Embriões humanos têm direito à vida?

27/03/2012 11:43



 

Lincoln Frias

 

Se você é um brasileiro típico, você discorda de mim: você acredita que embriões humanos têm direito à vida, que essa é uma afirmação óbvia e provavelmente pensa que devo ser uma pessoa má, que não se preocupa com seres indefesos e que estou disposto a usar outras pessoas para satisfazer meus interesses.

Os embriões humanos que costumam ser o assunto desse tipo de discussão são aqueles que têm menos de 14 dias, pois depois desse prazo eles não são de grande utilidade nem para a derivação de células-tronco nem para a fertilização in vitro. Esse embrião é um conjunto de apenas algumas dezenas de células, as quais são todas iguais. Ele não só ainda não tem órgãos, como não é possível nem mesmo saber quais células formarão o feto e quais formarão a placenta. Ele ainda pode se dividir em dois ou mais embriões (é assim que se formam os gêmeos univitelinos) e também pode ser que ele se funda naturalmente com outro embrião que esteja sendo gestado com ele. E mais incrivelmente, usando técnicas laboratoriais sofisticadas, pode ser possível criar um novo embrião a partir de cada uma das suas células.

Mesmo assim há quem considere que esse tipo de organismo mereça ser considerado em pé de igualdade com seres humanos adultos, que ele tem direito à vida e que destruí-lo para derivar células-tronco ou para realizar fertilização in vitro é tão errado quanto assassinar uma pessoa, mesmo que isso seja feito paracurar outras pessoas ou garantir que os pais tenham um filho saudável.

Não é surpreendente que as pessoas pensem assim. Na falta de alternativas, é melhor que se defenda seres indefesos. O que surpreende é que os argumentos para justificar essa opinião sejam incrivelmente fracos e que o assunto seja tratado como uma questão de tudo ou nada. A questão é a seguinte: todos concordamos com que (a) espermatozóides e óvulos podem ser mortos (p. ex., na masturbação ou na menstruação) e com que (b) recém-nascidos não podem ser mortos. O problema é descobrir em que momento entre (a) e (b) o direito à vida é adquirido.

Você provavelmente acha que é quando acontece a fecundação. Uma primeira justificativa que você pode oferecer é de que ali já se estabelece a individualidade genética, se cria um genoma inédito. O problema é que há outros seres vivos que também têm essa individualidade genética (plantas, animais etc.) e não estamos dispostos a atribuir direito à vida a todos eles. E mais preocupante ainda, há seres humanos sem essa individualidade, os gêmeos. Teríamos então que considerar que eles não têm direito à vida.

Não sei como você vai lidar com os gêmeos, mas você pode desconsiderar os outros seres vivos dizendo que o que importa é pertencer à espécie humana. Só que o risco ao dizer isso é cair no especismo, cometendo o mesmo tipo de erro dos machistas, dos racistas e dos bairristas, a preferência por um certo grupo só porque ele é o seu grupo. Para evitar isso seria preciso indicar algo que os seres humanos possuem e que faz com que mereçam direito à vida.

Os candidatos mais promissores são a capacidade de autocontrole, a racionalidade e a autoconsciência, as características que definem uma pessoa. O problema é que o embrião está incrivelmente longe de possuí-las. Afinal de contas, ele não possui um único neurônio que seja.

Diante desse problema, o esperado é que você diga que o importante é que o embrião tenha o potencial para se tornar se tornar ser humano. Esse é o argumento mais resistente, não porque seja o mais sólido, mas porque é o que está mais entranhado em nossa maneira instintiva de pensar. Nunca consegui convencer minha avó, minhas tias e meus amigos do futebol de que esse argumento é ruim. Minha hipótese é que isso acontece porque quando dizemos que o embrião tem o potencial para ser uma pessoa, imaginamos instintivamente que essa pessoa em potencial já está lá no meio daquelas células, sentindo e sofrendo. Supomos que,assim como eu agora não gostaria que tivessem me matado quando eu era um embrião, o embrião também não vai gostar se o matarmos.

Essa suposição é falsa. Não há alguém em meio àquelas células, pois nada ali é capaz de sentir e sofrer. É consenso científico que o feto só será capaz de sentir dor depois da 24asemana de gestação – 22 semanas depois do estágio que estamos discutindo – pois apenas então haverá as estruturas cerebrais mínimas para haver qualquer tipo de consciência. Mas durante a evolução de nossa espécie foi imprescindível para nossa sobrevivência viver em grupo e para fazer isso é preciso ser capaz de pensar sobre o que os outros estão pensando e se preocupar com a dor deles (a capacidade de empatia). Essas capacidades nossas são tão ativas que tratamos bichinhos de pelúcia como se eles tivessem sentimentos. A ficção (de quadrinhos anovelas) é toda baseada no fato de que dá para enganar essa nossa capacidade de tratar coisas (p. ex., rabiscos no papel) como agentes (organismos com sentimentos e intenções). Muita gente chorou com o destino dos personagens de Avatar como se eles realmente estivessem sofrendo.

