Silveira de Souza e Guido Sassi no Vestibular 2013 da UFSC

10/02/2012 11:54

Dois autores catarinenses constam da relação de livros que vão cair no Concurso Vestibular 2013. Um deles é o livro de contos “Ecos no Porão 2”,

Ecos no Porão, do catarinense Silveira de Souza

do consagrado escritor catarinense Silveira de Souza,  publicado pela Editora UFSC  no ano passado. O outro é Geração do Deserto, romance histórico de Guido Wilmar Sassi, de 1964. Segundo volume da série de livros de contos, Ecos no Porão já está a disposição para leitura on-line no site da Editora UFSC (www.editora.ufsc.br), que também providenciou uma segunda impressão com três mil exemplares. Silveira de Souza irá autografar a obra e conversar com os leitores no seu relançamento na Praça da Cidadania, durante a Feira de Livros da UFSC, que inicia com a volta às aulas, em 5 de março e se estenderá até 4 de abril, quando o volume será vendido com 50% de desconto.

Em Ecos no Porão 2, Florianópolis é o cenário para uma legião de homenzinhos bizarros fazendo cooper com calções esdrúxulos, velhinhos trovadores, desempregados, avozinhas, solteironas, aposentados, enfim, habitantes da vizinhança da Ilha onde pulsa um coração decrépito, murchando para a vida, que pode ser acordado de súbito por um pequeno incidente, a fuga de um canário ou uma rajada de vento. Mas Florianópolis não é mero pretexto para o quase octogenário escritor Silveira de Souza descrever o local onde nasceu e viveu. Mais do que isso, a Ilha é o “mundinho” onde se constituem essas “figurinhas ridículas” e apaixonantes do grotesco que vão ganhar dramaticidade e lirismo no segundo volume da antologia de contos de Silveira.

Esses habitantes ao mesmo tempo ordinários e excêntricos dos porões da ficção de Silveira, que podem estar no café, na Beira-Mar, na Praça XV, no Calçadão ou em quarto de hotel, carregam um traço em comum: todos experimentam o vazio da existência. Mas ao longo das 137 páginas são surpreendidos no automatismo banal do seu dia a dia urbano por sutis acontecimentos que anunciam possibilidades de conhecerem uma dimensão mais sublime da vida. E o que produz esse acesso ao “mundão”? Uma sinfonia de Bethoven, um sonho ou um pesadelo, uma emoção inesperada, uma cena da memória, um abalroamento de carro, enfim, interferências mais ou menos perceptíveis que alteram o estado de coisas e, como em um poema hai kai, sugerem uma revelação.

Considerado o melhor da obra de Silveira, o livro reúne três seleções do próprio autor dos livros Canário de assobio (1985), Relatos escolhidos (1988), Contas de vidro (2002) e ainda cinco contos inéditos, entre eles a narrativa metalinguística “Ecos no porão”, que dá nome à obra e traduz uma metáfora de Silveira para as interferências da leitura dos escritores clássicos que inundam seu imaginário desde os dez anos de idade. Com linguagem habilidosa, uma dose do humor e outra da ironia que lhe são características e ainda um olhar lírico para o grotesco, Silveira parece rir-se baixinho ao final de cada um dos 28 contos, onde reside uma possibilidade de descoberta que nunca se entrega sem esforço do leitor.

Ecos no porão 2 e Geração do Deserto  constam da relação divulgada no dia 7 de fevereiro pela Comissão Permanente do Vestibular, entre oito livros que incluem Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade; Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues; Capitães de Areia, de Jorge Amado; Memórias de um sargento de Milícias, de Manoel Antônio de Almeida (também publicado pela Livraria Digital do Núcleo de Pesquisa Informática Linguística e Literatura da UFSC); Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade e Poesia Marginal, de diversos autores. Os livros são selecionados por professores representantes do ensino médio, do Curso de Graduação e Pós-Graduação em Literatura da UFSC e através de pesquisa em escolas. De acordo com a coordenadora pedagógica da Coperve, Maria Luíza Ferraro, o conhecimento dessas obras supõe capacidade de análise e interpretação de textos, assim como o reconhecimento de aspectos próprios aos diferentes gêneros. Além da leitura integral dos textos, a UFSC recomenda que os candidatos compreendam o contexto histórico, social, cultural e estético dessas obras.

