Mulher agricultora lança livro de poemas na Feira da UFSC

29/02/2012 16:00

Agricultora, agente comunitária e professora aposentada, Leonilda Antunes Pereira, 59 anos, não casou nem teve filhos. Mas na pequena propriedade que mantém com o irmão em Rio Mansinho, no interior de Fraiburgo, parece ter adotado como parte da família tudo que voa, tudo que zurra, tudo que é verde, tudo que é vida. O amor pelo silêncio do lago de peixes, pela algazarra dos pássaros, pela lida com o velho jumento marchador do nordeste que o avô materno lhe confiou antes de morrer e por toda a bicharada que desfila em suas poesias é tão grande quanto o amor que tem pelas causas sociais e pelos seres humanos. Gralha Azul, nas asas da esperança, que a Editora UFSC lança no dia 7 de março, com a presença da autora, na Feira de Livros de volta às aulas, na Praça da Cidadania da UFSC, a partir das 14 horas, é um livro onde essa mulher do campo registra com densa singeleza, seu encantamento pelo convívio com a natureza e pelas possibilidades do trabalho social voluntário.

Lula, reconhecida pelo seu trabalho voluntário

As duas vertentes dessa poesia narrativa que lembra um cordel do planalto catarinense estão bem sintetizadas pelo símbolo da gralha azul, nome do programa social e ambiental que ela homenageia no livro. Ao mesmo tempo em que pinta o mundo com seu azul exuberante, o pássaro faz sua tarefa social e ecológica, semeando o fruto do pinhão, ajudando a salvar a araucária da extinção e preservando a fonte de renda das famílias pobres do oeste serrano ”.  Como o pássaro semeador, Leonilda é agente comunitária de saúde pelo município de Fraiburgo e membro do Conselho Municipal Antidrogas (Comad) e do Projeto Microbacias.

O lançamento do primeiro livro de Leonilda marca as comemorações do Dia Internacional da Mulher e o reconhecimento do Conselho Editorial da EdUFSC a um tipo de expressão escrita valorizada pelos Estudos Culturais como “Literatura dos Excluídos”, que vai além da obra e do padrão estético aprovado pelas academias. “Nela, o estético está comprometido com o campo político e existencial da autora, que envolve  sua prática social pela preservação da terra e promoção do homem do campo”, assinala o editor, Sérgio Medeiros.

Desde menina, Lula, como é conhecida por toda gente, afeiçoou-se ao hábito da leitura e da escrita, inspirada no avô Antonio Antunes Abrão, que embora sem nenhuma escolaridade, era um grande amante da poesia. Ele costumava reunir ela, irmãos e primos em volta da lareira para contar histórias em forma de versos. “Eu o ou via e admirava… Com o tempo, a escrita passou a ser uma necessidade. Vejo a natureza, veja as coisas acontecerem… Quando surge a vontade de criar eu me levanto de madrugada, seja a hora que for, pra colocar no papel uma inspiração”.

Nascida em Lebon Régis em 1952, Lula conta que dava aulas como professora de escolas seriadas na cidade de Fraiburgo, mas decidida a mudar de vida, migrou para uma área ainda mais rural, onde se tornou agricultora. Foi nesse meio que abraçou trabalhos sociais de apoio e conscientização à famílias carentes sobre condições de saúde, meio ambiente, prevenção de dependência a drogas e alcoolismo. Em 1991, participou junto com outras mulheres da primeira reunião do Gralha Azul, programa de orientação à saúde e à cidadania de famílias sem-terras e foi convidada para integrar o grupo. A reunião dos originais para publicação do livro foi incentivada pelos próprios técnicos da equipe. “Eles é que me fizeram dar valor ao que eu escrevia”, conta.

RITMO DA NATUREZA

A maior parte dos poemas são registros rimados das etapas que vivenciou no programa, onde permaneceu atuando como voluntária durante 21 anos, até o projeto ser extinto. A ele a autora dedica muitos versos: “Gralha Azul é uma ave/Que habitava o nosso chão, Que pela sobrevivência/Sabia plantar pinhão./Hoje pela incoerência/Está quase em extinção,/Porque o belo pinheiro/ Já não existe na região. Agora empresta seu nome/ Nessa grande missão, /Para mostrar ao ser humano/ O que é preservação,/Com isso dizer ao mundo / Que ao amor e humanidade/ Nos faz todos irmãos./

No trabalho voluntário, ela usa a linguagem poética, a contação de histórias e também a montagem teatral para sensibilizar principalmente as crianças do Assentamento Rio Mansinho e da comunidade de Catiras para a necessidade de preservação da terra onde vivem e de se afastarem das drogas e do alcoolismo.  “Se eu não conseguir reverter a situação dos mais velhos, não vou deixar as crianças irem para o  caminho da destruição”.

Os versos misturam personagens humanos e inumanos que atravessam seu cotidiano.  A defesa da igualdade entre todos os seres herdou do pai, José Antunes Pereira, grande amante da natureza e defensor dos animais. “Tenho paixão pela vida animal e acho muito importante para o ser humano essa convivência. Pra mim o bicho tem tanto sentimento quanto a gente, tem compreensão e tudo”. Em sua propriedade, chamada Síto Pai Tejo, em homenagem ao pai, os animais quase falam com ela: “É muito gratificante essa vida”.

Lula, que nunca conheceu o ex-presidente da República, mas já era chamada assim antes de saber da sua existência, termina todos os seus poemas se apresentando, à moda dos trovadores, como em “Estrelinha da manhã”: “Como pode um ser tão pequeno/Conter uma alma tão grande?/Queria escrever coisas bonitas/ Mas meu ser se encabula/ Recebe a flor do meu agradecimento/ E um grande abraço da Lula”. Longos e marcados por um vocabulário simples e rimas cheias, os versos mostram trabalho e fôlego de poeta. Além de uma estética própria, a obra carrega um valor histórico, à medida que cita pessoas, acontecimentos e cenários  implicados nesse trabalho que une arte, cultura e cidadania.

A poesia de Lula tem um ritmo alusivo à vida rural, como em “Canção dos Animais”, em que as estrofes são sempre intercaladas pela marcação do verso “O cravo…”:  “Minha gente com licença/Agora vamos brincar/E uma bela canção/Nós aqui vamos cantar./Aprendemos que o roçado/ Não devemos então queimar./ Como fica a bicharada/Onde é que vão morar./ O cravo… Aprendemos direitinho/Fazer a preservação/Com o povo da capital/E os daqui da região./Bicharada tão contente/Agradece comovida,/Pois é muito importante/ Preservar sua vida./ O cravo…”

Embora sendo seu primeiro livro publicado, Lula participou de alguns concursos literários através de editoras em São Paulo e foi selecionada para antologias. Completou o segundo grau e cursou dois anos de letras português, em Palmas, no Paraná. “O livro é a coroação, a valorização do meu trabalho, de tantos anos de dedicação. É um prêmio que eu jamais me considerava capaz de alcançar, um sonho que parecia irrealizável, pois eu não teria condições financeiras de publicar meu livro”, diz ela, que tem mais uns 70 poemas guardados, prontos para uma nova oportunidade.

