhar acordado

05/12/2011 18:57

Nesse final de semana de quase verão, o público teve a oportunidade de participar da encenação deSonho de uma noite de verão, de Shakespeare, encenado no Bosque do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina pelo Grupo do Sonho, do Curso de Artes Cênicas. Foi um acontecimento teatral inesquecível e inusitado, que transportou a plateia pelo meio da floresta para três noites de sonho, amor, riso e magia.

O espetáculo apresenta uma diversidade de cenários, uma produção sonora, uma riqueza de personagens e figurinos que faz mergulhar no universo onírico de Shakespeare suspendendo as convenções sobre o que separa a imaginação da realidade. A iluminação e o colorido na floresta criam um clima de mistério e fantasia que faz o público reviver esse sonho shakespeariano como se também estivesse sonhando acordado.

As apresentações, que iniciaram na sexta-feira (2/12), tiveram um público surpreendente: integrados à narrativa, adultos, adolescentes e crianças caminham por todo o bosque atrás dos personagens que durante a peça se  deslocam para diferentes cenários e palcos ao ar livre. Fadas, elfos, animais, seres encantados se misturam aos seres e sons do ambiente natural, como as borboletas, cigarras, pirilampos. Ao final de duas horas de narrativa, a plateia, ovacionou os atores de pé, dirigindo-lhe palavras de apoio e entusiasmo.

Realizado por cinco formandos da primeira turma de Artes Cênicas da UFSC com envolvimento de 32 estudantes e atores do curso e apoio da Secretaria de Cultura e Arte, Sonho de uma Noite de Verão é uma forma poética e engraçada de celebrar a chegada do verão. Sob a direção de Márcio Cabral, o Grupo do Sonho cria uma experiência artística marcante para crianças e adolescentes sobre a força do sonho e do imaginário.

 

Raquel Wandelli, jornalista (SeCArte/UFSC)

 

 

Montagem de Sonho de uma noite de verão comemora chegada da estação do amor

01/12/2011 09:49

 

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si; são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado”.

Assim, celebrando o sonho e a imaginação, William Shakespeare inicia Sonho de uma noite de verão. Para os formandos do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina, a possibilidade de estrear ao ar livre, a peça do dramaturgo inglês mais assistida e apreciada de todos os tempos é também a realização de um grande sonho pessoal e profissional. Nos dias 2, 3 e 4 de dezembro, sempre às 19h30min, 33  alunos e profissionais de teatro levarão ao Bosque do Planetário da UFSC, a montagem dessa comédia onírica de elfos, fadas, artesãos e nobres como uma celebração ao amor e à arte e à chegada do verão.

Com entrada franca e aberta a todo público da UFSC e da comunidade externa, a peça aposta em uma montagem pouco comum para teatro de rua itinerante, privilegiando o público infantil e adolescente, explica Vera Lucia Ferreira, que faz o divertido elfo Puck. Fruto da iniciativa de cinco formados que fizeram dessa montagem o objeto de seu trabalho de conclusão de curso, Sonho de uma noite de verão é a segunda grande produção da primeira turma do Curso de Artes Cênicas. (A primeira, estreada em meados deste ano, foi Setembro, que aborda as consequências do ataque às Torres Gêmeas na instauração de uma nova ordem biopolítica de opressão). Por isso, assume o peso de um ritual de formatura, diz o integrante Rodrigo Carrazoni (que faz os personagens Píramo e Novelo)

No elenco, atuam 25 atores, a maioria deles alunos de Artes Cênicas, alguns atores profissionais convidados e um coral de oito crianças alunas do Curso de Violão de Itaguaçu, da professora Patrícia Rodovalho. Essa montagem ao ar livre recebeu apoio da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e da Eletrosul. Quem entrar no Planetário pelo acesso da Elase, no Pantanal, poderá avistar o palco sobre o Bosque e sob o céu estrelado, bem ao modo de Shakespeare no século XVII.

