Museu Universitário recebe coleção com objetos de 180 etnias indígenas

Há cerca de uma década, o geólogo
Rodrigo Del Olmo Sato, 36 anos, começou a colecionar objetos etnográficos adquiridos
em tribos indígenas da região amazônica para onde viajava prestando consultoria
a empresas. Em pouco tempo, ele tinha em casa um acervo com 180 objetos, entre
arco, flechas, cestarias, cerâmicas, artes plumares, colares, alfinetes de
nariz e chocalhos, representando a cultura de 53 grupos indígenas do país.
Começou então a classificá-los e catalogá-los e percebeu que a paixão tinha de
dar lugar ao senso de preservação. Tomou assim a decisão de transferir esse
acervo a uma instituição que pudesse conservá-lo e exibi-lo para mais pessoas e
o Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral, da UFSC, pareceu-lhe o lugar
ideal.
A coleção que a antropóloga
Cristina Castellano recebeu nesta segunda-feira (28) à tarde das mãos do
geólogo em nome da direção do Museu Universitário vai ficar exposta dentro da
coleção de Etnologia Indígena em regime de comodato por dez anos que podem ser
renováveis pelo proprietário. “É só para eu ter a sensação de que ainda estou
próximo desse material”, diz Sato, que resolveu fazer a cessão quando se deu
conta da necessidade de um local adequado para preservar os frágeis objetos,
sobretudo os adornos plumares. Natural de Curitiba e dono de uma empresa que
presta consultoria na área de hidrogeologia, Sato realizou muitas outras
viagens também pelo Estado de Santa Catarina, quando arregimentou um
significativo mostruário sobre o modo de vida das etnias indígenas (Guarani,
Xocleng e Caingang) e também pensa em doá-lo ao museu futuramente.
A doação ocorreu no auditório do
Museu Universitário, na presença de amigos do museu e de participantes do
Projeto Museu em Curso, que vieram prestigiar a palestra do museólogo e
antropólogo italiano, professor da Sapienza Università di Roma, Vicenzo
Padiglione, sobre patrimônio cultural nas
comunidades. Advindo das tribos Apalay, Arara, Arawete, Baniwa, Bororo,
Kalapalo, Paresi, Xokleng e Kaiapó-Gorotire, entre outras etnias do norte do
país, os objetos receberão os cuidados necessários a sua preservação e
integridade, garantiu Cristina. “A importância maior dessa doação é a
diversidade de origens, o que abre flanco para novas pesquias”, explica a
museóloga Viviane Wermelinger. O material complementa, segundo ela, a coleção
de outros antropólogos que pesquisaram tribos do norte, como o já falecido
Sílvio Coelho dos Santos, que se deteve na etnia Xokleng.
Texto:
Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC
Fones:
37218729 e 99110524
