 

Texto: Raquel Wandelli

Assessora de Comunicação da SeCArte/UFSC

37218729 e 37218910 e 99110524

“Ao que minha vida veio” galopa para os cenários da história

03/02/2012 10:31


“E foi assim que, sem mais escorregar nada não e com bem menos de dificuldade, ele apegou-se um só instantinho àquele e último galho, antes de se despenhar de lá de cima e chegar no ao-chão a bordo de um baque seco cheio de ecos. Que tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca param de ecoar.”

               (trecho de Ao que minha vida veio, de  Alckmar Luiz dos Santos)

 

Tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca se desesquece, sobretudo quando assistidos por um futuro escritor. Ficam mesmo “atroando ainda depois de terem silenciado as carpideiras todas, e desaparecido tudo quanto é soluço fingido e não”, como diz a abertura do romance de Alckmar Luiz dos Santos. Vencedor do Concurso Romance Salim Miguel, promovido pela Editora UFSC no ano passado, Alckmar faz a cena de um adolescente de 17 anos caindo de um prédio de 12 andares que guardou na memória por muitos anos derivar e entrelaçar-se à aparição do cometa de Halley em 1954. O romance dá partida nos anos 30 e se desdobra em quatro décadas de alucinante narrativa, desfilando uma rede de paisagens e de personagens históricos e fictícios na saga do tropeiro Juca Capucho.

Depois do lançamento em Florianópolis e na capital paulista, obra e autor estão sendo recebidos em festa em Silveiras, no interior de São Paulo, terra natal do escritor e cenário dessa narrativa que entremeia lembranças de juventude no universo campeiro e história do Brasil em tempos de guerra e de esquadria da fumaça. O lançamento ocorrerá às 19h30min, na Terra dos Encantos. Radicado há 20 anos em Santa Catarina, onde é professor de Letras e Literatura da UFSC e coordena há 17 anos o Núcleo de Pesquisa em Informática Linguística e Literatura, maior banco digital de literatura do Brasil, o escritor carrega na sua criação o traço dos lugares geográficos e literários onde viveu.

Na reinvenção de uma sintaxe tropeira, na largueza e riqueza de vocabulário que lança o dicionário regionalista em uma linguagem e uma reflexão universalizante, salta aos olhos a influência da prosa de Guimarães Rosa, cuja obra Alckmar estudou no mestrado. A gramática ao mesmo tempo erudita e popular, o modo selvagem de enrilhar as frases e puxar os diálogos, trazendo para o registro escrito o ritmo e a musicalidade da fala tropeira, torna a leitura desafiante, mas sem freios. A estranheza de vocabulário não param a leitura, trôpega como um terreno montanhoso, mas veloz como um cavalo xucro.  Não é do tipo de romance que começa devagarzinho, para ir fisgando o leitor aos poucos. Ao que minha vida veio começa com o cavalo encilhado e dispara até o fim, antes que o leitor pense em saltar, montado na garupa de um narrador que busca descobrir na história de sua região suas próprias origens: o nome do pai e da mãe que lhe são escondidos.

Na busca de repostas para sua história pessoal, há o esforço de reconstrução de fatos da história do Brasil. “Por exemplo, há uma passagem do cometa Halley, contada pelo meu avô, que ficou muito espantado ao ver voar aquela bolona com rabo no céu.” Esse evento individual se emaranha a casos importantes para a região, como a revolução de 1932, quanto Silveiras foi bombardeada por aviões cariocas das forças federais,  chamados de vermelhinhos pelos habitantes. “É historia que ouço ainda hoje de minha mãe. Ninguém conhecia avião, mas todos sabiam que dele se jogavam bombas”. A história adentra a Segunda Guerra Mundial, quando o personagem desiludido, vai, como voluntário da FEB, lutar na Itália e se entremeia com memórias da infância do autor sobre pessoas que perderam amigos na guerra ou de jovens que regressaram loucos.  O romance passa pelo  suicídio de Getúlio, em 54, e segue sempre cruzando a história miúda com a história grande, uma forma, segundo o responsável por essa obra de alquimia, de dizer que uma é tão importante quanto a outra.

Sobre o autor
Alckmar Santos é professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde coordena o Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL). Foi pesquisador convidado na Université Paris 3 – Sorbonne Nouvelle (2000-2001) e na Universidad Complutense de Madrid (2009-2010). É também poeta, romancista e ensaísta. Autor dos livros Leituras de nós: ciberespaço e literaturaDos desconcertos da vida filosoficamente considerada (ensaio e poemas, respectivamente Prêmio Transmídia – Instituto Itaú Cultural), Rios imprestáveis (poemas, Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira da revista Cult).

Sobre o livro
Romance  – Ao que minha vida veio…

Autor: Alckmar Santos

Editora UFSC

Páginas: 202

Preço: R$ 29,00
Lançamento
Data: dia 3 de fevereiro de 2011.

Hora: 19h30min
Local: Terra dos Encantos, em Silveiras (São Paulo)

Contatos do autor:

E-mail: alckmar@cce.ufsc.br

Textos: Raquel Wandelli

Jornalista – SeCArte – UFSC

Fones: 37218729 e 37218910 e 99110524

www.secarte.ufsc.br   www.ufsc.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

EDITORA UFSC O poeta e o ornitorrinco, entre o drama e a folia

22/12/2011 04:21

De folias e melodramas, de festa e de luto. Disso é feito a arte e a vida. A nossa vida e a dos poetas, que fazem da tragédia e da celebração a matéria-prima da epifania poética, como Rodrigo de Haro, que lançou na terça-feira à noite, na Fundação Cultural Badesc, dois livros de poemas em uma única edição pela Editora UFSC. Juntas, as duas obras, Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas, costuram a unidade antagônica representada pela imagem dessa espécie meio ovípara, meio mamífera que o autor homenageia no título e no poema “Ornitorrinco”.

Dando vazão à nova obra poética do multiartista ou pan-artista Rodrigo de Haro, a Editora UFSC brindou seus leitores com uma concorrida noite de vinho, poesia e virtude integrada as comemorações do aniversário de 51 anos da universidade. Depois de ouvir a secretária de Cultura e Arte, Maria de Lourdes Borges e o diretor da Editora Sérgio Medeiros discursarem sobre a importância de sua obra, o poeta falou ele próprio do seu ímpeto criativo. Em seguida, vestido de terno branco, com um cravo na lapela e o indefectível chapéu panamá, retribuiu a acolhida dos leitores realizando um sarau na varanda do prédio histórico do Badesc. Em meio a uma grande roda de amigos e admiradores, na maior parte artistas e intelectuais como ele, leu, com um fundo sussurrante de guitarras, versos escolhidos, entre Folias e Melodramas, o primeiro, composto de poemas mais reflexivos e o segundo, mais narrativos.

