CAFÉ PHILO

20/06/2012 15:28

Descartes, Foucault, Paul Ricoeur, Blanchot, Rousseau, Bataille, Deleuze, Sartre, Albert Camus, Luc Nancy, Derrida. O que há em comum entre esses pensadores de linhas epistemológicas tão distintas? Além de serem todos de origem francesa, eles ajudam a configurar o pensamento contemporâneo em nível internacional. Teóricos franceses são o foco do Ciclo Café Philo, que a partir de exposição seguida de debate estuda a contribuição desses e de outros autores para a formação do pensamento ocidental. Gratuitas e abertas ao público em geral,as sessões ocorrem quinzenalmente nas quartas-feiras.

Depois de três anos funcionando como um projeto de extensão coordenado pelo professor Pedro de Souza, da Pós-Graduação em Literatura da UFSC, em parceria com a Aliança Francesa, o Café Philo concluiu suas atividades deste semestre promovendo concorridos debates com um público crescente e participativo. Os protagonistas dos encontros deste semestre foram os professores Kleber Prado Filho, com uma conferência sobre o Corpo Disciplinar em Michel Foucault e as novas formas de controle do corpo; Norberto Dallabrida, sobre a tese de Pierre Bourdieu a respeito do racismo intelectual dos sistemas de ensino; Aldo Litaiff, sobre a lição de Pragmatismo na última aula de Émile Durkheim e Marcos José Müller-Granzotto, que apresentou um diálogo entre Merleau-Ponty e Lacan em torno das noções de olhar e pulsão de morte. Com a conferência “Claude-Lévi Strauss e o totemismo”, o professor e poeta Sérgio Medeiros comandou o último encontro de junho, aproveitando para lançar seu livro de poesias “Tótens”.

Ao modo dos antigos cafés parisienses, a ideia do organizador é socializar os estudos de pesquisadores locais e eventualmente de fora sobre teóricos franceses que exercem grande influência no mundo intelectual, valendo-se da combinação sempre profícua entre café e filosofia. Os conferencistas convidados apresentam um recorte, uma intertextualidade ou uma leitura parcial da obra de um ou mais autores e na sequência abrem para o debate. “Valorizamos a informalidade na discussão como a marca do projeto”, explica o linguista Pedro de Souza, que desde o final do ano passado conta também com a parceria do professor Rogério Klaumann, do Departamento de História, e da Secretaria de Cultura da UFSC.

Como se trata de projeto de extensão, os encontros se realizam fora da universidade, em locais do Centro de Florianópolis, como a Aliança Francesa, a Biblioteca Pública do Estado e o Museu Vitor Meirelles. A partir de agosto os cafés passarão a ocorrer no auditório da Fundação Cultural Badesc, no Centro da cidade. “É uma iniciativa capaz de promover a formação intelectual do público que não tem necessariamente um vínculo com o mundo acadêmico e merece ser impulsionada”, enaltece o novo secretário de Cultura e Arte, Paulo Ricardo Berton.

Por Raquel Wandelli