Esse mecanismo de se preocupar com os sofrimentos de outros organismos, principalmente se eles parecem ter planos, objetivos e intenções é algo que fazemos automaticamente e minha hipótese é que esse tipo de processo é que incentiva nosso apego à ideia de que o potencial do embrião já coloca ele no mesmo patamar das pessoas desenvolvidas. Pense comigo, em nenhuma outra situação valorizamos o que apenas tem o potencial da mesma maneira com que valorizamos o que já está realizado: uma semente que pode dar origem a uma árvore de mil anos não é tão admirável quanto a própria árvore quanto ela tiver mil anos, o fato de que a Argentina tem o potencial para ganhar a Copa de 2014 não justifica já escrever seu nome na taça etc. Da mesma maneira, o fato de que o embrião pode se tornar uma pessoa e que uma pessoa tem direito à vida, não justifica dar a ele as proteções de uma pessoa. Ainda não há uma pessoa lá. A não ser que você acredite em almas. Aí o seu problema é o de provar que elas existem. Apenas no final do século XIX os católicos escolheram a fecundação como o momento em que a alma entra no corpo. Antes disso acreditavam que a alma encarnava apenas aos 40 dias – a posição de Aristóteles, Tomás de Aquino, dos judeus, dos muçulmanos e de alguns protestantes.

Um sério problema para o Argumento da Potencialidade é que a maioria dos embriões não tem potencial nem para chegar ao fim da gestação, muito menos para se tornar uma pessoa. Estima-seque impressionantes 63% dos embriões que são formados através da reprodução natural não têm esse potencial – aproximadamente metade por falta de ambiente adequado e metade porque são incapazes de se desenvolver mesmo no ambiente mais adequado, pois têm problemas fisiológicos. Além disso, nem todo ser humano tem potencial de se tornar uma pessoa, como é o caso dos fetos anencéfalos ou com outras deficiências mentais graves. Outro problema é o fato de ser possível que o embrião se divida em dois ou que ele se funda com outro embrião, de maneira queele não só tem o potencial para se tornar uma pessoa, como tem também o potencial para se tornar mais de uma pessoa ou menos de uma pessoa.

Por fim, pense no seguinte: se há um incêndio em uma clínica de fertilização e você precisa decidir entre salvar dois embriões ou uma criança de três anos, quem você escolheria? Nunca encontrei alguém que salvasse os embriões, mesmo que fossem cem ou mil. Se você também pensa assim, você não acredita realmente que eles tenham direito à vida. Mas como minha avó e meus amigos do futebol estão aí para me lembrar, esses argumentos não são suficientes para impedir o processo automático de pensar que o embrião já é alguém, principalmente porque não queremos ser o tipo de pessoa que aceita que seres indefesos sejam mortos (apesar de fazermos churrasco de tantos animais cognitivamente muito mais desenvolvidos que os embriões).

Nada disso quer dizer que os embriões não tenham valor e que possamos fazer qualquer coisa com eles. Quer dizer apenas que a pesquisa com células-tronco embrionárias e a fertilização in vitro não devem ser proibidas por provocarem a morte de embriões e que quem defende essa posição não é necessariamente uma pessoa má, que não se preocupa com seres indefesos e que está disposta a usar outras pessoas para satisfazerem meus interesses.

 

Lincoln Frias é doutor em Filosofia pela UFMG e autor de A Ética no uso e na seleção de embriões(EdUFSC – Fapemig, R$ 36,00 na Feira de Livros da Editora da UFSC, na Praça da Cidadania)

Monólogo de Miguel ganha palcos de Manaus

27/03/2012 09:53


Depois de estrear na IV Semana Ousada de Artes da UFSC/Udesc, a  peça Monólogo de Miguel, da companhia catarinense Apatotadoteatro foi selecionada para o 4º Festival de Breves Cenas de Teatro de Manaus (21 a 25 de março – AM). Único representante catarinense no evento, o espetáculo foi apresentado neste final de semana, no Teatro Municipal do Amazonas, sob uma recepção calorosa do público. Com texto de Jorge Luiz Miguel e direção de Gustavo Vierbabach e Ricardo Goulard, o monólogo tem a expressiva atuação da atriz Ilze Körting, formanda do Curso de Artes Cênicas da UFSC, que também atuou na peça Setembro, outro projeto do curso.

Na peça, Ilse Körting se metamorfoseia na figura de um velho para encenarO monólogo de Miguel. Trata-se de um ensaio teatral aberto, cuja narrativa gira em torno de um escritor que ao tentar escrever sobre a ira descobre a dimensão de seus traumas de infância. A realidade e a ficção se entrelaçam para que ele descubra quem ele é e a profundidade da amargura que carrega. Os recursos para a participação da equipe com banner, camisetas, adesivos e módulos em madeira para o cenário foram patrocinados pela Secretaria de Cultura e Arte da UFSC.
No convite oficial para o grupo, a comissão organizadora do Festival, coordenada por Dyego Monnzaho, justificou a escolha do monólogo entre as 16 cenas integrantes da mostra oficial, declarando os critérios da curadoria nacional do evento: “diversidade da obra, valores estéticos e artísticos, bem como a representatividade do objeto de arte em questão, somada a sua originalidade, riqueza de linguagem, valorização da pesquisa e o seu potencial de diálogo estético travado com o público e artistas”.
Raquel Wandelli
Assessora de Comunicação da SeCArte
Informações: 37218729 e 99110524