A imagem do ornitorrinco bem representa esse poeta-pintor, filho do artista plástico Martinho de Haro e de Maria Palma, uma dona de casa de notória sensibilidade. “Elaborado, como todos nós, de partes antagônicas para maior triunfo da unidade”, o ornitorrico é, como escreve o poeta, “animal sonhador que fecunda e brota de si mesmo”. Nascido em 1939 em Paris, por peripécias do destino, Rodrigo foi o fruto da lua de mel parisiense dos pais, que gozavam uma viagem de estudos recebida como prêmio pelo famoso pintor modernista.

Resgatado às pressas da maternidade quando os nazistas invadiram a França, o recém-nascido fugiu nos braços dos pais da capital mundial da arte, e retornou para a instância da São Joaquim no planalto catarinense, a quem dedica com grande afeto suas melhores elaborações surrealistas em conto e poesia. Sobre essa história, diz ainda o poema: “Celebremos as núpcias do ornitorrinco/ gentil e pertinaz. Brindemos/ a natura folgazã, que – /por incansável amor/ao paradoxo – cheia de/ recursos, concebeu/este jardim de todas as delícias/ com a torre inclinada e/o tarot de Marselha./– Mas sobretudo/criou o ornitorrinco solidário”.

Na transgressão da dualidade entre o universal e o local, o sagrado e o profano, o clássico e o maldito, o político e o surreal se constrói o universo imagético desse delicado e erudito artista que deixou a escola ainda adolescente para construir um caminho próprio de formação. O paradoxo Rodrigo de Haro tem 14 livros publicados e pelo menos outros seis manuscritos (de contos, poemas, novelas) esperando edição. Sua marca como artista plástico – o único catarinense que consta nos catálogos internacionais como pintor e poeta surrealista – está em vários cantos de Florianópolis, onde se criou entre artistas e intelectuais e se confunde com a própria paisagem da Ilha. A mais notória cobre as paredes externas do prédio da Reitoria da UFSC, onde construiu o maior mosaico em extensão do país, com 430 metros quadrados.

SHAKESPEARE E A DITADURA

Dos tempos da Ditadura Militar guarda uma história incrível. Ele a conta em tom baixo e com reserva – não quando lhe pedem, mas quando quer demonstrar o quanto a arte e a erudição, ao contrário do que prega o senso comum, podem elevar o espírito, não importa a classe social. Anos 60, integrante do grupo dos poetas surrealistas brasileiros (Cláudio Willer, Roberto Piva), foi preso perambulando à noite pelas ruas de São Paulo. Jogado em uma cadeia paulista com presos comuns, teve que se apresentar.

Quando os líderes da população carcerária souberam que o novo companheiro era um poeta, exigiram-lhe uma prova: que recitasse seus versos. Emparedado, Rodrigo só se lembrou de Hamlet, de Shakespeare, do qual sabia algumas falas de cor. Começou a declamá-lo e ao chegar à célebre passagem “A vida não passa de uma história cheia de som e fúria contada por um louco significando nada”, todos estavam a sua volta, aplaudindo-o, alguns mudos, outros em pranto. Os 20 dias de prisão passaram depressa para o novo líder-poeta, que comandou longas noites de sarau e leituras compartilhadas. Dessa história, quase uma epifania, ficou a certeza de que a literatura não precisa – nem deve – ser facilitada para se tornar acessível, pois como o ornitorrinco, a arte é feita de uma matéria que brota dentro das mentes e corações.

 

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones: 37218729 e 99110524

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LANÇAMENTO: A urgência poética de Rodrigo de Haro

22/12/2011 04:13

Esqueça-se a Teia.

Observe-se a aranha,

suas pernas concêntricas

de estrela. A vetustez

enorme da surda

aranha na parede.

Esqueça-se a vã

literatura que a per-

segue com patas

ligeiras. Traz muita

fortuna a filha

de Saturno.

(Rodrigo de Haro, “Inseto”, de Folias do Ornitorrinco)

 

Aos 72 anos, Rodrigo Antônio de Haro trabalha com paixão e afinco entre a palavra e a imagem. Empoleirado desde cedo em um andaime de alumínio no atelier de sua casa na Lagoa da Conceição, o multiartista executa uma grande tela de q

uatro metros quadrados para o altar-mor de uma Igreja em Curitiba depois de ter entrado a madrugada revisando os originais de seus dois novos livros de poesia. E assim o artista sai do cavalete e volta para a escrivaninha, criando, criando… “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano”, bem fala o próprio Rodrigo no poema Invenção do olfato”. O verso integra os dois volumes inéditos de poemas que o artista lança pela Editora UFSC no dia 20 de dezembro, às 19h30min, na Fundação Cultural Badesc, na rua Visconde de Ouro Preto, em uma noite de festa para a arte e a literatura.

Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco integram uma única e primorosa edição, embalados como um presente para o público desta fase de jorro criativo de Rodrigo -, que tem mais cinco livros na gaveta. São obras manuscritas em folhas de papel amarelo onde o autor desenha e lapida poemas, contos, novelas, ensaios, que vão compor cadernos ilustrados com desenhos, envoltos na beleza e raridade de um pergaminho. Além da compreensão cada vez mais plural e aberta da vida e da arte, o peso dos anos só deu mais urgência a esse monge da arte, consagrado além das fronteiras do estado e do país pela palavra, pela pintura e pela erudição. Com o “álbum duplo” de poesia, a Editora UFSC encerra um ano de grandes lançamentos e comemora o aniversário de 51 anos da universidade.

