Educação Patrimonial: professores das redes municipais refletem sobre o uso da arqueologia como ferramenta de ensino
A Jornada Arqueológica na Ilha de Anhatomirim reuniu cerca de 80 professores das redes municipais de educação de Florianópolis e Governador Celso Ramos na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim. Promovida pelo Departamento das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina, vinculado à Secretaria de Cultura e Arte (SeCArte) da UFSC, em parceria com o A Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Santa Catarina (Iphan-SC), a Escola do Mar e a Escola do Meio Ambiente das secretarias municipais de educação e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A atividade teve como objetivo refletir sobre formas de utilização do patrimônio arqueológico, cultural e natural como conteúdo pedagógico na Educação Básica.
Realizada em 19 de agosto, entre 9h e 17h, a jornada foi dividida em duas frentes de atividade: uma voltada à arqueologia, com foco técnico-científico, e outra estruturada como caminhada pedagógica pela ilha, com foco na história, no patrimônio e na educação socioambiental.
“A nossa expectativa era de que as reflexões e trocas realizadas ao longo do dia contribuíssem para que os professores visualizassem diferentes possibilidades de mobilizar e aplicar os conteúdos abordados em seus planejamentos”, afirma Dalânea Cristina Flôr, pedagoga do Departamento das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina.
No grupo de arqueologia, conduzido por Pedro Henrique de Almeida Batista Damin, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e Leonardo Tomé de Souza, da Alhambra Arqueo Paisagem, os participantes conheceram aspectos legais e técnicos referentes à arqueologia, bem como a sua importância para compreendermos as sociedades humanas a partir de vestígios materiais. A atividade permitiu ainda que os professores observassem o trabalho arqueológico em andamento na Fortaleza de Anhatomirim e manuseassem artefatos já encontrados no local. 
A apresentação abordou etapas da metodologia científica empregada nas pesquisas arqueológicas, como a organização das escavações em quadrículas e o estudo da estratigrafia. A partir dos objetos encontrados, os professores foram convidados a formular hipóteses e questionamentos sobre o que a cultura material pode revelar a respeito da história e do cotidiano da fortificação.
Paralelamente, outro grupo participou de uma caminhada pedagógica pela Ilha de Anhatomirim e pelos espaços da Fortaleza, conduzida pelos especialistas Roberto Tonera (UFSC); Julia Callado, Aline Figueiredo e Marina Cañas Martins (IPHAN) e Simone Lueneberg Coelho e Miguel Koerig Schuster (ICMBio). A atividade teve como foco a observação do território para além da construção da fortaleza, considerando suas diferentes temporalidades sociais, culturais e ambientais, além dos variados usos da ilha ao longo do tempo e da importância da preservação integrada do patrimônio histórico, cultural e natural.
Durante a jornada, os professores também puderam conhecer aspectos da obra de restauração em andamento na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim. O local é considerado um sítio multitemporal, conceito que permite compreender sua história a partir da relação entre diferentes períodos e dimensões do patrimônio, como arquitetura, arqueologia, território e meio ambiente.
A iniciativa integra o esforço das instituições envolvidas em ampliar o uso do patrimônio arqueológico, histórico e natural como recurso pedagógico para o ensino nas diferentes áreas do conhecimento e nas diferentes etapas do ensino dentro e fora da sala de aula.


