Retrato do trabalho em Santa Catarina

22/03/2012 17:20
O que mudou na vida dos trabalhadores e no trabalho desde a década de 60? A exposição “Imagens da mudança: trabalhadores de Santa Catarina no acervo de Waldemar Anacleto” permite compreender a conversão de artesãos em operários, a implantação das linhas de produção e o surgimento de uma sociedade de massas em Santa Catarina. A mostra fotográfica, que abre no dia 27 de março, às 19h30 na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, é fruto da união de esforços entre o Serviço Social do Comércio de Santa Catarina (SESC-SC), em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que cedeu recursos através do recém-criado Programa Bolsa Cultura.
A sequência de imagens em preto e branco foi selecionada de um acervo de mais de 4 mil fotos e filmes doados pela família de Waldemar Anacleto ao Núcleo de Estudos sobre Transformações no Mundo do Trabalho (TMT), da UFSC. Falecido em 2003, Waldemar Anacleto foi assessor de imprensa do Governo do Estado de Santa Catarina durante 17 anos. Nesse período, dedicou-se a registrar momentos históricos da vida cotidiana catarinense, entre ações governamentais e pessoas em situações públicas e privadas. Como a imagem em que retrata um vendedor informal, um camelô, nas esquinas das ruas Trajano e Felipe Schmidt.
Aberta até o dia 20 de abril, das 8 às 19 horas, a exposição está organizada em três conjuntos de imagens. O primeiro mostra o trabalhador em si, isolado em sua atividade, em pleno exercício do seu trabalho. A seguir o trabalhador é mostrado no seu âmbito de trabalho, muitas vezes junto a outras pessoas. No último conjunto, um grupo de imagens representa o contexto em que o trabalho se dava. “O que é aparentemente uma simples coletânea de fotografias é transcendência. Melhor seria dizer que é inscrever trabalhadores numa determinada história”, resume Bernardete Wrublevski Aued,  professora aposentada do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC e Criadora do Núcleo de Estudos sobre as Transformações no Mundo do Trabalho.
“Imagens da mudança: trabalhadores de Santa Catarina no acervo de Waldemar Anacleto” é parte de um projeto de extensão que visa ampliar o acesso público a esse registro histórico, que também estará disponível pela internet, no endereço anacleto.ufsc.br, a partir da abertura da mostra. Coordenado pelo professor de Sociologia e jornalista Jacques Mick, o projeto envolveu dois alunos de graduação remunerados pelo Projeto Bolsa Cultura, implementado no início do ano passado pela Secretaria de Cultura e Arte da UFSC. “A mostra é um dos  primeiros resultados desse investimento em bolsas para projetos de cultura”, destaca a secretária Maria de Lourdes Borges.
Serviço:
O que:
 exposição “Imagens da mudança: trabalhadores de Santa Catarina no acervo de Waldemar Anacleto”
Quando:  abertura 27/03 19h30 | exposição de 28/03 a 20/04
Onde:  Assembleia Legislativa de Santa Catarina
Quanto: Gratuito
Informaçõesanacleto.ufsc.br (sítio do acervo Waldemar Anacleto)
(48) 3721 9250 e  48-9982-8495 (prof. Jacques Mick, coordenador da mostra) Jacques Mick Ielusc <jmick@floripa.com.br>
e o do Álvaro Diaz, curador da exposição: 48-9151-9899.
Jornalistas: Denise Ferreira <deniseferreira@sesc-sc.com.br>;
Links para downloads de fotos
Raquel Wandelli, jornalista (SeCArte/UFSC)
(48) 99110524 e 37218729

Conferencista aborda soluções para degradação de acervos

22/03/2012 16:53

Museu em Curso

Conferencista aborda soluções

para degradação de acervos

Palestra vai apontar métodos tradicionais e inovadores para controle de temperatura e umidade de museus

 

Os desafios técnicos na preservação de acervos de museu são o tema da primeira conferência do projeto Museu em Curso deste ano. Saulo Guths, engenheiro mecânico, ministrará a palestra intitulada “Degradação de Acervos: Parâmetros Ambientais e Métodos de Controle”. Com acesso gratuito e aberto ao público, a conferência ocorre no dia 29 de março, quinta-feira, das 16h às 18h, no auditório do Museu Universitário Professor Oswaldo Rodrigues Cabral, na UFSC.

 

O Projeto Museu em Curso é uma realização da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e Museu Universitário, em parceria com a Associação dos Amigos do Museu Universitário. Na décima primeira edição do projeto, Guths abordará o conhecimento básico dos fenômenos envolvidos na implementação de uma política de preservação de acervos. Também falará sobre as formas de medição de umidade e fatores de degradação dos acervos, enfocando as diferentes soluções aplicáveis em uma instituição museológica.

 

Temperatura e umidade relativa são os fatores primários que controlam as taxas de deterioração de acervos relacionadas à decadência química, biológica e danos mecânicos. Além de esclarecer os principais parâmetros de influência da temperatura e umidade ideais para um museu, o engenheiro apresentará os métodos clássicos de controle desses fatores e também os métodos alternativos desenvolvidos especialmente para conservação de acervos.