O menino artista de São Joaquim deixou a escola aos 16 anos para formar-se por conta própria aproveitando os estímulos dos pais, sempre mergulhados no mundo da sensibilidade e do conhecimento. Difícil encontrar uma expressão artística que ele não tenha experimentado: roteiro para cinema, novela, conto, poesia, aquarela, mosaico, pintura — até adaptações de literatura para rádio-novela ele fez. Integrante transgressor do grupo Litoral que atuou em Santa Catarina no final dos anos 50 e do grupo de poetas (Roberto Piva, Cláudio Viller, Antônio Fernandes Franceschi) que consolidou o surrealismo no Brasil a partir dos anos 60 e se confrontou com a Ditadura Militar. Como uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira, na avaliação do Editor Sérgio Medeiros, seus poemas guardam uma musicalidade poética serena e trágica ao mesmo tempo: “Primeiro amar os dados,/tutores das moradas. Sempre/com malícia atirá-los/sobre a mesa sem ocupar-se/de outras faces – Onde vais?/ Agito o copo,/atiro as pedras./Tantos tactos sono- /rosos trato – dados por/vertigem lado a lado./Furtar sem felonia,/abrir última porta.” (Folias do Ornitorrinco)

Retornando eternamente ao lar e ao mistério sagrado da vida, o filho do pintor Martinho de Haro e de Maria Palma, produz sua arte de uma concepção sempre transversal sobre os seres e as coisas. O maldito e o sublime, o sagrado e o profano compõem uma única dimensão do presente, que busca sua força ontológica na tradição. Nesse tempo anacrônico do poeta, a ousadia estética se alicerça no legado clássico. “Sim, abre as janelas, as janelas cegas./Deixa cair a chuva misturada ao vinho/sabático da Beladona. Espia. Ouve/os fatigados rios do mundo e saúda/Dona Urraca, a intrépida, girando/a chave do abismo”. (Espelhos do Melodrama).

Conforme rezam as escrituras sobre a cena bíblica, onde o apóstolo S. Pedro recebe de Cristo as chaves da Igreja, a mesma cena que inspirou artistas célebres como Velásquez: “…com estas chaves aquilo que ligares na Terra, será ligado nos céus; aquilo que desligares na Terra será desligado nos céus…”. Enquanto dá ao ramo de oliveira a última pincelada, Rodrigo fala sobre sua obra poética:

  1. 1.       Que motivações éticas e estéticas têm movido a sua poesia?

 

Rodrigo de Haro: Todo poeta almeja cativar a matéria, dominar, fazer cantar a energia adormecida nas coisas. Precipitar a metamorfose das coisas é missão do poeta, conferir asas ao inanimado. A poesia, disse Balthazar Gracian, consiste em preservar o espanto: – o caderno alado que voa…

 

  1. 2.       Como um multiartista, você desafia a manifestação mais recorrente entre os criadores, que é dominar bem apenas uma ou no máximo duas modalidades literárias e mesmo artística. E você transita pela poesia, conto, ensaio, novela e também por várias expressões das artes plásticas. Como é esse trânsito da literatura para as artes plásticas?

 

Rodrigo de Haro: Não acho que desafie. Acontece simplesmente que o mundo é um laboratório mágico, uma gruta de ressonâncias e apelos, onde se entremostram tentações e miragens. Nada é impossível para esta arte combinatória – a poesia – capaz de acordar (sim…) os mortos. Literatura, conto, ensaio e novela? É tudo poesia, se for de – fato coisa real.

Sim, sou também pintor – logo desenhista. Apenas pintor e desenhista.  Às vezes me aventuro no conto, é verdade. Tenho mesmo participado de algumas antologias até fora do País. O som, a palavra, começa na alma. Pois só a poesia é familiar do sagrado.

 

  1. 3.       Que autores têm mais inspirado sua obra poética?

 

Rodrigo de Haro:  Acima das divergências (só aparentes) está a unidade da inspiração e da busca. Na verdade ouso me aproximar de uma ilustre família, aquela de Michelangelo, Blake que se manifestaram no desenho e na pintura e na escrita e na pintura e tantos outros. A criação desconhece fidelidade partidária. O preconceito difuso (que de fato existe) contra a multiplicidade é uma inovação recente, desconhecida na China e no Japão, por exemplo. Utamaro sentia-se tanto poeta quanto aquarelista. E gostaria de reconhecer minha dívida com Rilke e o poeta expressionista alemão Georg Trackl e o grande G. Sarcer de la Cruz.

 

  1. 4.       O sagrado sempre esteve presente na sua pintura e na sua obra literária, mas você também é normalmente discutido em relação aos poetas malditos. Como você vê essa relação entre o sagrado e o profano – ou maldito – no seu trabalho poético?

 

Rodrigo de Haro:  Malditos? Quem são? Maldito é título de nobreza, é ser politicamente incorreto? É possível. No mundo midiático, mecânico, em que vivemos é uma grande honra: Dante, Villon, os místicos, foram malditos também em seus dias, não é verdade?

 

  1. 5.       O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… De uma certa forma esses elementos são sempre recorrentes na sua poesia… Você acredita que eles ainda ajudam a compreender o mundo hoje?

 

Rodrigo de Haro:  A verdadeira poesia aproxima-se demais do ominoso para não provocar arrepios em alguns momentos. “Aqueles que levantam o véu….”. O sagrado, que nos ultrapassa está na essência da ordenação poética. Meu trabalho é aquilo que é. Sou apenas o servidor de uma força maior que, de um modo ou de outro, com esforço e trabalho tento dominar, ordenar, logo que sou tomado por esta visitação dos espaços exteriores ao pragmatismo. A pulsação do sangue, a respiração e a dança são parte integrante das forças ativas da memória e da nostalgia operante. A poesia solicita liturgia, algo que o surrealismo intuiu (e também explorou) com bastante inteligência. Breton-Hudini, por exemplo, foi um agente muito perspicaz…

 

  1. 6.       E sua obra poética e pictórica é também sempre classificada ao lado do grupo de poetas surrealistas, com quem de fato você escreveu uma trajetória. Você se identifica com esse rótulo?

 

Rodrigo de Haro: Sou irredutível a grupos, exceto socialmente. As escolas são sempre provisórias e o surrealismo me parece como estética ter perdido a inocência: Frida Kahlo, por exemplo, riu-se do movimento quando em Paris. Sua realidade, o seu entorno, o México coberto de caveiras de Jaguar em obsidiana, colocou o surrealismo. Dentro de medidas bastante discretas. O fantástico de Buñuel é sempre maior quando ele se afasta do surrealismo. Viridiana, Nazarin, Los olvidados. Mas… naturalmente agrada-me o discurso surrealista.

 

  1. 7.       O mito, o sagrado, o inumano, a tradição, a memória… Esses elementos estão sempre gerando sua poesia e sendo gerados por ela… Você acredita que essas dimensões clássicas ainda ajudam a compreender a vida no mundo em que vivemos?

 

Rodrigo de Haro: Sim, uma certa tradição hermética me fecunda. Acredito que os valores do sagrado e só eles poderão salvar o mundo. Este mundo em que vivemos.  É preciso reencantar o mundo através do apelo ao silêncio e também a outros ritmos compatíveis com a expansão do ser. O ético e o social devem expandir-se sem coerção, sem decretos, mas segundo o desabrochar da consciência de cada homem: pois todos sabemos de nossos deveres, todos podemos comunicar da mesma alegria. Basta abrir a porta.