Os alunos estão convidando o público calorosamente, com folhetos imaginativos e sedutores. Além de Carrazoni (responsável pela preparação dos personagens humanos). e Vera Lúcia (responsável pela adaptação do texto), integram o grupo de diretores os formandos (adaptação), Janine Fritzen (maquiagem), Maria Luiza Iuaquim Leite (direção de arte e produção); Elise Schmitausen Schmiegelow (preparação dos personagens fantásticos). Durante mais de um ano eles trabalharam na montagem, dirigida por Márcio Cabral também aluno de Artes Cênicas, mas já com experiência profissional.

Sonhos, brincadeiras, intrigas, atrapalhação, poções mágicas que apaixonam o coração errado, e finalmente, entendimentos amorosos. Sonho de uma Noite de Verão é uma comédia de amor que conta a história de quatro casais enamorados e a deliciosa confusão de sentimentos e conflitos gerados na busca do amor que faz parte da vida.

Na abordagem estética, o Grupo do Sonho, que se formou em torno da montagem, valorizou a reflexão shakespeariana sobre o universo do imaginário, mostrando como os seres mágicos participam na realização de sonhos, e como o sonhador burla os obstáculos que lhe são impostos. O belo e o fantástico; o sonho e a realidade são os inspiradores, enfatiza Carrazoni. Como disse Shakespeare: “… nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso…”

TELEFONES PARA CONTATO:

(48) 32445027 – Falar com Vera

(48) 99132924 / 33047940 – Falar com Maria Luiza

(48) 96273777 – Rodrigo Carrazoni
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Raquel Wandelli,

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PROJETO MUSEU EM CURSO: Museu do século XXI não é para turista, mas para comunidade

01/12/2011 09:37

Museu não é mais "lugar de pó e velharia"


É preciso abandonar tudo que guardamos no imaginário sobre os museus para poder compreender qual é sua missão no Século XXI. Essa velha instituição que remontaa Idade Média chegou ao Terceiro Milênio completamente transformada: não é mais lugar de pó e velharia, não é mais uma redoma de vidro onde se isola o patrimônio etnográfico da cultura que lhe deu origem e não é mais lugar apenas para ver. “O museu contemporâneo está mudando sua identidade e revolucionando nossas concepções sobre patrimônio”, afirmou o antropólogo e museólogo italiano VicenzoPadiglione, que na tarde de segunda (28) falou sobre patrimônio cultural nas comunidades aos participantes da última conferênciado Projeto Museu em Curso, no auditório do Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral.

As mudanças anunciadas pelo professor da SapienzaUniversitàdi Roma reservam ainda uma quarta novidade: as instituições museológicas não devem ser mais concebidas, projetadas e administradas para agradar turistas, preferencialmente, mas devem estar voltadas para a comunidade em torno. Em suma, tudo o que acreditávamos definir um museu como um depósito de coisas antigas que merecem ser conservadas é precisamente o que ele não é mais. Mas então o que é o museu para essas novas correntes antropológicas que norteiam o trabalho atual do Museu da UFSC?

O professor Padiglioni resume a resposta a essa questão em quatro pontos: uma instituição que está ligada ao tempo presente e não mais ao passado;que promove a identidade essencialmente impura e plural das culturas; que convida o visitante não apenas a ver, mas a refletir sobre seus próprios hábitos de vida e, por último, que compreende os objetos museais a partir do seu vínculo estreito com acomunidade-território de onde se originam, em vez de expô-los como representação fetichizada dessas comunidades. Hoje, as instituições orientadas por essas novas ideias, estão se propondo a repatriar esses objetos, devolvendo-os a suas etnias para que seu uso e significado simbólico sejam restabelecidos ou propondo reflexões críticas sobre a representação que as sociedades ocidentais têm feito desses bens culturais.

Curador de sete pequenos museus, e tendo ocupado o cargo de presidente da Associação Profissional dos Antropólogos de Museus, na Itália, Padiglioni trouxe várias ilustrações de projetos empreendidos por ele que colocam em prática a nova filosofia. Mostrou como exemplo uma grande foto dos habitantes da comunidade no centro de uma província a 130 km de Roma, posando ao lado de seus marcos naturais e urbanos mais importantes. Reeditada depois de 15 anos, a foto afixada no museu local, teve um impacto muito forte na comunidade, ajudando a reavivar a instituição e fazendo-a percebê-la como lugar de preservação da memória contemporânea.