 

O palestrante:

 

Professor Adjunto do Curso de Engenharia Mecânica da UFSC, Saulo Guths desenvolve pesquisa sobre assuntos relacionados a: Desenvolvimento de micro sensores térmicos; Análise Térmica de Edificações; Desenvolvimento de termo-anemômetros a efeito Peltier; Desenvolvimento de sistema de gerenciamento térmico para museus e arquivos; Desenvolvimento e construção de bancadas didáticas; Desenvolvimento e construção de transdutores de fluxo de calor e Medição de resistência térmica de materiais isolantes.

 

Matheus Moreira Moraes

Estagiário de Comunicação da SeCArte (com material de divulgação do Museu)

passaportecultural2@gmail.com

www.secarte.ufsc.br

www.ufsc.br

Informações: 37218729 e 99110524

 

 

Serviço:

O quê: Museu em curso, palestra com Saulo Guths Quando: 29 de março de 2012, das 16h às 18h

Onde: Auditório do Museu Universitário

Quanto: Entrada franca

Informações: 48 3721-8604 ou 9325

E-mail: ufsc.mu.museologia@gmail.com

Serão fornecidos certificados

Integração e Transversalidade para a cultura de Florianópolis

22/03/2012 16:03

A mesa redonda 3 da III Conferência Municipal de Cultura de Florianópolis, que aconteceu entre os dias 19 e 20 de março, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC, teve como tema a Integração e a Transversalidade, e focou o debate na dinamização dos equipamentos culturais, criação de portais de comunicação integrados e fomento das políticas artísticas e culturais do município.

Mediada por Alfredo Manevy, professor de Cinema da UFSC, a mesa contou com proposições e provocações de Maria de Lourdes Borges, da Secretaria de Cultura e Arte (SeCarte) da UFSC; Célia Gillio, da BM&A; e Maria Teresa Piccoli, representando o SESC de Santa Catarina. Cada debatedor teve alguns minutos para compartilhar experiências com os demais participantes da mesa e provocar as possíveis propostas.

A mesa redonda Integração e Transversalidade contou com a participação de aproximadamente 30 agentes culturais

Maria de Lourdes apresentou a Secarte e as parcerias já realizadas em atividades culturais. “A proposta é que haja uma unidade da universidade com a cidade. É interagir e ser comunidade”, afirmou Maria de Lourdes. A música foi o fio condutor da fala de Célia Gillio, nas oportunidades aos artistas brasileiros em participar de feiras internacionais. Já Maria Teresa trouxe a experiência do SESC como espaço cultural e propôs que “os setores envolvidos (na cultura) sentem junto para haver uma integração de fato”.

Convergência da mesa

Aproximadamente 30 atores culturais ligados a instituições artísticas, pontos de cultura, museu e outras instituições participaram da mesa. Apesar do leque de setores artísticos representados na reunião, as propostas dos participantes convergiram para temáticas semelhantes, observadas as necessidades de cada setor e os locais atendidos, ou mal atendidos, pela atual política cultural de Florianópolis.

Dessa forma, foram levadas à plenária propostas de programas estratégicos que abrangem os seguintes setores: Programa para atender a circuitos, espaços e equipamentos culturais, instalando e criando novos e dinamizando os já existentes; Criação de Edital Municipal de Pontos de Cultura, assim como editais e ações voltadas às Bandas de Música e criação de um centro de arte contemporânea e outros espaços públicos de excelência; Integração do transporte público para facilitar a mobilidade e acesso às atividades culturais, as quais se concentram à noite e aos finais de semana (tal proposta vai ao encontro do Plano Diretor, também em discussão em Florianópolis); Sinalização da existência dos espaços culturais existentes; Criação de programas de aprimoramento institucional da cultura, transparência e critério para melhor distribuição dos recursos; e Capacitação dos agentes e gestores culturais. Há a necessidade ainda de divulgação das atividades culturais no município, sendo propostos mapeamento e cartografia cultural da cidade, valorizando os artistas locais, além da criação de portais de comunicação e informação.

Foi mencionada ainda a importância dos próprios proponentes e também da comunidade em geral de fiscalizar e acompanhar as propostas dos programas, para dar continuidade ao Plano Municipal de Cultura e fazer com que as propostas sejam efetivamente colocadas em prática.

Texto e foto de Valéria Valdeci Martins – Ponto de Cultura Educação Musical Popular (Banda da Lapa), que participou da Cobertura Colaborativa da III Conferência Municipal de Cultura de Florianópolis – Coordenação: Pontão Ganesha.