 

  1. 8.       Vejo que sua obra é povoada por esposas vegetais, animais contemporâneos ou míticos, seres heterogêneos. Nos originais do livro Folias do Ornitorrinco que estão no prelo da Editora da UFSC, vi alguns versos que evocam o caráter trans-humano da arte, como em “Invenção do olfato: “Dizem que nunca o artista é inteiramente humano/ seu rosto modelado por visível piedade/ Fala também com os répteis do lobo e sonha”. O filósofo francês François Lyotard cita em O inumano uma frase de Apollinaire segundo a qual “a Arte mantém-se fiel aos homens unicamente por sua inumanidade para com eles”. O que você pensa dessa relação entre a arte e o não humano?

 

Rodrigo de Haro: Devemos acreditar na comunhão dos seres, das coisas. O olhar da criança é um olhar cúmplice dos anjos, logo fala com as coisas e os bichos. “O olho da flor da arnica amarela à minha porta, piscou-me esta manhã. Toda poesia de verdade será trans-humana por definição, pois cabe a ela restabelecer uma corrente rompida na queda, o antigo elo solidário entre as coisas e as criaturas.

 

  1. 9.       Espelho dos Melodramas e Folias do ornitorrinco: como se pode falar dessas obras que você lançar pela Editora da UFSC?

 

Rodrigo de Haro: E esses dois volumes de poesia acompanham Voz, Idílios vagabundos e Lanterna mágica, outros inéditos que produzi nos últimos tempos, neste voluntário recolhimento do Morro do Assopro. O primeiro deles representa minha adesão ao campo lírico, ao drama – pois trata (por vezes) do excesso, dos movimentos violentos ou dolorosos do espírito, mas com humor. Já Folias do Ornitorrinco obedece a um caráter sintético. São dois livros diferentes, mas compostos pelo mesmo homem. Estão próximos.

 

  1. 10.   Quais são os grandes autores da literatura brasileira e qual a melhor contribuição que deram, no seu ponto de vista, à renovação literária?

 

Rodrigo de Haro: Guimarães Rosa, Lúcio Cardoso.

 

  1. 11.   Na convivência com o multiartista Rodrigo de Haro, percebe-se que estamos diante de um homem de 72 anos com uma rotina de trabalho diria até rigorosa, obstinada. Como é essa rotina e o que o move dessa forma ao trabalho artístico? Você se sente tomado por um sentimento de urgência de criação?

Rodrigo de Haro: Trabalho artístico ou simplesmente trabalho… Com o tempo, estabelecida a rotina, torna-se impossível fugir a ela. O trabalho de um atelier-escritório é riquíssimo. É tudo a fazer o tempo todo. Os quadros te arrastam para o cavalete, os cadernos sussurram nos ouvidos. Impossível aproximar-se do material sem ser de novo absorvido pelo visgo da invenção, do retoque, de alguma nova sugestão.

 

  1. 12.   Que outros projetos ainda estão saindo do atelier multiartístico de Rodrigo de Haro? A propósito, qual a importância do ambiente de trabalho no seu processo de criação?

Rodrigo de Haro: Sempre são muitos os projetos, pois o hábito contínuo da reflexão se resolve em sonhos de realização urgentíssimos. Nada é mais importante do que sonhar para materializar.

Texto e entrevista a Raquel Wandelli

 

Lançamento: Livro-embalagem “Poemas”

(Folias do Ornitorrinco e Espelho dos Melodramas)

Autor: Rodrigo de Haro

Editora UFSC

Quando: 20 de dezembro, às 19h30min

Onde: Fundação Cultural Badesc

Entrada aberta ao público

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones: 37218729 e 99110524

raquelwandelli@yahoo.com.br

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Museu Universitário recebe coleção com objetos de 180 etnias indígenas

28/11/2011 19:10


Há cerca de uma década, o geólogo
Rodrigo Del Olmo Sato, 36 anos, começou a colecionar objetos etnográficos adquiridos
em tribos indígenas da região amazônica para onde viajava prestando consultoria
a empresas. Em pouco tempo, ele tinha em casa um acervo com 180 objetos, entre
arco, flechas, cestarias, cerâmicas, artes plumares, colares, alfinetes de
nariz e chocalhos, representando a cultura de 53 grupos indígenas do país.
Começou então a classificá-los e catalogá-los e percebeu que a paixão tinha de
dar lugar ao senso de preservação. Tomou assim a decisão de transferir esse
acervo a uma instituição que pudesse conservá-lo e exibi-lo para mais pessoas e
o Museu Universitário Oswaldo Rodrigues Cabral, da UFSC, pareceu-lhe o lugar
ideal.

A coleção que a antropóloga
Cristina Castellano recebeu nesta segunda-feira (28) à tarde das mãos do
geólogo em nome da direção do Museu Universitário vai ficar exposta dentro da
coleção de Etnologia Indígena em regime de comodato por dez anos que podem ser
renováveis pelo proprietário. “É só para eu ter a sensação de que ainda estou
próximo desse material”, diz Sato, que resolveu fazer a cessão quando se deu
conta da necessidade de um local adequado para preservar os frágeis objetos,
sobretudo os adornos plumares. Natural de Curitiba e dono de uma empresa que
presta consultoria na área de hidrogeologia, Sato realizou muitas outras
viagens também pelo Estado de Santa Catarina, quando arregimentou um
significativo mostruário sobre o modo de vida das etnias indígenas (Guarani,
Xocleng e Caingang) e também pensa em doá-lo ao museu futuramente.

A doação ocorreu no auditório do
Museu Universitário, na presença de amigos do museu e de participantes do
Projeto Museu em Curso, que vieram prestigiar a palestra do museólogo e
antropólogo italiano, professor da Sapienza Università di Roma, Vicenzo
Padiglione, sobre patrimônio cultural nas
comunidades. Advindo das tribos Apalay, Arara, Arawete, Baniwa, Bororo,
Kalapalo, Paresi, Xokleng e Kaiapó-Gorotire, entre outras etnias do norte do
país, os objetos receberão os cuidados necessários a sua preservação e
integridade, garantiu Cristina. “A importância maior dessa doação é a
diversidade de origens, o que abre flanco para novas pesquias”, explica a
museóloga Viviane Wermelinger. O material complementa, segundo ela, a coleção
de outros antropólogos que pesquisaram tribos do norte, como o já falecido
Sílvio Coelho dos Santos, que se deteve na etnia Xokleng.

