Triplica participação no II Festival de Música da UFSC

03/06/2011 11:53

Um total de 120 músicos apresentou suas composições para o II Festival de Música da UFSC até o meio-dia desta sexta (3) quando se encerra o prazo das inscrições. Sem contar as inscrições no período da tarde, o número de participantes já é três vezes maior ao da edição do evento do ano passado e surpreendeu a comissão organizadora da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC. “Esperávamos atrair mais compositores, mas não imaginávamos tanto sucesso”, afirma a secretária Maria de Lourdes Borges. Com esse crescimento muito acima do esperado, a comissão prorrogou a divulgação do resultado de 20 de junho para início de julho, de modo a dar tempo de selecionar as canções que irão ao palco em agosto. Na última atualização deste site, às 15h30min, já eram 126 inscritos.
 
O Festival vai mobilizar o meio musical da Grande Florianópolis com a realização de dois eventos: o lançamento do CD e do DVD da primeira edição, no dia 13 de julho, às 20 horas no Auditório Garapuvu do Centro de Eventos da UFSC, e a mostra dos selecionados para o II Festival, que ocorrerá nos dias 27 e 28 de agosto, das 18 às 22 horas, na Praça da Cidadania do campus universitário. A escolha das 20 composições que integrarão a mostra também foi estendida para o período de 8 a 30 de junho, para que a Comissão de Seleção, integrada por cinco músicos e produtores, consiga concluir o trabalho de avaliação.
 
O nome dos músicos, bandas e composições vencedores será divulgado no site www.secarte.ufsc.br e os músicos premiados receberão troféu e terão suas composições gravadas em CD e DVD com produção profissional. Apenas no último dia previsto para o encerramento inicial das inscrições (31 de maio), 76 músicos apresentaram suas composições na SeCArte. A maior parte é integrante de bandas de Florianópolis e de bairros próximos a UFSC, já que a participação se limita a moradores da Grande Florianópolis e estudantes, professores e servidores técnico-administrativos dos Campi de Florianópolis, Curitibanos, Joinville e Araranguá.
 
“Vamos redimensionar o Festival para o próximo ano considerando esse potencial de crescimento surpreendente e a possibilidade de ampliação para nível estadual”, avalia o coordenador do evento, Marco Valente, que coordena também o Projeto 12:30 do Departamento Artístico-Cultural da UFSC. A secretária acredita que o impacto do Festival mostra um interesse emergente da juventude de Florianópolis pela produção musical. E também aponta que nos dois últimos anos a universidade tornou-se uma referência importante na área, com a realização do projeto 12:30, 12:30 acústico, Madrigal, Coral, Festival de Música e UFSCstoock e que deve desembocar na criação do seu primeiro curso de graduação em música.
 
Primeiro festival de música na UFSC desde a década de 80, o evento iniciará com a apresentação dos grupos selecionados e será encerrado pelo show de duas bandas consagradas de Florianópolis: no dia 27, a banda John Bala Jones (pop) e no dia 28, o Grupo Engenho (rock regional que fez muito sucesso nos anos 70 e 80). Com o intuito de repetir a experiência dos grandes festivais universitários, o evento quer incentivar a pesquisa, a diversidade de estilos e a produção musical com excelência.
 
Raquel Wandelli (jornalista, SeCarte)
Contatos: (48) 99110524 – 37219459
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Exposição celebra o culto ao Espírito Santo