Escolhido como marco das comemorações dos cem anos da Guerra do Contestado, Geração do Deserto inspirou em 1970 o filme Guerra dos pelados, de Sylvio Back. Reeditado três vezes pela Movimento, de Porto Alegre, o livro oferece uma importante reconstituição histórica e literária da vida, da cultura da época e dos personagens dessa guerra que envolveu camponeses, peões, jagunços e coronéis nas disputas territoriais dos estados de Santa Catarina e Paraná.

 

SERVIÇO

Ecos no Porão 2

Autor:  Silveira de Souza

Editora UFSC

Preço do catálogo: R$ 29,00

e a R$ 15,00 na Feira de Livros da UFSC

 

Textos: Raquel Wandelli

raquelwandelli@yahoo.com.br

Jornalista – SeCArte – UFSC

Fones: 37218729, 37218910 e 99110524

“Ao que minha vida veio” galopa para os cenários da história

03/02/2012 10:31


“E foi assim que, sem mais escorregar nada não e com bem menos de dificuldade, ele apegou-se um só instantinho àquele e último galho, antes de se despenhar de lá de cima e chegar no ao-chão a bordo de um baque seco cheio de ecos. Que tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca param de ecoar.”

               (trecho de Ao que minha vida veio, de  Alckmar Luiz dos Santos)

 

Tapa dado em cara de filho e queda de suicida nunca se desesquece, sobretudo quando assistidos por um futuro escritor. Ficam mesmo “atroando ainda depois de terem silenciado as carpideiras todas, e desaparecido tudo quanto é soluço fingido e não”, como diz a abertura do romance de Alckmar Luiz dos Santos. Vencedor do Concurso Romance Salim Miguel, promovido pela Editora UFSC no ano passado, Alckmar faz a cena de um adolescente de 17 anos caindo de um prédio de 12 andares que guardou na memória por muitos anos derivar e entrelaçar-se à aparição do cometa de Halley em 1954. O romance dá partida nos anos 30 e se desdobra em quatro décadas de alucinante narrativa, desfilando uma rede de paisagens e de personagens históricos e fictícios na saga do tropeiro Juca Capucho.

Depois do lançamento em Florianópolis e na capital paulista, obra e autor estão sendo recebidos em festa em Silveiras, no interior de São Paulo, terra natal do escritor e cenário dessa narrativa que entremeia lembranças de juventude no universo campeiro e história do Brasil em tempos de guerra e de esquadria da fumaça. O lançamento ocorrerá às 19h30min, na Terra dos Encantos. Radicado há 20 anos em Santa Catarina, onde é professor de Letras e Literatura da UFSC e coordena há 17 anos o Núcleo de Pesquisa em Informática Linguística e Literatura, maior banco digital de literatura do Brasil, o escritor carrega na sua criação o traço dos lugares geográficos e literários onde viveu.

Na reinvenção de uma sintaxe tropeira, na largueza e riqueza de vocabulário que lança o dicionário regionalista em uma linguagem e uma reflexão universalizante, salta aos olhos a influência da prosa de Guimarães Rosa, cuja obra Alckmar estudou no mestrado. A gramática ao mesmo tempo erudita e popular, o modo selvagem de enrilhar as frases e puxar os diálogos, trazendo para o registro escrito o ritmo e a musicalidade da fala tropeira, torna a leitura desafiante, mas sem freios. A estranheza de vocabulário não param a leitura, trôpega como um terreno montanhoso, mas veloz como um cavalo xucro.  Não é do tipo de romance que começa devagarzinho, para ir fisgando o leitor aos poucos. Ao que minha vida veio começa com o cavalo encilhado e dispara até o fim, antes que o leitor pense em saltar, montado na garupa de um narrador que busca descobrir na história de sua região suas próprias origens: o nome do pai e da mãe que lhe são escondidos.

Na busca de repostas para sua história pessoal, há o esforço de reconstrução de fatos da história do Brasil. “Por exemplo, há uma passagem do cometa Halley, contada pelo meu avô, que ficou muito espantado ao ver voar aquela bolona com rabo no céu.” Esse evento individual se emaranha a casos importantes para a região, como a revolução de 1932, quanto Silveiras foi bombardeada por aviões cariocas das forças federais,  chamados de vermelhinhos pelos habitantes. “É historia que ouço ainda hoje de minha mãe. Ninguém conhecia avião, mas todos sabiam que dele se jogavam bombas”. A história adentra a Segunda Guerra Mundial, quando o personagem desiludido, vai, como voluntário da FEB, lutar na Itália e se entremeia com memórias da infância do autor sobre pessoas que perderam amigos na guerra ou de jovens que regressaram loucos.  O romance passa pelo  suicídio de Getúlio, em 54, e segue sempre cruzando a história miúda com a história grande, uma forma, segundo o responsável por essa obra de alquimia, de dizer que uma é tão importante quanto a outra.