Texto:
Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

Fones:
37218729 e 99110524

raquelwandelli@yahoo.com.br

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Café Filosófico discute cultura industrial cibernética

24/11/2011 15:20


A série Café Filosófico deste semestre encerra na sexta-feira, (25/11), às 19 horas, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), com o filósofo Rodrigo Duarte falando sobre “Indústria cultural 2.0”. Com acesso público e gratuito, o ciclo de encontros deste semestre iniciou em agosto promovendo uma série de palestras seguidas de debates dedicados à temática Estética e Filosofia da Arte. Presidente da Associação Brasileira de Estética e natural de Minas Gerais, Duarte é bacharel e mestre em Filosofia pela UFMG com a dissertação “O Conceito de Natureza em O capital”, de Marx. Realizou doutoramento na Universität Gesamthochschule Kassel, na Alemanha, onde defendeu a tese sobre o filósofo Theodor Adorno, considerado o grande crítico da indústria cultural.

Professor titular do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais, Duarte é autor do livro Teoria crítica da indústria cultural, publicado pela Editora UFMG em 2003, no qual faz uma abordagem crítica sobre o fenômeno da indústria cultural em relação ao capitalismo até chegar à cultura internáutica. O autor traça um percurso histórico desde a fundação da Escola de Frankfurt até os desdobramentos econômico-políticos atuais do fenômeno da globalização da cultura de massa, passando pelas formulações de Marcuse, Benjamin e detendo-se em Adorno. As principais áreas de atuação do conferencista são: Estética e Filosofia Social.

Mesmo ciente das diferenças entre o mundo globalizado e o estágio capitalista dos anos quarenta, quando atuaram os teóricos dessa escola, Rodrigo Duarte procura mostrar o quanto a crítica de Adorno e Horkheimer ainda permanece válida. Mostra como todo o aperfeiçoamento da tecnologia da indústria cultural teve a orientação de enfatizar o tratamento que ela dispensa a seus consumidores, tratados sempre como objetos de investigação estatística. Permanece, na indústria cultura, a “invariável tentativa de mantê-los em um estado de manipulação e de menoridade através de estereótipos e formas que privilegiam sempre a resignação perante o sistema como um todo”, explica o  Verlaine Freitas, professor do Departamento de Filosofia da UFMG, em comentário à obra. A professora Cláudia Drucker, do Curso de Artes Cênicas, que também foi palestrante dessa série será debatedora nesta rodada.

Realizado desde 2009 pela Secretaria de Cultura e Arte com apoio da Pós-Graduação em Filosofia e Núcleo de Investigações Metafísicas, o ciclo Café Filosófico promove o encontro mensal de estudantes, professores e pesquisadores com grandes filósofos da contemporaneidade para a discussão de temas atuais e emergentes abordados por renomados estudiosos. “É uma forma de democratizarmos o acesso ao saber filosófico e divulgarmos a obra dos pensadores que mudaram nosso modo de pensar e ver a realidade”, pontua a secretária de Cultura e Arte da UFSC, Maria de Lourdes Borges. As exposições são marcadas pelo caráter introdutório e acessível ao grande público e se encerram sempre com uma mesa de café.

Raquel Wandelli (jornalista, SeCarte) / Contatos: (48) 99110524 – 37219459  /  / / www.secarte.ufsc.br

 

 

Divulgação:

Raquel Wandelli

Jornalista da UFSC na SeCArte

raquelwandelli@yahoo.com.br

Informações: 37218304

 

 

Semana Ousada de Artes: encontro com o artista Pita Camargo

23/11/2011 18:06

Como parte da programação da Semana Ousada de Artes UFSC/Udesc, nesta quinta-feira, às 15h, o artista blumenauense Pita Camargo participa de uma discussão com o público na Sala Goiabeira, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC. O escultor, que no ano que vem completará 30 anos de dedicação à arte, vai mostrar um vídeo sobre o processo criativo e falar sobre a arte conceitual, citando a escultura submersa de sua autoria na reserva biológica Marinha do Arvoredo, em Bombinhas, Santa Catarina. Esta obra foi instalada no fundo do mar, da IIha da Galé, em 1993, e é baseada na arte conceitual de preservação.

Reserva Biológica "Marinha do Arvoredo" - Bombinhas, Santa Catarina

Para o escultor, o processo criativo depende de muito trabalho. “O artista tem que vivenciar o ofício da criação. Não é um esforço só mental, mas real para virar algo concreto. Por isso minha obra não é efêmera, ela busca a eternidade”, comentou Camargo. Sobre a criação no mármore ele explica que é uma tarefa dura, mas de prazer pessoal. “É um trabalho difícil, pois tem que cortar e furar. O mármore vem de Cachoeira de Itapemirim, no Espírito Santo, e custa entre U$ 500 e U$ 800 o metro cúbico. Todo artista se expressa pela sua individualidade, e essa é uma das minhas formas de expressão”, reiterou o escultor.

Sobre as suas obras o artista comenta que a princípio as pessoas ficam curiosas primeiramente por se tratar de um trabalho em mármore. “As pessoas se surpreendem, pois com o mundo contemporâneo é preguiçoso eles se perguntam porque trabalhar com o mármore, bater na pedra, e pensar sobre isso já é interessante”.

Camargo achou excelente o convite para participar da Semana Ousada, mas salientou que o Estado ainda está carente de investimentos na arte, no sentido de valorização da arte catarinense. “Há novos artistas, alguns já consagrados e os que estão caminhando, e nós precisamos de investimentos para todos, pois o artista tem que divulgar suas obras e interagir mais com o público. Seria muito bom se as empresas fizessem o seu papel artístico e cultural, investindo em obras de arte”, finalizou o escultor.

Confira a programação completa da semana em www.semanaousada.ufsc.udesc.br

José Fontenele / Bolsista de Jornalismo da Agecom

Acompanhe as notícias sobre a Semana OUsada de Artes:

– Semana Ousada de Artes: oficina mostra como construir presépios em argila

– Semana Ousada também convida a experimentar

– Banda SatisFire é a atração do Projeto 12:30 desta quarta

– Semana Ousada de Artes: “Sinfonia Terra” arrebata público na estreia; programação continua até sexta

– Semana Ousada de Artes: pianista André Pires se apresenta nesta terça

– Semana Ousada de Artes: mais de cem espetáculos abertos ao público

– 4ª Semana Ousada de Artes começa nesta segunda com uma semana de espetáculos gratuitos

– Semana Ousada de Artes: começa hoje a Mostra de Cinema Argentino

– Ainda há vagas para oficinas gratuitas na Semana Ousada de Artes UFSC UDESC

– Começa distribuição gratuita de ingressos para 4ª Semana Ousada de Artes

– IV Semana Ousada oferece 22 oficinas de arte gratuitas e abertas ao público

– Semana Ousada de Artes: André Pires revira o cânone do piano brasileiro e dá oficina

Oficinas da Semana Ousada convidam a experimentar

23/11/2011 11:56

Não haverá atrevimento em experimentar cores, cheiros, sons e texturas nas universidades Federal e do Estado de Santa Catarina até a próxima sexta-feira. A 4ª Semana Ousada de Artes UFSC/UDESC começou ontem (21/11) em Florianópolis e em outras cidades do Estado. A semana, mais do que um espaço de liberdade artística, é também o espaço para experimentar e conhecer. Essa é a oportunidade que adultos e crianças vão ter para entrar em contato com as mais variadas manifestações artísticas e trocar experiências através da fotografia, pintura, música, dança e teatro. As oficinas e exposições são gratuitas e abertas ao púbico. Ao todo, são 25 oficinas, ministradas por profissionais da área.