01/06/2011 14:45

 
Junho é mês de celebração do culto ao Divino Espírito Santo, que permanece como a mais marcante herança cultural dos povoadores açorianos para a religiosidade do povo catarinense. Do peditório e das novenas, à coroação do plebeu e aos cortejos, a Festa do Divino Espírito Santo é a expressão mais viva desse misticismo cultural onde o sagrado e o profano se encontram e onde as classes sociais se igualam por pelo menos três dias.  A exposição Culto ao Divino Espírito Santo, que a Secretaria de Cultura e Arte da UFSC inicia a partir de hoje (1º) até o dia 15 de julho no Espaço Cultural do Núcleo de Estudos Açorianos é uma oportunidade de conhecer todos os aspectos desse ritual coberto de mistérios e simbolismos que liga o litoral catarinense a Açores.
Fotografias, trajes, objetos em cerâmica, indumentárias e alfaias compõem com heterogeneidade de linguagens essa mostra em reverência à Festa do Divino, que para as comunidades açorianas mais tradicionais é um acontecimento religioso tão ou mais importante que o próprio Natal, segundo Cletison, coordenador do Núcleo de Estudos Açorianos e historiador. A exposição reúne indumentárias legítimas que vestem os festeiros durante as celebrações e os cortejos, além das alfaias que cobrem a imagem do Espírito Santo, como coroa, cetro, bandeira, bordões, velas e estandartes utilizadas durante as Festas no Arquipélago dos Açores e em Santa Catarina. Tanto aqui quanto lá, são realizadas no mesmo dia, em comemoração ao Petencostes (cinqüenta dias após a ressurreição) que este ano cai em 12 de junho.
Um grande diferencial é a exposição do Cortejo do Divino em cerâmica figurativa que reproduzem os personagens da Festa. As miniaturas produzidas pelos artesãos Paulo e Osmarina Villalva expressam bem a importância simbólica dessa cerimônia, que dura 50 dias incluindo os rituais preparatórios e três dias de festa propriamente dita. Também estão expostos os conjuntos de trajes de imperadores- mirins da cidade de Florianópolis, um Tambor da Folia do Espírito Santo vindo da cidade de Penha e uma Rabeca um instrumento usado nas cantorias do Divino, trazido pelo Nea da cidade de Imaruí, enquanto a Bandeira do Divino Espírito Santo, o maior símbolo da manifestação, é originária da Cidade de Itajaí. Já a Coroa, o Cetro e a Salva em prata lavrada, são originários da Ilha Terceira/Arquipélago dos Açores, esclarece o historiador.
As fotos de Joi Cletison reconstituem os rituais e aspectos das festas do Espírito Santo em cidades de Santa Catarina e dos Açores em São José, Santo Antônio de Lisboa, Ribeirão da Ilha e também do Arquipélago Açorianos Terceira, Graciosa e Pico nos Açores, onde esteve por diversas vezes. Trazem cenas significativas que iniciam pela preparação do ritual com as novenas, o peditório da passagem das comunidades e Irmandades com a imagem do Espírito Santo de casa em casa. Documentam a festa propriamente dita, em suas celebrações sagradas e também profanas, com os cortejos, cantorias, missas, os leilões de prendas arrecadadas, bailes, folias e comilanças até a coroação do plebeu e a eleição do festeiro para organizar o evento do ano seguinte.
A exposição, que comemora também os 263 anos da chegada dos Açorianos a Santa Catarina, está aberta até o dia 15 de julho, de segundas a sextas-feiras, no horário das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas.
 

ORIGEM HISTÓRICA
 
Criada pelo abade Joaquim de Fiori, a Teoria do Espírito Santo, que deu origem a esse ritual, foi introduzido no século XII, na Itália. Como a celebração fracassou em sua terra natal, o religioso a trouxe para Portugal. O ritual herdado dos açorianos passou por muitas atualizações, como a cobrança dos pratos e quitutes produzidos pela comunidade em favor da Igreja. “Em Açores, toda a comida arrecadada continua sendo distribuída graciosamente como símbolo de celebração e partilha do alimento”, diz Cletison. No arquipélago dos Açores, as esculturas comestíveis de partes do corpo (mãos, pés, braços, cabeça, coração) que são oferecidas pelos beneficiados de uma graça divina em gesto de retribuição, são moldadas em alfenim, uma mistura doce feita de açúcar, trigo e limão. No litoral catarinense, os moldes ganham corpo em massa sovada de pão.
Tanto lá quanto cá permanecem elementos marcantes, como a coroação do plebeu, o ponto alto da festa, quando um religioso transfere para alguém da comunidade a coroa, pela qual recebe o poder real e divino de mediar o destino do seu povo. O gesto significa que a comunidade não precisará de um monge nem de um sacerdote para guiá-la, pois as hierarquias foram suspensas e todos estão em condições de igualdade em um momento de conflito bélico, por exemplo, o que lembra muito os rituais pagãos do Carnaval.
 
Raquel Wandelli
Jornalista na Secretaria de Cultura e Arte da UFSC
99110524 e 37219459
raquelwandelli@yahoo.com.br
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