Sobre o autor
Alckmar Santos é professor de Literatura Brasileira na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde coordena o Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL). Foi pesquisador convidado na Université Paris 3 – Sorbonne Nouvelle (2000-2001) e na Universidad Complutense de Madrid (2009-2010). É também poeta, romancista e ensaísta. Autor dos livros Leituras de nós: ciberespaço e literaturaDos desconcertos da vida filosoficamente considerada (ensaio e poemas, respectivamente Prêmio Transmídia – Instituto Itaú Cultural), Rios imprestáveis (poemas, Prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira da revista Cult).

Sobre o livro
Romance  – Ao que minha vida veio…

Autor: Alckmar Santos

Editora UFSC

Páginas: 202

Preço: R$ 29,00
Lançamento
Data: dia 3 de fevereiro de 2011.

Hora: 19h30min
Local: Terra dos Encantos, em Silveiras (São Paulo)

Contatos do autor:

E-mail: alckmar@cce.ufsc.br

Textos: Raquel Wandelli

Jornalista – SeCArte – UFSC

Fones: 37218729 e 37218910 e 99110524

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Lançamentos da Editora UFSC com desconto até sexta na 26ª Feira do Livro

21/12/2011 18:40


Estudantes, pesquisadores e amantes da leitura têm até sexta, 23, para aproveitar os descontos da Editora UFSC na 26ª Feira do Livro de Florianópolis. Autores catarinenses, como Cruz e Souza e Rodrigo de Haro, ao lado dos lançamentos de autores internacionais deste final de ano, como Pierre Bourdieu e Mário Perniola, são os mais procurados até agora. A editora levou para o seu estande na feira um total de duzentos títulos, com promoções que chegam a 50% de desconto.

O livro Homo Academicus, recém-lançado pela editora, reflete sobre a violência do poder simbólico do “universo universitário” na visão do sociólogo francês Pierre Bourdieu. Reconhecida pela densidade e coerência de seu pensamento, a obra Homo Academicus é leitura obrigatória para compreender os mecanismos pelos quais as instituições culturais e políticas operam.

Alckmar Luiz dos Santos, na obra Ao que minha vida veio…, relata a busca do narrador por sua própria identidade, a reconstituição da sua trajetória e a descoberta de quem são seus pais. Uma característica marcante é a linguagem utilizada na obra, que evoca a oralidade dos contadores de causos do interior.

O livro-embalagem “Poemas”, dividido em duas partes: Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco, ambos inéditos, escritos pelo poeta e artista plástico catarinense Rodrigo de Haro é, na avaliação do editor Sérgio Medeiros, uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira.

Foi com Últimos sonetos, volume publicado postumamente em 1905, que João da Cruz e Souza se consolidou em meio à comunidade letrada como um dos fundadores da moderna poesia brasileira. Este é um dos títulos que a Editora UFSC traz, com 50% de desconto, para a 26ª Feira de Livros.

A Editora UFSC realizará uma nova grande feira no campus universitário, na volta às aulas.

 

 

Matheus Moreira Moraes

Estagiário de Jornalismo na SeCArte

matheus.moreira.moraes@gmail.com

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Informações: 37218729

 

 

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Raquel Wandelli

Jornalista da UFSC na SeCArte

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Edufsc apresenta lançamentos na 26ª Feira do Livro de Florianópolis

14/12/2011 18:06

  

A editora da UFSC está presente na 26ª Feira do Livro de Florianópolis no Largo da Alfândega, com promoções que chegam a 50% de desconto. Além dos lançamentos de final de ano, como Ao que minha vida veio, de Alckmar dos Santos, e Homo Academicus, de Pierre Bourdieu, quase duzentos títulos estão à venda no estande da EdUFSC.

O livro Homo Academicus é um dos títulos disponíveis no estande. Recém lançado, com projeto gráfico novo, desenvolvido na universidade, reflete sobre a violência do poder simbólico do “universo universitário”. O sociólogo Pierre Bourdieu é reconhecido pela densidade e coerência de seu pensamento, e Homo Academicus é leitura obrigatória para compreender os mecanismos pelos quais as instituições culturais e políticas operam.