Outro exemplo que ilustrou com imagens, foi o da reconstituição, do quarto de pessoas idosas, incluindo objetos, vestuário, mobiliário e cenas que revelam hábitos e modos de viver. Não podemos mais pensar no museu como lugar empoeirado ou cemitério de velharia, tampouco que seja feito para turistas. “Isso foi um erro do passado: o museu é para os moradores do lugar”. Agora se pensa e se projeta museus para o desenvolvimento da sociedade local, para a promoção da economia, da cultura, para criar lugar de socialização e não para mostrar aos turistas as provas da cultura local, argumenta. O museu também se torna um lugar chave das políticas culturais que exigem um posicionamento político e impossibilitam a neutralidade, acentua o teórico. Sua ênfase não é mais visual, mas reflexiva: o crescente sucesso dos museus mostra que é preciso refletir sobre a sua própria ação de construir e desconstruir patrimônios, elegendo-os ou não como preserváveis e ainda desconstruir noções como tradição, memória, patrimônio e história.

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

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Historiadores do mundo discutem cidades fortificadas

28/11/2011 18:40

Começa na terça (29/11), e vai até 1º de dezembro, o “7º Seminário de Cidades Fortificadas” e o “2º Encontro Técnico de Gestores de Fortificações”, que ocorrem simultaneamente em Bertioga (São Paulo). O evento reunirá historiadores, museólogs, estudiosos e palestrantes do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina), Uruguai, Portugal, Bélgica e Holanda. Além das palestras, estão previstas duas tardes dedicadas a visitas técnicas às principais fortificações da Baixada Santista. Pela UFSC, participam Roberto Tonera, coodenador do Projeto Fortalezas Multimídia e Joi Cletison, coordenador do Projeto Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, da SeCArte, ambos membros do comitê técnico do evento.

O objetivo, segundo Cletison, é compartilhar práticas criativas e bem-sucedidas de gestão visando-se estabelecer intercâmbios e parcerias que ajudem a melhorar e modernizar a preservação desse patrimônio. No encontro, os gestores dos fortes apresentarão um panorama das ações desenvolvidas nas fortificações sob sua administração. Os painéis vão possibilitar uma troca de experiências no que diz respeito às questões que desafiam hoje todos os gestores: auto-sustentabilidade; parcerias e projetos; captação de recursos; corpo técnico; manutenção e conservação de edifícios e acervos; pesquisa e documentação; divulgação e difusão cultural; educação patrimonial; visitação e turismo, acessibilidade; uso adequado dos espaços e promoção de atividades artístico-culturais.

Aberto ao público, o evento ocorre no SESC Bertioga, mas as inscrições devem ser realizadas por meio de formulário online disponível no website da Prefeitura Municipal: http://www.bertioga.sp.gov.br/formulario_seminario.php. O “7º Seminário de Cidades Fortificadas” e o “2º Encontro Técnico de Gestores de Fortificações” são uma realização da Prefeitura Municipal de Bertioga, Universidade Federal de Santa Catarina e Espacio Cultural Al Pie de la Muralla (Uruguai). O site oficial do evento é: http://cidadesfortificadas.ufsc.br/ que contém informações sobre a 7ª edição do Seminário e sobre todas as edições anteriores, inclusive a última que ocorreu na UFSC

 

 

Matheus Moreira Moraes

Estagiário de Jornalismo na SeCArte

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MUSEU EM CURSO: Antropólogo Padiglione aborda patrimônio cultural

28/11/2011 11:48

Teórico italiano e professor da Sapienza Università di Roma fala às 14h30min, no auditório do Museu Universitário, sobre patrimônio cultural nas comunidades

A décima edição do projeto “Museu em Curso” ocorrerá hoje (28/11), às 14h30, no auditório do Museu Universitário. O antropólogo Vicenzo Padiglione abordará questões relativas ao patrimônio cultural das comunidades. Com a palestra “Museu Comunitário” o teórico dará ênfase à sua experiência na Itália.