Passear pelo campus da UFSC é atiçar a curiosidade de aprender o que, normalmente, não se encontra nas ruas das universidades. Na Praça da Cidadania da UFSC, bem em frente ao Centro de Cultura e Eventos, acontece durante o dia todo oficinas abertas de produção de peças de cerâmica, esculturas de mármore, presépios, desenhos e lambe-lambe – pequenas xilogravuras produzidas pelos participantes. Não é preciso fazer inscrição e nem marcar horário. Quem ficar interessado em participar é só conversar com os artesãos e começar a aprender, junto deles, as técnicas e os desafios de cada atividade.

Tânia Fernandes, ministrante da oficina de cerâmica, comenta a importância de oferecer aulas de artesanato ao ar livre e em contato direto com a comunidade. “A oficina relâmpago é de grande importância para o artesanato”, defende, ao referir-se à oportunidade de mostrar o seu trabalho para um público tão diversificado.

Além das atividades de artesanato, a Semana Ousada de Artes manifesta-se através de exposições de fotografias e roupas feitas com renda de bilro. No Hall do Centro de Cultura e Eventos da UFSC estão à mostra fotos de “Momenti”, uma exposição fotográfica de Eduardo Trauer, que apresenta os desfiles, a moda e o cotidiano em suas viagens a Itália e roupas de “Vivo de Renda”, coleção de moda que traz a renda de bilro como peça principal, confeccionada a partir da pesquisa sobre o acervo da cultura açoriana no Museu Universitário.

 

Para conferir a programação completa da Semana: http://www.semanaousada.udesc.ufsc.br/

 

Por Ricardo Pessetti / Bolsista de Jornalismo da Agecom

Por uma ecologia profunda – “Sinfonia Terra”, um espetáculo arrebatador

23/11/2011 11:15

Sob a regência do maestro Jeferson Della Rocca e do compositor/pianista/maestro Alberto Andrés Heller, a Camerata Florianópolis estreou no dia 21 de novembro, às 20 horas, pela segunda vez desde que foi criado, o comovente espetáculo Sinfonia Terra.  Recém concebido pelo compositor Alberto Heller, a orquestra teve a participação do Polyphonia Khoros e solos da soprano Masami Ganev e do barítono Douglas Hahn. Com dois telões ao lado estampando os poemas que inspiraram o maestro, a apresentação incluiu Tzigane para violino e orquestra, de Ravel (com solo de WaleskaSieczkowska) e o Concerto para violoncelo e orquestra, de Elgar (com solo de Anderson Fiorelli), obras que exigem grande virtuosidade por parte do violinista e da orquestra e servem de fundo para o tema da vida no planeta.

O título “Terra” faz referência à questão ambiental, presente nos textos e poemas que integram a obra, que reverencia
Goethe, William Blake, Alphonse de Lamartine, Dante, Issa, Basho, Shiki e Buson, cantados em seus idiomas originais (alemão, inglês, francês, italiano e japonês). Heller procura traduzir em sons a experiência de uma eco

logia profunda, onde humano e não-humano, matéria e espírito, natureza e cultura se mesclam quase que indistintamente, de tal forma que a sustentabilidade do planeta aparece indissociavelmente ligada à nossa capacidade de entrar em harmonia e equilíbrio com os inúmeros sistemas que compõem o complexo vida. Segundo Heller, a obra é resultado de uma grande procura literária emusical de textos que levam ao cerne dessas questões da vida em torno das quais a contemporaneidade se debruça.

“Sinfonia Terra” arrebata público na estreia. Programação continua até sexta

23/11/2011 10:31


http://www.semanaousada.udesc.ufsc.br/


Auditório Garapuvu, lotado, prestigiou evocação a uma "ecologia profunda"

Um auditório lotado por cerca de mil pessoas ovacionou emocionado na noite de ontem (21) o espetáculo “Sinfonia Terra”, apresentado pela Camerata Florianópolis e Poliphonya Khoros na abertura da 4ª Semana Ousada de Artes UFSC/UDESC, que até a sexta-feira (25), oferece uma centena de grandes espetáculos gratuitos e abertos ao público. Com a proposta de criar um espaço artístico de reflexão sobre a humanidade e o meio ambiente, sob a regência do maestro Jeferson Della Roca e Alberto Heller, o espetáculo conseguiu arrebatar a plateia, somando o poder de duas três artes melódicas: a orquestra, o canto lírico da soprano Masami Ganev e do barítono Douglas Hahn, e os versos de grandes autores como Goethe, William Blake, Alphonse de Lamartine, Dante, Basho, entre outros que postularam na poesia uma nova relação do homem com o ecossistema. “Nos enche de orgulho saber que uma produção com essa agudeza artística é da nossa própria terra”, elogiou o reitor Álvaro Prata ao comentar o espetáculo de estréia.

A semana prossegue às 20 horas desta terça-feira no auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos da UFSC com o Recital do pianista André Pires, um dos mais celebrados músicos, compositores e pesquisadores da área no país. Na quarta-feira, às 21 horas, a peça Dentro Fora, e na quinta-feira, em dois horários, 19 e 21 horas, a peça Oxigênioserão as grandes atrações da noite da Semana, todas ainda com vagas. Ao abrir o evento, às 20 horas, o reitor Prata registrou a importância das duas universidades continuarem reunindo seus esforços em torno da Semana Ousada para fortalecer a vida cultural na Capital e no Estado, sobretudo para cativar o público jovem. A secretária Maria de Lourdes Borges lembrou a importância da iniciativa na democratização do acesso à arte para as amplas camadas da população que não pode custear as entradas de grandes espetáculos como os que estão sendo apresentados. Falando em nome do reitor da Udesc, o Pró-reitor de Extensão Cultura e Comunidade, Paulino Cardoso, acentuou o crescimento e a descentralização da quarta edição da Semana Ousada, que agora comtempla não apenas a capital, mas 16 cidades do Estado.