A obra Ao que minha vida veio…, de Alckmar Luiz dos Santos, relata a busca do narrador para reconstituir sua trajetória, descobrir quem são seus pais e definir sua própria identidade. Uma característica marcante é a linguagem utilizada na obra, que evoca a oralidade dos contadores de causos do interior, com passagens repletas de detalhes.

O livro-embalagem “Poemas”, dividido em duas partes: Espelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco, ambos inéditos, escritos pelo poeta e artista plástico catarinense Rodrigo de Haro é, na avaliação do editor Sérgio Medeiros, uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira.

 

Matheus Moreira Moraes

Estagiário de Jornalismo na SeCArte

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Museu Universitário recebe recursos para modernização

14/12/2011 17:43


O projeto “Modernização dos Espaços Museais”, elaborado pelo Museu Universitário, foi aprovado no Edital de Modernização do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) deste final de ano. A partir do primeiro semestre de 2012, de aproximadamente R$ 183.000,00 serão investidos na modernização e ampliação das reservas técnicas do acervo do museu. Uma equipe formada por três profissionais, sendo uma museóloga, uma restauradora, uma arquivista e cinco bolsistas ficará responsável pela organização dos objetos.

Chamados de “reservas técnicas”, os três espaços de guarda de acervo do Museu Universitário têm acesso restrito e controlado. Neles, os objetos do acervo são, depois de submetidos a uma série de procedimentos, finalmente armazenados em locais específicos. Com os recursos do projeto, uma sala será anexada para ampliar os espaços das reservas técnicas I e II.

“Os objetos de maneira geral têm uma sobrevida limitada, o que fazemos em um museu é garantir a longevidade dos objetos, com medidas que tratam de subtrair os fatores de deterioração”, explica Cristina Castellano, diretora da Divisão de Museologia do museu. As medidas vão desde temperatura e umidade constante, dedetização e desinfecção dos objetos com manipulação adequada, higienização dos espaços e dos objetos e documentação adequada até a colocação de portas corta-fogo nas reservas técnicas, fechamento de janelas e melhorias nos sistemas de segurança.

 

Matheus Moreira Moraes

Estagiário de Jornalismo na SeCArte

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Em livro inédito no Brasil, Bourdieu desnuda “racismo da inteligência”

07/12/2011 16:17

Considerado um teórico pessimista das instituições sociais, o sociólogo Pierre Bourdieu nem por isso é menos essencial. Reconhecido também pela densidade e coerência de seu pensamento, oferece uma leitura obrigatória para compreender os mecanismos pelos quais as instituições culturais e políticas operam a exclusão dos não eleitos, sobretudo a instituição da qual faz parte como crítico ferrenho e lúcido: a academia. Homo academicus, que a Editora UFSC acaba de lançar com tradução para língua portuguesa pela primeira vez, está sendo aguardado como a obra que mais exerce a reflexão sobre a violência do poder simbólico do “universo universitário”.

Traduzido do francês pelos professores do Centro de Ciências da Educação da UFSC Ione Ribeiro Valle e Nilton Valle, pela primeira vez em língua portuguesa, Homo academicus é considerado por esses especialistas a obra-prima de Bourdieu. Nela, o sociólogo e filósofo francês questiona profundamente o poder classificatório e autorregulador dos intelectuais, expresso no título do capítulo: “O hit parade dos intelectuais franceses ou quem julgará a legitimidade dos examinadores?”. Crítico consistente das estruturas capitalistas de poder, Bourdieu faleceu em 2002, deixando uma vasta obra com pelo menos 25 livros publicados no Brasil.

A maior parte desses livros é leitura obrigatória na área de humanas. Entre eles foram traduzidos para o português os famosos O poder simbólico (1992) e O que falar quer dizer: a economia das trocas simbólicas (1998), que tratam sobre como o uso da linguagem e da retórica sustenta fronteiras hierárquicas e estratificações sociais. O teórico também abordou a questão do poder entre os gêneros na aclamada obra A dominação masculina (1999). Em Sobre a Televisão (1997),muito citado nos cursos de comunicação e ciência política, o teórico analisa a autocensura e a simplificação do conhecimento pela sua própria classe de intelectuais, que pactuam com os veículos de massa para que possa acontecer a divulgação do saber científico de um modo controlado e banalizado.