O projeto “Museu em Curso” é uma realização da Secretaria de Cultura e Arte e Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral – UFSC, em parceria com a Associação dos Amigos do Museu Universitário. Tem como objetivo promover formação e discussão sobre temas relativos aos museus. A cada mês, é realizada uma palestra voltada para as diversas áreas da teoria e da prática museológica.

Vicenzo Padiglione é  professor associado da  Sapienza Università di Roma. Leciona antropologia cultural, museologia e etnografia da comunicação. É diretor da Revista Antropologia Museale. Concebeu e realizou o Etnomuseo Monti Lepini di Roccagorga, e o Museo del Brigantaggio di Iri  e di Cellere. Entre as inúmeras pesquisas e publicações destacamos as  que refletem sobre os temas da memória, da museologia e da violência, como Storie contese e ragioni culturali.

Serviço:

O quê: Museu em curso, palestra com Vicenzo Padiglione

Quando: 28 de novembro de 2011, às 14h30

Onde: Auditório do Museu Universitário

Quanto: Entrada franca

Informações: 48 3721-8604 ou 9325

E-mail: ufsc.mu.museologia@gmail.com

Serão fornecidos certificados

Oficina ensina a preparar o Natal

25/11/2011 18:13

 

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Participantes da 4ª.Semana Ousada de Artes aprenderam a criar da argila as figuras que compõem o presépio do nascimento de Cristo

Uma das atividades que vêm movimentando a 4ª. Semana Ousada de Artes, promovida pela UFSC e Udesc, é a oficina de presépio popular, que prossegue até esta quinta-feira, dia 24, na Praça da Cidadania. Artistas plásticos, Osmarina e Paulo Vilalva trazem a experiência do ateliê mantido no bairro José Mendes, em Florianópolis, para o campus, mostrando aos alunos o processo de elaboração das pequenas peças de argila que compõem o minipresépio, cuja base é um pedaço de casca de pente de macaco, árvore existente nas matas da Ilha de Santa Catarina.

 

A maioria dos frequentadores da oficina são servidores da UFSC e professores da rede pública, que aprendem a manipular a matéria-prima para fazer miniaturas das figuras sacras do presépio, dos animais, das loucinhas e dos elementos que decoram o cenário ao redor da minúscula manjedoura. “Eles entendem como construir a peça, queimá-la e pintá-la”, informa Osmarina Vilalva. “Depois, ficam sabendo como colar essas peças na estrutura do presépio, que é uma pequena casca de planta”. Completa o conjunto um raminho de árvore arrematado com flores desidratadas.

 

Osmarina, o marido (ambos autodidatas) e o filho Paulo Andrés (que estuda artes plásticas) já expuseram suas peças de cerâmica na Sepex e em outros eventos da UFSC, e a partir de 9 de dezembro montarão um presépio em tamanho natural na frente da Reitoria da instituição. Eles trabalham com arte desde a infância e também criaram conjuntos com temas como a procissão do Senhor dos Passos, o pão-por-deus, o boi de mamão e outras manifestações culturais da Ilha de Santa Catarina.

 

Salete Clara, uma das alunas da oficina, diz que nunca havia manuseado argila, mas garante que aprovou a experiência. “Achava que era muito difícil, mas não é”, assegura. Trabalhando há 23 anos na recepção da secretaria do Centro de Ciências Biológicas (CCB), ela diz estar “adorando” a sua primeira incursão pela arte.

Durante esta semana, na Praça da Cidadania, estão sendo realizadas também as oficinas de escultura em mármore, presépio de grande formato, desenhos para crianças e cerâmica utilitária.

 

Mais informações sobre a Semana Ousada de Artes podem ser buscadas em www.semanaousada.udesc.ufsc.br e pelo telefone (48) 3721-8304.

 

Texto: Paulo Clóvis Schmitz/Jornalista na Agecom

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