SHAKESPEARE FARÁ PÚBLICO SONHAR ACORDADO NO BOSQUE DA UFSC

22/03/2012 16:00
No pôr do sol do domingo de 25 de março, às 18 horas, 25 alunos e profissionais de teatro levarão ao Bosque do Planetário da UFSC a montagem de Sonho de uma Noite de Verão dentro da pauta da Maratona Cultural. Celebração ao amor, à arte e à estação do verão, a comédia onírica mais famosa de Shakespeare fará o público se deslocar por diferentes cenários na floresta e sonhar acordado em um mundo de elfos, fadas, artesãos e nobres. Com entrada franca e aberta à comunidade externa, a peça aposta em uma adaptação pouco comum para teatro de rua itinerante, privilegiando o público infantil e adolescente, mas também encantou adultos em sua estreia em dezembro do ano passado.
Fruto da iniciativa de cinco formandos que fizeram dessa montagem o objeto de seu trabalho de conclusão de curso, Sonho de uma noite de verão faz parte do ProjetoShakespeare no Bosque, uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e Curso de Artes Cênicas. A montagem é a segunda grande produção da primeira turma do Curso, que estreou a peça em dezembro passado, na chegada do verão. (A primeira produção foi Setembro, que aborda as consequências do ataque às Torres Gêmeas na instauração de uma nova ordem biopolítica de opressão). Para os alunos recém-formados, encenar ao ar livre a peça do dramaturgo inglês mais assistida e apreciada de todos os tempos foi também a realização de um grande sonho pessoal e profissional, lembra Rodrigo Carrazoni, que faz os personagens Píramo e Novelo.
No elenco, atuam 25 atores, a maioria deles alunos de Artes Cênicas e alguns atores profissionais convidados. Quem entrar no Planetário pelo acesso da Elase, no Pantanal, poderá avistar o palco sobre o Bosque e sob o céu estrelado, bem ao modo deShakespeare no século XVII. Além de Carrazoni, que é responsável também pela preparação dos personagens humanos e Vera Lúcia Ferreira, que faz o divertido elfo Puck e é responsável pela adaptação do texto, integram o grupo de diretores os formandos, Janine Fritzen (maquiagem), Maria Luiza Iuaquim Leite (direção de arte e produção); Elise Schmitausen Schmiegelow (preparação dos personagens fantásticos). Durante mais de um ano eles trabalharam na montagem, dirigida por Márcio Cabral também aluno de Artes Cênicas, mas já com experiência profissional.
Ao escolher a abordagem estética, o Grupo do Sonho, que se formou em torno da montagem, valorizou a reflexão shakespeariana sobre o universo do imaginário, mostrando como os seres mágicos participam na realização de sonhos, e como o sonhador burla os obstáculos que lhe são impostos. O belo e o fantástico; o sonho e a realidade são os inspiradores, enfatiza Carrazoni. Sonhos, brincadeiras, intrigas, atrapalhação, poções mágicas que apaixonam o coração errado, e finalmente, entendimentos amorosos. Sonho de uma Noite de Verão é uma comédia de amor que conta a história de quatro casais enamorados e a deliciosa confusão de sentimentos e conflitos gerados na busca do amor.
TELEFONES PARA CONTATO:
(48) 32445027 – Falar com Vera
(48) 99132924 / 33047940 – Falar com Maria Luiza
(48) 96273777 – Rodrigo Carrazoni
(48) 3371-1733 e  9650-6190 – Márcio Cabral (diretor geral)

TEXTO E DIVULGAÇÃO:
Raquel Wandelli,
Jornalista na SeCArte/UFSC
Fones: 37218729 e 99110524
 
Shakespeare no Bosque faz público
sonhar acordado no meio da floresta
(depoimento sobre a estreia, em dezembro de 2011)
Nesse final de semana de quase verão, o público teve a oportunidade de participar da encenação de Sonho de uma noite de verão, deShakespeare, no Bosque do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina pelo Grupo do Sonho, do Curso de Artes Cênicas. Foi um acontecimento teatral inesquecível e inusitado, que transportou a plateia pelo meio da floresta para três noites de sonho, amor, riso e magia.
O espetáculo apresenta uma diversidade de cenários, uma produção sonora, uma riqueza de personagens e figurinos que faz mergulhar nouniverso onírico de Shakespeare suspendendo as convenções sobre o que separa a imaginação da realidade. A iluminação e o colorido na floresta criam um clima de mistério e fantasia que faz o público reviver esse sonho shakespeariano como se também estivesse sonhando acordado.
As apresentações, que iniciaram na sexta-feira (2/12), tiveram um público surpreendente: integrados à narrativa, adultos, adolescentes e crianças caminham por todo o bosque atrás dos personagens que durante a peça se deslocam para diferentes cenários e palcos ao ar livre. Fadas, elfos, animais, seres encantados se misturam aos seres e sons do ambiente natural, como as borboletas, cigarras, pirilampos. Ao final de duas horas de narrativa, a plateia, ovacionou os atores de pé, dirigindo-lhe palavras de apoio e entusiasmo.
Realizado por cinco formandos da primeira turma de Artes Cênicas da UFSC com envolvimento de 32 estudantes e atores do curso e apoio da Secretaria de Cultura e Arte, Sonho de uma Noite de Verão é uma forma poética e engraçada de celebrar a chegada do verão. Sob a direção de Márcio Cabral, o Grupo do Sonho cria uma experiência artística marcante para crianças e adolescentes sobre a força do sonho e do imaginário.
Raquel Wandelli, jornalista (SeCArte/UFSC)

FEIRA DE LIVROS TEM LANÇAMENTOS DE ROMANCE E POESIA ALEMÃ HOJE

22/03/2012 15:37

Duas obras serão lançadas na Feira de Livros da Editora da UFSC na tarde do dia 21: o romance épico  Ao que minha vida veio, de Alckmar dos Santos, vencedor do Concurso Salim Miguel de Romance e a antologia poética Seis décadas de poesia, de Rosvitha Blume e Markus Weinenger. Os três autores, Alckmar, Rovitha e Markus Weinenger estarão na Tenda dos Autores às 17 horas para uma conversa com os leitores. Até o dia 4 de abril, em uma grande tenda coberta na Praça da Cidadania, a Editora está expondo com até 70% de desconto 1.800 títulos e cerca de 20 mil exemplares, entre lançamentos do seu catálogo, das instituições livreiras que integram a Liga de Editoras Universitárias e de outras editoras reconhecidas no mercado.