Reitor Álvaro Prata, Fábio Caliari (UDESC), Maria de Lourdes (SeCArte) Joceli Souza (FCC) e Paulino Cardoso (UDESC)

Fazem parte desse supercircuito de arte e cultura as cidades de Araranguá, Balneário Camboriú, Calmon, Chapecó, Curitibanos, Dionísio Cerqueira, Guarujá do Sul, Joinville, Lages, Laguna, Ibirama, Matos Costa, Palma Sola, Palmitos, Pinhalzinho e São Bento do Sul. São mais de cem espetáculos gratuitos e abertos ao público, sendo sete de dança, 13 de música, 25 de teatro, oito de cinema, um de moda, além de 13 exposições, seis palestras. Um dos pontos fortes da programação é a oferta de 25 oficinas das mais variadas áreas artísticas, ministradas por profissionais de renome, todas ainda com vagas, exceto a de fotografia (Fotografando o In-visível). As apresentações ocorrem em mais de 40 espaços culturais pelo Estado, a maioria concentrada em Florianópolis.

Paralelamente começou ontem, no Auditório da Reitoria, a Mostra de Cinema Argentino, que até o dia 25 vai apresentar seis grandes realizações cinematográficas da década de 40 aos anos recentes, mostrando os percursos históricos dessa arte. O projeto 12:30 também está ocorrendo todos os dias, com uma pauta intensa de bandas e músicos e a  TV UFSC está transmitindo uma programação especial em homenagem ao poeta Cruz e Sousa, com a exibição do documentário Cruz e Sousa, a volta de um desterrado, de Cláudia Cárdenas e Rafael Schlichting e do filme  Cruz e Sousa o poeta do Desterro, do cineasta Sylvio Back, que será transmitido no dia 24 de novembro, Às 23 horas.

A secretária de Cultura e Arte da UFSC Maria Borges aconselha o público que quiser assistir as quatro apresentações mais concorridas a chegar um pouco antes do horário marcado para conseguir os ingressos que sobraram da distribuição antecipada. Para os demais eventos da programação e oficinas não é  necessário retirar bilhetes de entrada. “Estamos oferecendo ao grande público a oportunidade de entrar em um circuito cultural inteiramente gratuito, fruindo o que há de mais contemporâneo e arrojado em todas as expressões artísticas ”, convida a secretária.

Principais espetáculos – ainda com vagas

Recital André Pires – 22 de novembro, às 21 horas

O pianista, maestro, professor e pesquisador (arconte) André Pires apresenta o espetáculo musical Presciliano Silva e Francisco Valle: ousando a tradição, no qual toca (ao piano) e comenta peças desses dois compositores mineiros do século XIX que ele resgatou em sua tese de doutorado, defendida em junho último na Unirio. André Pires propõe associações entre as peculiaridades das duas obras e as diferentes tradições musicais em que ambos mergulharam. Ambos os compositores tiveram parte de sua formação no Rio de Janeiro, mas Silva estudou depois em Milão, e Valle em Paris.

Na abertura da tese, André comenta: “A música de Presciliano, operística ao gosto franco-italiano, perdeu espaço para a música romântica de viés germânico, quando da substituição do Império pela República em 1889; e a músicainternacionalista de Valle caiu no ostracismo após a instalação da hegemonia do pensamento nacional-modernista pós-1922”. Professor do Curso de Música da Universidade Federal de Juiz de Fora, André Pires é premiado como pianista e como regente de coros – tendo conquistado o título de melhor regente no Concurso Sudamericano de Interpretación Coral, na Argentina, em 2004.

No mesmo dia – às 10h da manhã, também no auditório Garapuvu, entrada franca – André oferece uma Oficina de Performance Musical a cantores e instrumentistas. Na primeira parte da Oficina (também ao piano) ele fala sobre a questão da exegese do texto musical, da relação partitura/performance. Na segunda parte, ouvirá e comentará performances de participantes, individuais ou em grupo. Com relação aos pianistas ele poderá abordar questões de ordem técnico-instrumental específicas.

Dentro Fora – 23 de novembro, às 21 horas.

A peça Dentro Fora é uma homenagem a uma das mais famosas obras de Samuel Beckett, Dias Felizes. O espetáculo é uma metáfora sobre o ser humano contemporâneo. Conta o momento de duas personagens chamadas apenas Homem e Mulher, que se encontram presas dentro de duas caixas. A peça explicita a imobilidade do ser humano perante a vida.

 

            Oxigênio – 24 e 25 de novembro, das 19 às 21horas.

Com a encenação de “Oxigênio”, a companhia brasileira de teatro lança no Brasil a obra de Ivan Viripaev, completamente inédita no país. O trabalho do dramaturgo, nascido na Sibéria, tem forte identificação com o trabalho da companhia. “A musicalidade da palavra expressa no texto, a forma de se colocar diante do público e a revisão do teatro como forma de contato com a plateia são apenas alguns dos elementos que nos conquistaram”, conta o diretor Márcio Abreu. O texto trata de assuntos contemporâneos como violência, terrorismo, racionalidade, consumismo. “Discute tudo isso investigando sobre o que é essencial na existência”, completa.

Dirigida por Marcio Abreu, com Patrícia Kamis, Rodrigo Bolzan e Gabriel Schwartz, o Vadeco, responsável também pela música, a trama parte de um crime passional. Um homem, acusado pelo assassinato da própria mulher é condenado, juntamente com sua amante. A partir dessa fábula começa uma discussão, polêmica e poética, sobre dramas de uma geração e o que é o “oxigênio” de cada um. A peça estreou em dezembro de 2010 na sede da companhia brasileira de teatro em Curitiba.

 

ATENÇÃO:

Para mais informações e fotos sobre as peças acesse o site da IV Semana Ousada de Artes.

http://www.semanaousada.udesc.ufsc.br/

Principais locais de apresentação:

Cinema

Hall do Centro de Cultura e Eventos/UFSC.

Auditório da Reitoria – UFSC

Dança:

Hall do Centro de Cultura e Eventos/UFSC

Cearte/UDESC

Teatro:

Igrejinha da UFSC.

Concha Acústica/UFSC.

Auditório Garapuvu – Centro de Cultura e Eventos/UFSC

Música:

Auditório Garapuvu Centro de Cultura e Eventos/UFSC

Concha Acústica/UFSC – atividades todos os dias

Centro Cultural de Laguna.

Exposições:

Hall do Centro de Cultura e Eventos/UFSC

Sala Pitangueira Centro de Cultura e Eventos / UFSC.

Balneário Camboriú – CESFI – Centro de Convivência.

Oficinas:

Sala Laranjeira, Centro de Cultura e Eventos / UFSC.

Praça da Cidadania/UFSC.

Moda:

Pachá

Palestras

Auditório Garapuvu – Centro de Cultura e Eventos/UFSC

Sala Goiabeira – Centro de Cultura e Eventos / UFSC

Auditório do Bloco Amarelo/UDESC

 

Divulgação:

Raquel Wandelli

Jornalista da UFSC na SeCArte

raquelwandelli@yahoo.com.br

Informações: 37218304

 

ousadaufscudesc@reitoria. ufsc.br

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