Mas é desnudando a opressão dos sistemas de ensino e sua face mais perversa na eliminação das classes desfavorecidas que Bourdieu alcança ampla e imediata repercussão no Brasil. Lançado na França em 1984, Homo academicus integra uma série de quatro livros em que o sociólogo elabora sua complexa teoria sobre os mecanismos escolares de exclusão dos desfavorecidos e eleição dos que ele chama de “herdeiros da academia”, impondo uma “aristocracia de méritos” dissimulada. Processo que Homo academicus demonstra não apenas com argumentos teóricos, mas com amplas pesquisas estatísticas e quadros baseados no cruzamento de indicadores como

capital de notoriedade intelectual, de prestígio científico e de poder universitário com indicadores de poder político, social e econômico herdado ou adquirido.

A obra compõe uma importante tetralogia sobre a dominação escolar ao lado de Les héritiers (Os herdeiros, publicado na França em 1964); A reprodução (1974), escrita em parceria com Jean-Claude Passeron e única da série com tradução no Brasil antes de Homo academicus, e La noblesse d´Êtat (A nobreza do Estado, 1989). Nesse edifício teórico que disseca o pensamento científico como um campo de poder, a educação aparece como instauradora de uma cultura escolar que inculca nos indivíduos um pensamento discriminatório com fortes implicações nas sociedades contemporâneas. Melhor se compreende a radicalidade do pensamento de Bourdieu inserindo-a no calor das tensões que resultaram nos grandes movimentos estudantis contra o autoritarismo das universidades francesas dos anos 60, contexto no qual e contra o qual a obra se insurge.

Bourdieu põe a nu os mecanismos pedagógicos pelos quais a escola efetua um verdadeiro regime de exceção onde o pertencimento a instituições universitárias de grande prestígio social instaura uma superioridade metafísica do indivíduo acadêmico que ele chama de “milagre da eficácia simbólica”. Mostra ainda que a escola é o lugar por excelência da transmissão de uma “lógica secreta”, marcada pela violência simbólica que disfarça seu fundamento “profano” e sua finalidade real de reprodução da sociedade de classes, como esclarece a pedagoga e tradutora Ione Valle, no alentado prefácio a Homo academicus.

– Assim como a “nobreza militar”, a “nobreza escolar” aparece como um conjunto de indivíduos de essência superior, pois, ao selecionar aqueles que a escola designa como mais bem dotados, estabelece-se uma hierarquia no interior das classes juridicamente instituída pelo veredicto escolar, que legitima uma espécie de “racismo da inteligência”, explica a prefaciadora.

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

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Editora UFSC encerra 2011com três grandes lançamentos

07/12/2011 16:12

A Editora UFSC chega a dezembro com três grandes lançamentos encerrando o ano. Um deles é o aguardado livro Homo Academicus, de Pierre Bourdieu, um dos maiores intelectuais do século XX, que se notabilizou ao se debruçar sobre as estruturas do pensamento do próprio campo intelectual. O segundo livro é o ensaio “Linha direta: estética e política”, de Mario Perniola, um dos filósofos italianos mais referenciados na atualidade, também traduzido pela primeira vez em língua portuguesa. Ao lado desses dois grandes pensadores de repercussão internacional, a Editora lança, no dia 20, o livro-embalagem “Poemas”, com dois volumes de poesias do multiartista catarinense Rodrigo de Haro.

Primando pela expressividade autoral e pela qualidade gráfica, as três edições consolidamo novo projeto editorial da EdUFSC, iniciado em 2010, e cumprem dois objetivos, segundo o editor Sérgio Medeiros. Um deles é o de ampliar seu catálogo, incluindo grandes nomes internacionais cujas obras sejam essenciais para a formação dos alunos desta universidade. O outro é o de pesquisar e experimentar novas texturas, cores, formatos de capa, de papel e de livros, a fim de oferecer aos leitores livros com altíssimo acabamento, comparável aos melhores publicados pelas grandes editoras universitárias do país.

Essa trajetória de inovação do livro culmina no dia 20 de dezembro, às 19h30min, na Fundação Cultural Badesc,

na rua Vitor Konder, com uma festa de lançamento da nova obra poética de Rodrigo de Haro. A caixa-presente “Poemas” trazEspelho dos Melodramas e Folias do Ornitorrinco,dois livros inéditos do poeta e artista plástico catarinense que é, na avaliação de Medeiros, uma das maiores expressões contemporâneas da arte brasileira. Aos 73 anos, Rodrigo está em sua fase mais produtiva, alternando-se no talhe da palavra e da pintura.