 Vários livros estão sendo lançados na presença dos autores em uma sala aclimatada dentro da feira, preparada especialmente para esse encontro com o leitor, sempre às quartas-feiras, às 17 horas. Para embalar o momento, às 19 horas a editora promove a apresentação do Duo Ariramba, com Adriana Cardoso (voz) e Trovão Rocha (contrabaixo). “Queremos promover não apenas a comercialização de livros, mas patrocinar o encontro entre escritores e seu público”, diz o editor Sérgio Medeiros.

E na tarde do dia 28, Silveira de Souza, autor da coletânea de contos Ecos no Porão II, livro incluído pela Coperve na Lista do Vestibular 2013 da UFSC, conversará sobre a obra, que terá o lançamento de sua segunda edição pela EdUFSC. No mesmo dia, Lincoln Frias virá de Belo Horizonte para o lançamento de A ética do uso e da seleção de embriões (vencedor do Grande Prêmio UFMG de Teses de 2011). Editado com apoio da Fapemig, o livro traz uma discussão filosófica emergente sobre as questões morais e sociais em torno dos avanços da ciência na área da genética.

Poesia, conto, romance, filosofia, bioética, história, sociologia e literatura, além de obras didáticas de engenharia, física e matemática estão entre os 21 lançamentos programados para a Feira de Livros da Editora UFSC, que entrou na sua terceira semana com um público diário de duas mil pessoas. Aberta ao público, a mostra começou na segunda-feira (5), marcando a volta às aulas na UFSC e funciona de segunda a sexta, das 8:30 às 19 horas, com extensão do horário nas quartas-feiras até as 20h30min.

A EdUFSC preparou outros lançamentos inéditos especialmente para a feira, como O Espelho da América: de Thomas More a Jorge Luis Borges, de Rafael Ruiz, que desbrava a história da primeira modernidade da América através da literatura clássica. Estão na lista dos novos livros também Ongs e políticas neoliberais no Brasil, de Joana Aparecida Coutinho, Bioética, do filósofo José Heck e Percursos em teoria da Gramática, de Roberta Pires de Oliveira e Carlos Mioto.

Além de promover os lançamentos, a editora está oferecendo com descontos obras que tiveram grande repercussão no ano passado, como Homo academicus,do sociólogo francês Pierre Bourdieu, traduzido pela professora do curso de Pedagogia da UFSC Ione Valle. Ligação direta, ensaio inédito do filósofo italiano Mario Perniola sobre as relações entre estética e política e O liberalismo de Ralf Dahrendorf, lançamento de Antônio Carlos Dias Júnior, também se destacam na mostra.

Mais uma novidade: o editor Sérgio Medeiros avisa que está indo para a gráfica esta semana Riverão Sussuarana, o grande romance do cineasta Glauber Rocha, coeditado com o Itaú Cultural, que deverá ficar pronto para a última semana da feira, assim como Códices, do historiador e pesquisador mexicano Miguel León-Portilla, considerado o maior especialista em escritas ameríndias (maia e asteca) da atualidade.

 

Feira de livros da Editora UFSC/ Liga de Editoras Universitárias

 

Data:5 de março a 4 de abril

Local: Praça da Cidadania da UFSC

Horário de funcionamento: segunda a sexta, das 8:30 às 19 horas

(quartas-feiras, das 8:30 às 20h30min)

Lançamentos na Feira – Tardes de autógrafos e conversa com autores

Horário: a partir das 17 horas.

Local: Tenda dos autores junto à Feira

Alckmar dos Santos, vencedor do I Concurso Romance Salim Miguel com Ao que minha veio

Rosvitha Blumee MarkusWeininger, autores de Seis décadas de poesia alemã

Data: 21 de março, a partir das 17 horas

Silveira de Souza, autor da coletânea de contos Ecos no porão 2,

Lincoln Frias, doutor em filosofia, autor de A ética do uso e da seleção de embriões, de (vencedor do Grande Prêmio Tese do Ano da UFMG 2011)

Data: 28 de março, a partir das 17 horas

texto e divulgação:

Raquel Wandelli

jornalista na SeCArte/EdUFSC

REESTREIA DE SHAKESPEARE NO BOSQUE – Sonho de uma noite de verão terá apresentação única no domingo

21/03/2012 10:56


A apresentação ao ar livre da fábula mais assistida de Shakespeare encantou adultos e crianças na chegada de verão e está de volta para uma apresentação única e gratuita no encerramento da Maratona Cultural. No domingo, dia 25, o Grupo Sonho, formado porprofissionais recém-formados do Curso de Artes Cênicas da UFSC, levará novamente ao Bosque do CFH, atrás do Planetário da UFSC,a peça Sonho de uma Noite de Verão. Dirigida por Márcio Cabral, a montagem é realizada pela primeira vez no Brasil nesse tipo de cenário. O espetáculo inicia às 18 horas, quando o sol se põe, convidando o público a entrar no mundo de elfos, fadas, artesãos e nobres que compõem essa comédia oníricaem celebração ao amor, à imaginaçãoe ao sonho.

