Companhia de Dança da Universidade Federal de Santa Catarina no Maior Festival de Dança do Mundo

15/05/2026 13:23

Espetáculo “Hassis – Ainda Há Tempo” no Auditório Garapuvu 04/12/2025. Foto: Deiviane Velho

Com apenas dois anos de trajetória, a Companhia de Dança da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) vem consolidando seu espaço no cenário artístico catarinense. Vinculada à Secretaria de Cultura, Arte e Esporte (SeCArtE), a companhia tem como missão representar a universidade por meio da dança e, desde sua criação, em maio de 2024, acumula conquistas que evidenciam a força da produção artística dentro da universidade pública.

Em 2026, a Cia de Dança UFSC conquistou, pelo segundo ano consecutivo, aprovação no Festival de Dança de Joinville, reconhecido como o maior festival de dança do mundo. Neste ano, o grupo levará quatro coreografias para o evento, ampliando sua presença no festival e reafirmando o potencial criativo da companhia.

As obras selecionadas foram:

  • “Quando eu Cheguei Aqui Era Tudo Branco”, conjunto de jazz sênior com coreografia de Bruna Letícia de Borba;
  • “Vento Sul com Chuva”, conjunto de dança contemporânea criado por Maria Eduarda Pazini;
  • “Feitiço de Maresia”, solo de balé neoclássico interpretado por Kamylla Freitas, com criação de Kamylla Freitas e Maria Eduarda Pazini;
  • “Você”, solo de jazz criado e interpretado por Ana Laura.

Três das quatro coreografias aprovadas nasceram a partir do espetáculo “Hassis – Ainda Há Tempo”, desenvolvido pela companhia em homenagem ao artista plástico catarinense Hassis Corrêa, um dos grandes nomes das artes visuais em Santa Catarina. O espetáculo foi construído a partir das obras, cores, símbolos e atmosferas presentes no universo artístico de Hassis, transformando suas pinturas em movimento, pesquisa corporal e narrativa cênica.

Mais do que uma homenagem, “Hassis – Ainda Há Tempo” tornou-se um processo de investigação artística coletiva, no qual bailarinos, coreógrafos e equipe técnica mergulharam no imaginário do artista para construir coreografias que dialogam com identidade, memória, território e sensibilidade. As aprovações no Festival de Joinville representam, portanto, o reconhecimento não apenas das obras coreográficas, mas também do processo criativo desenvolvido dentro da universidade.

“Para a Cia de Dança UFSC, estar no Festival de Dança de Joinville com quatro coreografias representa muito mais do que participar de um festival. Para nós, é ocupar um espaço de reconhecimento artístico, acadêmico e político dentro de um dos maiores festivais de dança do mundo”, afirma Bruna Letícia de Borba, coreógrafa da companhia.

A dimensão coletiva do trabalho é apontada pelos integrantes como uma das principais marcas da Cia. A bailarina e coreógrafa Maria Eduarda Pazini, responsável por duas das obras selecionadas, destaca que os processos criativos surgiram inicialmente a partir da proposta do espetáculo e da pesquisa artística sobre Hassis, e não com foco competitivo.

“Ter duas coreografias aprovadas no Festival de Joinville é um sentimento radiante. O processo criativo de ‘Vento Sul com Chuva’ e ‘Feitiço de Maresia’ nunca foi pensado a partir de competições ou festivais, mas sim das pinturas de Hassis e de todo o universo em que o grupo se submergiu. Por isso, aprovações assim têm um significado muito especial, porque são processos que agora existirão e reverberarão em um novo contexto”, relata Pazini.

Além das coreografias coletivas, os solos também carregam experiências pessoais e emocionais. Kamylla Freitas, selecionada no balé neoclássico, celebra a oportunidade de representar a companhia como solista. “Ser solista este ano é gratificante. Estou muito feliz por mais essa oportunidade. Tudo isso é muito importante para o reconhecimento e crescimento do grupo”, afirma.

Já Ana Laura descreve o solo “Você” como uma obra marcada pela sensibilidade e pela superação pessoal. “A preparação para essa coreografia foi desafiadora. Encarar minhas próprias inseguranças e confiar em mim mesma foi um processo delicado, mas foi enfrentando esses desafios que a coreografia ganhou alma e se tornou exatamente o que sou no meu eu mais íntimo e sincero”, destaca.

O caráter colaborativo da companhia também ultrapassa o palco. O bailarino Kaiky Machado, que participou da criação dos figurinos do grupo, ressalta a importância da troca artística dentro da Cia. “Ano passado fui apenas como apoio e este ano terei o privilégio não só de me apresentar junto deles, mas também de contribuir na criação dos figurinos, que também é minha paixão”, comenta.

Agora, a companhia intensifica a preparação para o Festival de Dança de Joinville, levando ao palco não apenas coreografias, mas também a potência da arte produzida dentro da universidade pública. Para os integrantes, a participação no festival reforça a importância de valorizar espaços de pesquisa, criação e formação artística no ambiente universitário.

“Eu me orgulho muito da capacidade de pesquisa, criação e formação artística que estamos construindo dentro da universidade pública”, conclui Bruna Letícia de Borba.

Texto: Elerson Mario – Estudante do Curso de Artes Cênicas na UFSC. Ator, dançarino e professor de dança. Integrante da Cia de Dança UFSC. 

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