Texto: Raquel Wandelli, Jornalista na SeCArte/UFSC

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Presépio com figuras em tamanho natural abre o Natal na UFSC

07/12/2011 15:59

Começa a ser montado nesta quinta-feira na Praça da Cidadania da Universidade Federal de Santa Catarina, em frente ao prédio da reitoria, o presépio Paz na Terra, com figuras em tamanho natural confeccionadas pela família Villalva, que trabalha com cerâmica e mantém um atelier no bairro José Mendes, em Florianópolis. A inauguração do presépio será na sexta-feira, dia 9, às 17h30, com apresentação de uma cantoria de terno de reis a cargo do grupo Filhos da Terra, de Palhoça. A realização é do Núcleo de Estudos Açorianos (NEA), vinculado à Secretaria de Cultura e Arte da UFSC, e a visitação do público vai até 6 de janeiro de 2012.

A obra é uma criação conjunta dos artistas Osmarina, Paulo e Paulo Andrés Villalva (os dois primeiros, artistas plásticos, e o último, acadêmico de Artes Plásticas), que utilizam materiais e elementos que fazem referência à herança cultural açoriana em Santa Catarina. No presépio estarão presentes a tecelagem, a cerâmica, a renda e, em especial, a marca da religiosidade, que é um dos principais legados dos casais açorianos que colonizaram a região, a partir de meados do século XVIII. As figuras do menino, de seus pais e dos demais personagens, além dos animais da representação do nascimento de Jesus, são confeccionadas sobre estruturas de madeira, aramados e espumas.

Além dessas figuras, a família Villalba também cria conjuntos inspirados em temas como a procissão do Senhor dos Passos, o pão-por-deus, o boi de mamão e outras manifestações culturais da Ilha de Santa Catarina.

Na inauguração, sexta-feira, o terno de reis Filhos da Terra, da comunidade de Barra do Aririú, fará uma apresentação especial. Todos os anos, uma família de cantores, coordenada pelo mestre cantador Luzair, circula pelas ruas de Palhoça, se apresentando nas casas e mantendo uma tradição que vem de seus avós.

De acordo com o diretor do Núcleo de Estudos Açorianos, Joi Clétison Alves, com esta montagem a UFSC retoma uma tradição cultivada desde os tempos em que o artista e pesquisador Franklin Cascaes preparava o presépio em frente ao Museu Universitário, usando folhas de piteira e outros materiais naturais. O museólogo Gelcy Coelho, o Peninha, manteve a prática por um bom período, até se afastar da Universidade. “Há mais de cinco anos o presépio não é montado na Universidade”, informa Joi Alves.

 

Mais informações com o NEA/UFSC, pelo telefone (48) 3721-8605; com a família Villalva, pelo fone (48) 3225-7445; e com o grupo Filhos da Terra, pelo (48) 9906-6638.

 

Shakespeare no Bosque faz público sonhar acordado

05/12/2011 18:57

Nesse final de semana de quase verão, o público teve a oportunidade de participar da encenação deSonho de uma noite de verão, de Shakespeare, encenado no Bosque do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina pelo Grupo do Sonho, do Curso de Artes Cênicas. Foi um acontecimento teatral inesquecível e inusitado, que transportou a plateia pelo meio da floresta para três noites de sonho, amor, riso e magia.

O espetáculo apresenta uma diversidade de cenários, uma produção sonora, uma riqueza de personagens e figurinos que faz mergulhar no universo onírico de Shakespeare suspendendo as convenções sobre o que separa a imaginação da realidade. A iluminação e o colorido na floresta criam um clima de mistério e fantasia que faz o público reviver esse sonho shakespeariano como se também estivesse sonhando acordado.

As apresentações, que iniciaram na sexta-feira (2/12), tiveram um público surpreendente: integrados à narrativa, adultos, adolescentes e crianças caminham por todo o bosque atrás dos personagens que durante a peça se  deslocam para diferentes cenários e palcos ao ar livre. Fadas, elfos, animais, seres encantados se misturam aos seres e sons do ambiente natural, como as borboletas, cigarras, pirilampos. Ao final de duas horas de narrativa, a plateia, ovacionou os atores de pé, dirigindo-lhe palavras de apoio e entusiasmo.