O teatro faz parte do Projeto Shakespeare no Bosque, uma iniciativa da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e Curso de Artes Cênicas. Inspirada no projeto Shakespeare no Park de Nova York, a iniciativa tem como objetivo levar clássicos da dramaturgia e da literatura para cenários livres que se integrem aos textos,explica a secretária Maria de Lourdes Borges. Para a nova apresentação, o diretor Márcio Cabral fez algumas mudanças, como o incremento das luzes e recursos técnicos que ajudam a dar o efeito mágico aos palcos montados no meio da floresta.

 

Mais fadas do que na estreia, na chegada do verão em dezembro do ano passado, vão ajudar a conduzir o público pelos caminhos e a posicioná-lo nos diferentes cenários desse teatro itinerante. Com 25 atores, o elenco também ganhou novas adesões, mantendo os alunos que se formaram no final do ano e agregando outros. Por causa do horário de verão, o horário da apresentação também foi atrasado em uma hora, para coincidir com o pôr do sol. “O público chega ao bosque quando está claro e não percebe que anoitece. Quando nem espera já está imerso no sonho”, explica o diretor.

Adaptada para o público infanto-juvenil e para o teatro itinerante por Vera Lúcia Ferreira, a peça teve uma repercussão surpreendente. Durante três dias de apresentações foi vista por mais de 700 pessoas. “Nos dias seguintes os comentários nas redes sociais eram muito entusiasmados; muitos elogios e fotos circularam com elogios do tipo: maravilhoso, inesquecível, quero ver novamente, quem não foi perdeu”,conta Cabral. Essa repercussão reforça, segundo ele, sua crença de que o público da cidade esta ávido por produções artísticas inusitadas como essa. “Acredito que o formato da peça, voltada a todas as idades, tornou-a um acontecimento teatral para as famílias”.

 

Motivados por esse sucesso, o Grupo pretende durante este ano dar continuidade ao projeto de revitalização do bosque da UFSC, realizando mais peças nesse lugar de mistério e natureza, com o mesmo formato voltado à família e à comunidade. Além de Shakespeare, outros clássicos do teatro serão encenados na floresta com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e principalmente do Departamento de Artes Cênicas. “Queremos fazer com que a arte gerada dentro da UFSC contemple toda a comunidade e não apenas o mundo acadêmico”, reforça o diretor.

 

 

TELEFONES PARA CONTATO:

(48) 32445027 – Falar com Vera

(48) 99132924 / 33047940 – Falar com Maria Luiza

(48) 96273777 – Rodrigo Carrazoni

(48) 3371-1733 e9650-6190 – Márcio Cabral (diretor geral)

TEXTO E DIVULGAÇÃO:

Raquel Wandelli,

Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones: 37218729 e 99110524

raquelwandelli@yahoo.com.br

www.secarte.ufsc.br

Romancista premiado conversa com leitores na Feira de Livros da EdUFSC

21/03/2012 09:54
“E foi assim que, sem mais escorregar nada não e com bem menos de
dificuldade, ele apegou-se um só instantinho àquele e último galho,
antes de se despenhar de lá de cima e chegar no ao-chão a bordo de um
baque seco cheio de ecos. Que tapa dado em cara de filho e queda de
suicida nunca param de ecoar.”

(trecho de Ao que minha vida veio, de Alckmar Luiz dos Santos)

Tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca se desesquece, sobretudo quando
assistidos por um futuro escritor. Ficam mesmo “atroando ainda depois de terem silenciado
as carpideiras todas, e desaparecido tudo quanto é soluço fingido e não”, como diz a abertura
do romance de Alckmar Luiz dos Santos. Vencedor do Concurso Romance Salim Miguel,
promovido pela Editora UFSC no ano passado, Alckmar faz a cena de um adolescente de 17
anos caindo de um prédio de 12 andares que guardou na memória por muitos anos derivar e
entrelaçar-se à aparição do cometa de Halley em 1954. O romance dá partida nos anos 30 e se
desdobra em quatro décadas de alucinante narrativa, desfilando uma rede de paisagens e de
personagens históricos e fictícios na saga do tropeiro Juca Capucho.

Depois do lançamento em Florianópolis e na capital de São Paulo, obra e autor foram
recebidos em festa em Silveiras, na serra paulista, terra natal do escritor e cenário dessa
narrativa que entremeia lembranças de juventude no universo campeiro e história do Brasil
em tempos de guerra e de esquadria da fumaça. O lançamento na Feira de Livros da UFSC
ocorrerá no dia 21 de março, quarta-feira, às 17 horas, na Praça da Cidadania. Alckmar estará
na Tenda dos Autores para uma conversa com o público, dentro da Programação da Tarde de
Encontro com Leitores. Radicado há 20 anos em Santa Catarina, onde é professor de Letras e
Literatura da UFSC e coordena há 17 anos o Núcleo de Pesquisa em Informática Linguística e
Literatura, maior banco digital de literatura do Brasil, o escritor carrega na sua criação o traço
dos lugares geográficos e literários onde viveu.

