A capoeira é considerada hoje a expressão cultural e política que melhor sintetiza o legado da língua, da tradição, da oralidade e da história da escravidão no Brasil. Os antigos mestres capoeiristas, que são os grandes guardiões deste tesouro histórico, estão desaparecendo. Em Florianópolis, apenas seis sobrevivem hoje do ensino dessa luta-arte, em situação quase de miséria, segundo mostra o novo número da revista Nova cartografia social brasileira – Capoeira da Ilha. O Fascículo 18 da revista será lançado nesta quarta-feira, 28, às 19h, no ginásio de Capoeira do Centro de Desportos da UFSC (bloco 6).

O objetivo da Central Catarinense de Capoeira de Angola com a publicação é valorizar a capoeira e incentivar o trabalho desses mestres para que a prática não desapareça. Durante o lançamento, os adeptos à capoeira de Angola farão a Roda de Abertura 2012, também chamada “roda da revolta”, onde os praticantes dão uma demonstração do significado político e histórico dessa arte, que quer ser entendida, sim, como resistência e luta por igualdade de direitos, conforme o coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sociedade Contemporânea, segundo, Fábio Machado Pinto, professor do Centro de Educação da UFSC.
Produzida por alunos e professores de diversos departamentos, a revista é um dos primeiros resultados da Bolsa Cultura, programa de fomento a projetos na área implementado no ano passado pela Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, que remunerou os bolsistas e pagou a impressão. Quem pratica capoeira em Florianópolis? Quem são os mestres? Como vivem? Como sobrevivem? Qual o sentido histórico da capoeira? Essas questões são respondidas pela revista, que foca no testemunho dos antigos mestres capoeiristas e traz um mapa com a localização das rodas de capoeira e projetos socioculturais. A venda do fascículo, a R$ 5,00, será revertida na compra de materiais necessários para o ensino da prática nas comunidades, como forma de ajudar na sobrevivência desses mestres e preservar a capoeira de Angola em Florianópolis, que tem hoje cerca de 600 praticantes, segundo o professor.
Para essas entidades em torno da preservação da capoeira, o conhecimento é a melhor forma de não deixar que se esvazie seu significado político, religioso e cultural pelas tendências atuais a transformá-la em uma técnica desportiva com interesses meramente comerciais ou para a prática da violência. O projeto Nova cartografia social faz parte de uma parceria da UFSC com a Universidade do Estado do Amazonas. Um novo lançamento será feito no dia 7 de abril, na roda de capoeira do Mercado Público.
Raquel Wandelli
Jornalista na SeCArte (UFSC)
Mais Informações:
Fábio Pinto (coordenador do Núcleo Educação e Sociedade Contemporânea)
91020461