Realizado por cinco formandos da primeira turma de Artes Cênicas da UFSC com envolvimento de 32 estudantes e atores do curso e apoio da Secretaria de Cultura e Arte, Sonho de uma Noite de Verão é uma forma poética e engraçada de celebrar a chegada do verão. Sob a direção de Márcio Cabral, o Grupo do Sonho cria uma experiência artística marcante para crianças e adolescentes sobre a força do sonho e do imaginário.

 

Raquel Wandelli, jornalista (SeCArte/UFSC)

 

 

Montagem de Sonho de uma noite de verão comemora chegada da estação do amor

01/12/2011 09:49

 

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. O que interessa mesmo não é a noite em si; são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado”.

Assim, celebrando o sonho e a imaginação, William Shakespeare inicia Sonho de uma noite de verão. Para os formandos do Curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Catarina, a possibilidade de estrear ao ar livre, a peça do dramaturgo inglês mais assistida e apreciada de todos os tempos é também a realização de um grande sonho pessoal e profissional. Nos dias 2, 3 e 4 de dezembro, sempre às 19h30min, 33  alunos e profissionais de teatro levarão ao Bosque do Planetário da UFSC, a montagem dessa comédia onírica de elfos, fadas, artesãos e nobres como uma celebração ao amor e à arte e à chegada do verão.

Com entrada franca e aberta a todo público da UFSC e da comunidade externa, a peça aposta em uma montagem pouco comum para teatro de rua itinerante, privilegiando o público infantil e adolescente, explica Vera Lucia Ferreira, que faz o divertido elfo Puck. Fruto da iniciativa de cinco formados que fizeram dessa montagem o objeto de seu trabalho de conclusão de curso, Sonho de uma noite de verão é a segunda grande produção da primeira turma do Curso de Artes Cênicas. (A primeira, estreada em meados deste ano, foi Setembro, que aborda as consequências do ataque às Torres Gêmeas na instauração de uma nova ordem biopolítica de opressão). Por isso, assume o peso de um ritual de formatura, diz o integrante Rodrigo Carrazoni (que faz os personagens Píramo e Novelo)

No elenco, atuam 25 atores, a maioria deles alunos de Artes Cênicas, alguns atores profissionais convidados e um coral de oito crianças alunas do Curso de Violão de Itaguaçu, da professora Patrícia Rodovalho. Essa montagem ao ar livre recebeu apoio da Secretaria de Cultura e Arte da UFSC e da Eletrosul. Quem entrar no Planetário pelo acesso da Elase, no Pantanal, poderá avistar o palco sobre o Bosque e sob o céu estrelado, bem ao modo de Shakespeare no século XVII.

Os alunos estão convidando o público calorosamente, com folhetos imaginativos e sedutores. Além de Carrazoni (responsável pela preparação dos personagens humanos). e Vera Lúcia (responsável pela adaptação do texto), integram o grupo de diretores os formandos (adaptação), Janine Fritzen (maquiagem), Maria Luiza Iuaquim Leite (direção de arte e produção); Elise Schmitausen Schmiegelow (preparação dos personagens fantásticos). Durante mais de um ano eles trabalharam na montagem, dirigida por Márcio Cabral também aluno de Artes Cênicas, mas já com experiência profissional.

Sonhos, brincadeiras, intrigas, atrapalhação, poções mágicas que apaixonam o coração errado, e finalmente, entendimentos amorosos. Sonho de uma Noite de Verão é uma comédia de amor que conta a história de quatro casais enamorados e a deliciosa confusão de sentimentos e conflitos gerados na busca do amor que faz parte da vida.

Na abordagem estética, o Grupo do Sonho, que se formou em torno da montagem, valorizou a reflexão shakespeariana sobre o universo do imaginário, mostrando como os seres mágicos participam na realização de sonhos, e como o sonhador burla os obstáculos que lhe são impostos. O belo e o fantástico; o sonho e a realidade são os inspiradores, enfatiza Carrazoni. Como disse Shakespeare: “… nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso…”

TELEFONES PARA CONTATO:

(48) 32445027 – Falar com Vera

(48) 99132924 / 33047940 – Falar com Maria Luiza

(48) 96273777 – Rodrigo Carrazoni
TEXTO E DIVULGAÇÃO:

Raquel Wandelli,

Jornalista na SeCArte/UFSC

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