Na reinvenção de uma sintaxe tropeira, na largueza e riqueza de vocabulário que lança o
dicionário regionalista em uma linguagem e uma reflexão universalizante, salta aos olhos a
influência da prosa de Guimarães Rosa, cuja obra Alckmar estudou no mestrado. A gramática
ao mesmo tempo erudita e popular, o modo selvagem de enrilhar as frases e puxar os
diálogos, trazendo para o registro escrito o ritmo e a musicalidade da fala tropeira, torna a

leitura desafiante, mas sem freios. A estranheza de vocabulário não param a leitura, trôpega
como um terreno montanhoso, mas veloz como um cavalo xucro. Não é do tipo de romance
que começa devagarzinho, para ir fisgando o leitor aos poucos. Ao que minha vida veio começa
com o cavalo encilhado e dispara até o fim, antes que o leitor pense em saltar, montado na
garupa de um narrador que busca descobrir na história de sua região, suas próprias origens: o
nome do pai e da mãe que lhe são escondidos.

Na busca de repostas para sua história pessoal, há o esforço de reconstrução de fatos da
história do Brasil. “Por exemplo, há uma passagem do cometa Halley, contada pelo meu
avô, que ficou muito espantado ao ver voar aquela bolona com rabo no céu.” Esse evento
individual se emaranha a casos importantes para a região, como a revolução de 1932, quanto
Silveiras foi bombardeada por aviões cariocas das forças federais, chamados de vermelhinhos
pelos habitantes. “É historia que ouço ainda hoje de minha mãe. Ninguém conhecia avião, mas
todos sabiam que dele se jogavam bombas”. A história adentra a Segunda Guerra Mundial,
quando o personagem desiludido, vai, como voluntário da FEB, lutar na Itália e se entremeia
com memórias da infância do autor sobre pessoas que perderam amigos na guerra ou de
jovens que regressaram loucos. O romance passa pelo suicídio de Getúlio, em 54, e segue
sempre cruzando a história miúda com a história grande, uma forma, segundo o responsável
pela essa obra de alquimia, de dizer que uma é tão importante quanto a outra.

Alckmar Santos é professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa
Catarina (UFSC), onde coordena o Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura
e Linguística (NUPILL). Foi pesquisador convidado na Université Paris 3 - Sorbonne
Nouvelle (2000-2001) e na Universidad Complutense de Madrid (2009-2010). É
também poeta, romancista e ensaísta. Autor dos livros Leituras de nós: ciberespaço
e literatura, Dos desconcertos da vida filosoficamente considerada (ensaio e
poemas, respectivamente Prêmio Transmídia - Instituto Itaú Cultural), Rios
imprestáveis (poemas, Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira da revista Cult).

Romance - Ao que minha vida veio...
Autor: Alckmar Santos
Editora UFSC
Páginas: 202
Preço: R$ 15,00

Data: dia 21 de março de 2012.
Hora: 17 horas

Local: Tenda dos Autores Feira de Livros da UFSC, Praça da Cidadania

Contatos do autor:

E-mail: alckmar@cce.ufsc.br

Raquel Wandelli
Jonralista – SeCArte – UFSC
Fones? 37218729 e 37218910 e 99110524
www.secarte.ufsc.br www.ufsc.br

O florescimento da poesia na capital mundial da guerra

21/03/2012 09:46
Seis décadas da lírica alemã são apresentadas nessa seleção de 64 poemas
organizados e traduzidos pelos professores do curso de Alemão Rosvitha
Friesen Blume e Markus Weininger. Em um trabalho de antologia inédito no
Brasil, a obra contempla talentos da poesia em língua alemã desde o Pós-
Guerra até o início do século XXI. A amostra selecionada tem um caráter
panorâmico, embora sem a pretensão de abranger a totalidade de nomes,
eixos temáticos, especificidades formais e tendências estéticas do período. A
obra está sendo lançada pela editora da UFSC no dia 21, às 17 horas, na Feira
de Livros da editora da UFSC, na Praça da Cidadania, em frente ao prédio da
Reitoria.

A seleção passa por nomes internacionalmente consagrados como o de Paul
Celan, pela poesia política dos anos 60 de Hans Magnus Enzensberger, pelo
experimentalismo lingüístico do austríaco Ernst Jandl, pelo cantor e poeta
Wolf Biermann, expatriado pela então Alemanha Oriental, por Erich Fried, o
poeta talvez mais popular deste período, pela poesia da década de 70, mais
voltada para a subjetividade, com Rolf Dieter Brinkmann e Nikolas Born, por
Durs Grünbein, um destaque nos anos 90 na Alemanha recém reunificada, e
pela geração do novo século, como Silke Scheuermann e Nico Bleutge, entre
outros.

Além de dirigir-se ao público leitor brasileiro em geral, a antologia bilíngue
proporciona aos conhecedores da língua alemã a leitura dos poemas
selecionados na língua de origem, de modo a tornar visível o inevitável,
e ao mesmo tempo fascinante processo de reconstrução e de recriação
que se opera em qualquer tradução. Concebida como livro didático para
cursos de Letras, de Estudos da Tradução e de áreas afins, a antologia vem
acompanhada de uma introdução detalhada à poesia alemã das seis últimas
décadas e de um elucidativo posfácio sobre a tradução de poesia.

P.S. Os dois autores estarão no dia 21, às 17 horas, na Tarde de Encontro
com Leitores, na Tenda dos Autores, junto à Feira de Livros da editora da
UFSC, para conversar com os leitores sobre sua obra. (Praça da Cidadania,
em frente ao prédio da Reitoria)